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Uma humanidade de Sísifos?

Sísifo era descente do titan Prometeu, possivelmente o homem mais inteligente de seu tempo e fundador da cidade de Corinto, sua cidade era…

Jonas Nogueira · 2021-01-10 15:32 · 1 claps · 3.4 min read
#trabalho #sísifo #felicidade #inutil
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Uma humanidade de Sísifos?

Sísifo era descente do titan Prometeu, possivelmente o homem mais inteligente de seu tempo e fundador da cidade de Corinto, sua cidade era bem administrada mas tinha um problema, não possuía agua doce por perto. Certo dia Sísifo viu uma situação um tanto peculiar, a águia de Zeus sequestrou a bela Égina, ela por sua vez era filha de Asopo um deus-rio que logo após o desaparecimento de sua bela filha entrou em depressão. Sísifo para aumentar a prosperidade de sua cidade vai ao encontro de Asopo e promete dizer o paradeiro de sua filha se ele colocar uma nascente de rio ao lado de sua cidade. Asopo concorda e eles selam o acordo. Com o paradeiro de sua filha em mãos, o deus-rio vai busca-la nos aposentos de Zeus. Que concorda em liberta-la se Asopo denunciar quem contou do paradeiro de Égina. Quando fica sabendo que um mero mortal o denunciou, Zeus fica furioso e imediatamente chama Tanatos o deus da morte, para ir encontrar tal mortal e tira-lhe a vida.

Sífio quando chega em seus aposentos da de cara com Tanatos. Utilizando de sua perspicácia e esperteza, pensa rápido e começa a elogia-lo dizendo que não esperava morrer tão jovem, mas se lhe permitia uma confissão, dos deuses que ele conhecia nenhuma era tão magnifico quanto Tanatos, disse ainda que o seu esplendor merecia presentes e lhe ofereceu um colar e duas pulseiras de ouro. Ainda argumentou que tais preciosidades não lhe teriam serventia no mundo dos mortos. Tanatos agradece os elogios e aceita os presentes. Sísifo lhe coloca um par de pulseiras e um colar, que na verdade eram algemas e uma coleira. Naquele instante o rei de Corinto fez algo que parecia impossível, enganou a morte e fez dele seu prisioneiro. O tempo passou e ninguém mais morria, o reino de Hades não recebia mais nenhum súdito. As guerras provocadas por Ares não lhe davam mais nenhum prazer pois ninguém morria. Esse fica revoltado e vai atrás de Tanatos e ao encontra-lo em Corinto, o liberta. Tanatos vai atrás de Sísifo para finalmente cumprir a sua missão. Porém, o mais esperto dos mortais prevendo seu fim, pediu a sua esposa que não prestasse nenhuma homenagem em sua morte. Quando finalmente Tanatos cumpre sua missão, Sífio já morto vai se encontrar com Hades no sub-mundo e tenta com um discurso planejado anteriormente ludibriar o deus daquele lugar, diz que sente muito pelos prejuízos causados pela falta da morte e que não sabia que isso iria ocorrer, fala ainda que sua esposa o desonrou ao não prestar devidas homenagens e no fim pede um imenso favor a Hades : Que o deixe voltar ao mundo dos vivos por um dia para se vingar de sua esposa e que lhe da sua palavra de honra que voltará na noite desse mesmo dia. Sísifo tem seu pedido atendido e vai ao encontro de sua esposa no mundo dos vivos, ao chegar em Corinto arruma todas suas coisas e foge com sua esposa para um reino distante, enganando a morte pela segunda vez. Sísifo tem o restante de sua vida tranquila, feliz e morre apenas de velhice muitos anos depois.

Em todos esses anos que Sísifo enganou a morte, os deuses pensaram em qual o pior castigo que um homem pode ter, um castigo que seja pior até do que a morte.

Os deuses condenaram Sísifo a rolar incessantemente uma rocha até o alto de uma montanha, de onde tornava a cair por seu próprio peso. Pensaram, com toda razão, que não há castigo mais terrível que um trabalho inútil e sem esperança.

Só vemos todo o esforço de um corpo tenso ao erguer a pedra enorme, empurra-la e ajudá-la a subir uma ladeira cem vezes recomeçada, vemos a bochecha colada contra a pedra, o socorro de um ombro que recebe massa coberta de argila, da tensão dos braços. Ao final desse prolongado esforço medido pelo espaço sem céu e pelo tempo sem profundidade, a meta próxima de ser atingida, o peso se torna excessivo e Sísifo contempla a pedra rolando até a planície, aonde ele terá que tornar a subi-la até próximo ao cume. E volta a planície.

Perceba que esse mito só é trágico porque seu personagem principal é consciente. O que seria sua pena se a esperança de triunfar o sustentasse a cada passo ? O operário de hoje trabalha todos os dias de sua vida nas mesmas tarefas, e esse destino não é menos absurdo. Mas só é trágico no raros momentos em que se torna consciente. Sísifo, impotente e revoltado, conhece toda a extensão de sua miserável condição: Possivelmente pensa nela durante a descida. A Perspicácia que deveria ser o seu tormento consuma, ao mesmo tempo, sua vitória. Não há destino que não possa ser superado com o desprezo. É preciso imaginar Sísifo feliz!

OBS: Fica o questionamento a quem chegou até aqui. Somos uma humanidade de Sífios ? aceitamos a luta por uma causa sem sentido, por uma vida sem nexo ? O que nos preenche é somente a luta ?


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