A Rádio Gazeta, emissora pioneira no Brasil, completa 81 anos de história
Conheça a trajetória da rádio que marcou gerações pelo Brasil e entenda o porquê de seu destaque na comunicação
A Rádio Gazeta, emissora pioneira no Brasil, completa 81 anos de história
Conheça a trajetória da rádio que marcou gerações pelo Brasil e entenda o porquê de seu destaque na comunicação
Por: Gabriella Andrade, Isabella Gouvea, João Gustavo Machado, Marcela Malafaia, Rafaela Lima e Rafaela Navarro
[embed]Áudio Reportagem: A Rádio Gazeta, emissora pioneira no Brasil, completa 81 anos de história
Cásper Líbero, jornalista e idealizador da primeira Faculdade de Jornalismo do Brasil, sempre desejou a difusão de uma cultura de elite ao público que acompanhava os veículos midiáticos. A Rádio Gazeta foi o meio encontrado para alcançar esse objetivo.

Jornalista Cásper Líbero. Foto: Acervo Gazeta Press
A história da Rádio, portanto, começa em 1943, com a aquisição da Rádio Educadora Paulista, em março do mesmo ano. Apoiando-se no slogan “A cultura de Elite”, a Rádio Gazeta se consolidou por muitas gerações no país, referindo-se não a uma elite econômica, mas, sim, cultural.
Contratando os melhores profissionais disponíveis, Cásper Líbero pagou uma fortuna à época (20% do faturamento bruto da empresa) para Renato Macedo, melhor profissional do mercado da década.
A qualidade era essencial para Cásper Líbero e, segundo informações do tempo, ele trouxe 150 mil discos de acetato, adquirindo um acervo inigualável e único no país, dedicado principalmente à pesquisa.
Com a compra da emissora, a primeira mudança foi no nome, transformando-a em Rádio Gazeta P-R-A-6. A programação consolidada na década de inauguração foi majoritariamente voltada para a grade musical: Orquestra Sinfônica, Coral Lírico, Pianistas e Cantores, nacionais e internacionais.
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A Gazeta já se destacava das demais emissoras desde a inauguração, e com o destaque do jornalismo esportivo nas edições impressas, não hesitaram em inserir, no intervalo da programação musical, o programa “A Gazeta Esportiva no Ar”.
O público podia acompanhar as apresentações musicais do auditório, e profissionais de renome, como o Maestro Souza Lima, que atuaram na estação, atraindo espectadores e patrocinadores. Foi na década de 50 que os rádios jornais passaram a ser apresentados, portanto a Gazeta incluiu os programas “A Gazeta Informa” e “Grande Jornal Falado” na grade informativa.

Vista aérea do Palácio da Imprensa na Rua da Conceição (hoje Avenida Cásper Líbero), em São Paulo. Foto: Acervo Gazeta Press
No período dos anos dourados, ou seja, com a consolidação da urbanização e o desenvolvimento industrial, a diversidade brasileira trouxe ritmos musicais ecléticos. O rock’n roll e a bossa nova foram revelados, mas a rádio seguiu firme no slogan “A Emissora de Elite”, visando a formação musical clássica do ouvinte.
As copas dessa década marcaram uma derrota no Maracanã, em 1950, e uma vitória sobre a Suécia, em 1958. Com o clima esportivo se propagando, “A Gazeta Esportiva no Ar”, criada desde 1943, tornou-se referência nas coberturas esportivas do Brasil.
Com a chegada dos anos 60, houve mudanças na programação, e com a inauguração da nova capital, Brasília, os 10 anos da Televisão no país e o Bicampeonato na copa de 1962, o orgulho nacional estava no ápice.
A audiência nos programas esportivos cresceu, e, em 1963, as crônicas esportivas vigoraram na emissora. Além disso, grandes acontecimentos percorriam o mundo, ao longo de um período revolucionário: o movimento de 1964, o AI-5, os movimentos musicais — Tropicália, Jovem Guarda, a chegada do homem à lua e a Copa de 1966.
Os anos 70 foram marcados pelo destaque na cobertura nacional e internacional dos esportes. Logo no início da década, um novo formato de programação musical foi implementado. Inspirado nas rádios americanas, o diretor da emissora trouxe um perfil próprio para a Rádio Gazeta e uma programação própria também.

Final da Copa do Mundo de 1970 na capa da Gazeta Esportiva. Foto: Acervo Gazeta Press
Grandes nomes iniciaram carreira na rádio. Tanto Galvão Bueno quanto Jota Júnior foram revelados como narradores e apresentadores esportivos nos programas da antena pioneira. Com a ocorrência das Copas de 1974 e 1978, a Gazeta formou uma equipe, denominada “A Dona da Bola”, imbatível na cobertura esportiva dentro e fora do país.
Os anos 1980 foram muito marcantes para a Rádio Gazeta. Nessa década, a rádio completava 40 anos, com uma tradição cultural e esportiva já consolidada e sendo referência para atletas, jornalistas e ouvintes.
A Copa do Mundo de 1982, sediada pela Espanha, teve análises assertivas sobre os jogos, e com a seleção brasileira no comando de Telê Santana, o Brasil perdeu para a Itália por 3x2. Anos mais tarde, em 1986, a seleção brasileira sofreu outra derrota, desta vez para a França, por 4x3.
Entre todas as vozes que marcaram essa década, uma delas era feminina: a de Regiani Ritter, que se superava na redação da rádio e na atuação no programa “Disparada no Esporte”. Muito criticada, principalmente por ser mulher, aos poucos ganhou espaço, comentando, sob sua perspectiva exata, os acontecimentos do campo e sendo reverenciada pelos acertos das avaliações.
Outros nomes que registraram presença na rádio foram:
- Francisco Renato Duarte: voz padrão e noticiários;
- Wladir Du Pont: chefe de redação da área esportiva e o jornalista geral da emissora;
- Marilu Martinelli: atuava na produção feminina “Espaço da Mulher”.
- Irineu Reiner: “Gazeta Rural”;
- Carlos Manzano: radialista e diretor artístico;
- Nilton Duarte: correspondente de Brasília;
- Humberto Marçal: voz;
- Flavio Ricco: bastidores das celebridades;
- Marcos Babi Durães: notícia e emoção;
Já nos anos 1990, a Rádio se consolidava como popular e inovadora, sobretudo no ramo esportivo. Houve a cobertura da Copa de 1994, com a conquista brasileira do tetracampeonato, com destaque para Osmar Santos, relevado como grande narrador.
O Plano Collor estava em vigor, com o confisco da poupança, seguido pelo impeachment de Fernando Collor de Melo, em 1992. Na metade da década, o Plano Real foi implementado, fazendo surgir prospecções de melhora para a economia brasileira.
Com a virada do século e a chegada dos anos 2000, a participação dos universitários na rádio foi fortemente implementada, principalmente a partir de 2009, quando a Faculdade Cásper Líbero assumiu o comando da Rádio Gazeta. Em 2002, o curso de Rádio e TV foi criado e, com isso, o desenvolvimento da produção foi ainda maior.
A grade foi dividida com programas específicos por área, sendo possível observar a preocupação da emissora com a inclusão de pautas sociais na rotina dos ouvintes:
- Esportes: “No Vestiário” e “Disparada no Esporte”
- Racial: “Dandaras”
- Econômica: “Economia em Foco”
- Religiosa: “Caminhos da Fé”
- Cultural: “Nas Ondas da História”
Em 2019 houve a transição do AM para o FM, ocorrida devido ao alto custo de operação da estação. A migração ocorreu transferindo a programação universitária para a Rádio Gazeta Online — produtora experimental — e mantendo a marca Gazeta, através da Gazeta FM 88.1, emissora de formato popular e de hits, que está entre as maiores audiências do rádio de São Paulo.

Logo da Rádio Gazeta FM 88.1. Foto: Site Gazeta FM
Hoje, a Rádio conta com a produtora experimental Rádio Gazeta Online, antiga Gazeta AM. E, com o apoio de professores, monitores e funcionários da Fundação, os estudantes universitários podem participar de todo o processo de produção dos programas da grade.
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