Rivais: tênis é metonímia excitante ao novo tratamento das relações entre esporte, sexo, poder e…
Título original: Challengers País de origem: Estados Unidos (2024) Duração: 131 minutos Gênero: esporte; romance; comédia Direção: Luca…
Rivais: tênis é metonímia excitante ao novo tratamento das relações entre esporte, sexo, poder e cinema em longa de Luca Guadagnino

Pôster promocional de “Rivais” (título original: “Challengers”, 2024), longa com direção de Luca Guadagnino e roteiro de Justin Kuritzkes. Foto: reprodução.
Título original: Challengers País de origem: Estados Unidos (2024) Duração: 131 minutos Gênero: esporte; romance; comédia Direção: Luca Guadagnino Roteiro: Justin Kuritzkes Produção: Luca Guadagnino, Rachel O’Connor, Amy Pascal e Zendaya Fotografia: Sayombhu Mukdeeprom Montagem: Marco Costa Trilha sonora: Atticus Ross e Trent Reznor Direção de arte: Jasmine Cho, Paul Alix e Merissa Lombardo Figurino: Jonathan Anderson Distribuição: Warner Bros. Pictures Elenco: Zendaya, Mike Faist, Josh O’Connor, Darnell Appling
Sinestésico é adjetivo pontual à caracterização de Rivais (título original: Challengers) (Warner Bros., 2024), longa dirigido por Luca Guadagnino e roteirizado por Justin Kuritzkes estreante nas salas escuras brasileiras desde a última quinta-feira (25). Não inaugural da aproximação de uma e de outra temáticas na grande tela, no entanto, diga-se a respeito do trabalho visual-narrativo aqui emulador (Lima, 2024) de facto da substância acertada central ao desvelamento criativo do enredo. À decupagem, a intersecção como combinada de planos gerais, subjetivos e zenitais a ângulos distintos, por exemplo, forja visualmente a conturbada dinâmica do embaraço relacional do trio protagonista a temporalidades diversas. Neste sentido, os flashbacks impetrados visam a recriar a trajetória de cada uma das personagens até o clímax da partida principal.


A tensão do triângulo amoroso formado entre Art Donaldson (Mike Faist, à extrema-esquerda na imagem um), por Tashi Duncan (Zendaya) e por Patrick Zweig (Josh O’Connor, à extrema-direita na imagem um e de costas na imagem dois) inflexiona-se nas e retroalimenta a disputa das quadras enquanto metonímica à força e à continuidade do desejo impulsionador da paixão ou do sucesso profissional, com vistas ou não à dominação/à manipulação emocional. Fotos: reprodução.
À amizade confirmada sempre ambígua de Art Donaldson (Mike Faist) e de Patrick Zweig (Josh O’Connor), a interposição de Tashi Duncan (Zendaya) seccionaria, enfim, os reais interesses engatilhadores das ações da dupla nos âmbitos amoroso e profissional. À recusa do preterimento entre processo alçado à subjetividade de operação do desejo para a conquista da pessoa amada via desempenho nas quadras, Donaldson desprezaria Zweig por medida oposta, qual seja, a entrega jamais sublimada à sexualidade e a despeito da perfomance desportiva. A Duncan, em nova vaga, o tênis constituir-se-ia expressão e objeto neuróticos da ansiedade por reconhecimento (ou pertencimento?) e por amor, realizando-se a aposentadoria precoce ferida narcísica (ver Freud, 1914 apud Montagna, 1996), pois de quase ruptura identitária. A oposição, por fim, construída frontal — ou punitiva, a tomar-se a culpa terceirizada a Patrick Z. da grave contusão da ex-parceira em jogo decisivo — reflete-se e retroalimenta-se nos sets e nos match points vividos a cada challenger, já que inflexionam e redinamizam expectativas e inseguranças antes projetados às interpessoalidades.
Dado, então, o embate do duo masculino por Tashi D., a raquete concretiza-se falo e, portanto, manifestação paranoica de masculinidades homoerotizadas na rivalidade da própria supremacia. À trilha sonora, enquanto a predominância do ritmo eletrônico inferiria uma tensão dissociativa subjacente ao emaranhamento emocional do triunvirato, a virada ao tango Pecado (Armando Pontier e Enrique Francini, 1950, na voz de Caetano Veloso, 2014) conferiria carga dramática diferente à disputa ensaiada egoica. Reencenado à espacialidade e aos paralelismos visuais, o cisma anterior desfaz-se ao igual reembaraço pela excitação do confronto, porque altercado no ambiente de competições, ao desejar sexual contínuo. Quando captada à bola em movimento, a visão invertida do apelo constante à fissura dos egos relocaliza-se à mediação agora concluída do olhar interno a T. Duncan de Zendaya no tratamento das relações em análise. Com louvor, o retrato equânime dos anseios querelados e de seu concerto à inflexão ou à refração do sexo não condiciona julgamentos acerca de bom-mocismos e de vilanias alheias.
Metonímico, o esporte assume o debate político de uma economia afetiva materializada ou não à dominação de outrem sob o campeonato da vontade inconciliável de querer o melhor game da vida. Ao permitir-se vibrar — descubra a forma — , Challengers goza da marca (provisória) de melhor filme do ano.


A cisão emocional da dupla e do trio confirma-se à espacialidade das quadras, ao que a observação de Tashi Duncan (Zendaya) mira antes a perspectiva do declínio profissional e o desejo de manter-se viva à tensão da disputa pelo amor e pela vida sempre ansiada. Fotos: reprodução.
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