Eu sou o mar
Eu sou o mar molhando a si mesmo em constante fúria
Eu sou o mar

Eu sou o mar molhando a si mesmo em constante fúria
As ondas dispersam por minhas veias
Fazendo morada na pele encharcada
Aguando meus olhos já cheios de gota salgada
Não sei onde que o mar começa e eu termino
Nem se há mais separação entre eu e oceano
Sinto o sol me queimar as águas infinitas
E a lua a escrever suas poesias de amante eterna em minhas espumas, em minha beira, em meu salgado, eu todo meu ser
E de alguma forma a lua e o sol mergulham dentro de mim
E me torno cada coisa que me reflete
Sou o que me arde e o que me deseja
A fúria rebelde …
E a tranquilidade azul esverdeada
A tempestade que me molha as superfícies e se mistura às profundezas
Tudo que me toca transpassa os contos nunca narrados e vira história misteriosa em um navio naufragado
E no que se esconde no abissal do meu ser a espera de corajosos mergulhadores para ser desvendado
E quando se desvenda um naufrágio em meu ser, outro mistério nasce intocado
Sou todos os seres que em mim estão mergulhados
Peixinhos, sereias e garrafas com cartas de amor dentro
Pedaços de plástico, barcos, areia, corpos afundados
De tantos seres que encontro em minhas profundezas me sinto todos e nenhum
Me sinto monstro marinho, conchinha habitada, peixinho dourado
Me sinto onda que sempre retorna ao mar
Me sinto mar que se desloca em onda
Me sinto gota que toca a pele da moça à beira de mim
Me sinto moça que me sente em pequenas gotas e me devolve algumas gotas de si cheias de dor
E eu acolho essas gotas como parte de mim e elas viram sol, lua, peixinho, sereia e garrafa com carta de amor dentro que nunca chegará ao destino
Sial Bertoni
메타데이터
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