Juiz: eu, oi culpa
A vergonha ultrapassa o meu existir, camuflada de polvo arrasto
Juiz: eu, oi culpa

A vergonha ultrapassa o meu existir, camuflada de polvo arrasto
Como o motivo dessa vergonha é um eterno segredo, foi colocado, como se não fosse eu, em um abismo que, por escuro ser, imaginei nunca mais encontrar.
Mas o pacto feito para não lembrar, esse sim, cobra. E, como pagamento, não devedora que sou, rasteira me dou a fim de quitar.
Alguém pune criança? Olha pra ela, lembra dela! A ignorância é uma mãe para seu filho, acalma e acolhe com carinho. Já a culpa (consciência sem amor, ditosa do ego) é a madrasta à espreita, que o faz de réu para tudo de infeliz que ocorre em sua vida.
Como o guardei sem saber, ainda poderia culpar alguém — a criança inteira no abismo, junto foi o precioso, a essência, a parte que agora assumo que me falta. Quero de volta o que é meu. Revogo a mim, juiz do eu, de acordo com a lei do ser inteiro que tenho por direito.
Sou juiz, advogada e réu da minha própria causa.
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