11 de setembro de 2001
Há uns dias foi o 22º aniversário do Onze de Setembro; naquele então, em 2001, eu tinha dezenove anos, quase vinte, era uma mescla estranha…
11 de setembro de 2001
Há uns dias foi o 22º aniversário do Onze de Setembro; naquele então, em 2001, eu tinha dezenove anos, quase vinte, era uma mescla estranha de adolescente e adulto e estava no meu primeiro emprego, numa empresa que fazia projetos de rede aérea de telefonia fixa em que eu era cadista, embora fôssemos registrados com um cargo que pagava menos.
De qualquer maneira, 11 de setembro de 2001, para mim, começou como um dia de trabalho normal: metrô, ônibus, aquele esforço medonho de deslocamento para entrar na empresa às 7h30. A empresa era numa travessa da avenida Cupecê, e eu vinha da Zona Leste. Lia bastante no trajeto e, quando a ocasião me permitia sentar, dormia também.
Estávamos todos lá, no segundo andar de um prédio inconcluso, mas de aspecto já ruinoso; havia trincas, cacos de tijolo e um carpete que se desprendia com o roçar das rodinhas das cadeiras. Estava sempre presente o cheiro úmido do concreto exposto, tão característico das estruturas que ainda estão em construção. Era o meio da manhã — não vou me lembrar o horário precisamente; a Wikipédia está aí para isso — , quando um colega mais velho, que se sentava no único computador com internet, veio me dizer que um avião tinha se chocado com o World Trade Center, em Nova York.
“Deve ter sido um avião pequeno”, eu me lembro de ter dito do alto da pretensão arrogante de quem tem vinte anos. “Essas coisas eventualmente acontecem; pode ser que tenha sido um Cessna, ou um Bandeirante”, disse eu, o jovem adulto que não entendia nada de avião, mas era cretino suficiente para manipular a falta de conhecimento da média da população. Eu nunca tinha estado em Nova York (e até o momento não o fiz) e nunca tinha andado de avião (o que ia ocorrer dali a uns anos). Até hoje sou incapaz de distinguir um Cessna de um Bandeirante.
Um tempo depois, o mesmo colega volta: “Outro avião bateu nas torres; era um voo comercial”. Embora não tivéssemos uma ligação direta com Nova York ou com os aviões, o ambiente dentro da sala ferveu; as pessoas começaram a levantar para pegar café (a garrafa ficava em cima de um arquivo de metal) e comentar o fato. Logo chegaram as notícias do avião caído sobre o Pentágono; já se falava em um ataque terrorista.
Na hora do almoço, vimos a dimensão real daquilo tudo pela tevê (de tubo) que havia pendurada na parede do restaurante. Os aviões se chocando contra as torres, as pessoas correndo e, depois, empanadas pela poeira dos desabamentos; os que se jogaram. Sim, a tevê mostrou. A sensação que se espalhava, naquelas horas e entre nós, era de fim do mundo.
Eu me lembro de uma sensação de torpor causada pela situação, de que tudo desmoronava. Quando peguei o metrô no começo da noite, de volta para casa, ninguém parecia preocupado, o que me deixou, além de aflito, emputecido. Com o tempo, aprendi que as pessoas não se preocupam enquanto o problema não lhes chega à soleira da porta; e aprendi também a não me afligir de cara com qualquer coisa.
Nos dias seguintes, o noticiário encheu-se de talibãs, Afeganistão, Bush e a história que já conhecemos.
O Onze de Setembro me deu o significado da globalização, que até então era, para mim, um conceito mortiço de geografia econômica: você está frito onde quer que esteja.
메타데이터
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