Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie
Trechos extraídos do Livro “Americanah”, da escritora Chimamanda Ngozi adichie, publicado pela Companhia das Letras.
Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie
Trechos extraídos do Livro “Americanah”, da escritora Chimamanda Ngozi adichie, publicado pela Companhia das Letras.
"Os pratos, com seu acabamento amador e as bordas mal esculpidas, jamais teriam sido apresentados para convidados na Nigéria. Ele ainda não tinha certeza se Emenike se tornara alguém que acreditava que algo era lindo porque tinha sido feito à mão por pessoas pobres num país estrangeiro ou se simplesmente aprendera a fingir que sim."
"Ele já estava olhando para o relacionamento deles pelas lentes do pretérito. Aquilo a intrigava, a capacidade do amor romântico de se transformar, a rapidez com que uma pessoa amada podia se tornar uma estranha. Para onde o amor ia? Talvez o amor verdadeiro fosse o da família, ligado de alguma maneira ao sangue, já que o amor pelos filhos não morria como o amor romântico."
"Ambas estavam de vestido curto, um de bolinhas vermelhas e outro de barra de renda, com a aparência um pouco esmaecida e um pouco mal-ajambrada de peças encontradas em brechó. De certa maneira, eram fantasias. tinham as características das roupas de um tipo específico de classe média bem informada e de alta escolaridade, que gostava de vestidos que eram mais interessantes do que bonitos, que gostava do que era eclético, que gostava do que supostamente deveria gostar. Ifemelu imaginou aquelas mulheres numa viagem: elas colecionariam coisas estranhas e encheriam a casa com elas, provas não refinadas de seu refinamento."
"Quando comecei a trabalhar no setor imobiliário, pensei na hipótese de reformar casas velhas em vez de demoli-las, mas não fazia sentido. Os nigerianos não compram casas porque elas são antigas. Como um celeiro de moinho reformado de duzentos anos, sabe, o tipo de coisa da qual os europeus gostam. Isso não funciona aqui de jeito nenhum. Mas é claro que isso faz sentido, porque somos do Terceiro Mundo, e pessoas do Terceiro Mundo olham para a frente, nós gostamos que as coisas sejam novas, porque o que temos de melhor ainda está por vir, enquanto no Ocidente o melhor já passou, então eles têm de transformar esse passado num fetiche."

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