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Messi 39 anos

Auge: (au.ge) sm. 1 O ponto mais elevado; apogeu, ápice.

Saulo Miguez · 2026-06-24 16:34 · 1 claps · 2.4 min read
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Messi 39 anos

Divulgação FIFA

Divulgação FIFA

Auge: (au.ge) sm. 1 O ponto mais elevado; apogeu, ápice.

Pela definição do Dicionário da Língua Portuguesa Evanildo Bechara, podemos entender o auge de um atleta como a janela de tempo onde este alcança as suas melhores marcas.

Na temporada 2011/2012, então com 24 para 25 anos, Lionel Messi atingiu números que até hoje são recordes absolutos na história do futebol. Jogando pelo Barcelona, o atacante argentino marcou 73 gols em 60 jogos e um total 91 gols em um único ano calendário.

Por ser o futebol um esporte de contato, a plenitude física do jovem ponta naquele ano em muito contribuiu para que ele alcançasse tais feitos. Além do que, o Barcelona contava com um time extraordinário, a ponto de levar à final da Bola de Ouro Messi, Xavi e Iniesta.

Exatamente uma década após o seu auge, já com 35 anos, Messi sagrou-se Campeão do Mundo com a Seleção Argentina, sendo o melhor jogador da competição e estando em campo durante todos os minutos dos sete jogos — com duas prorrogações e disputas de pênaltis — do torneio.

Aí se inicia um novo ciclo de Copa. Messi se transfere para o futebol norte-americano já com um projeto de aposentadoria. Passa a jogar partidas menos competitivas em um calendário mais enxuto, mas segue dando show.

Por conta da idade e o natural desgaste que o tempo traz, sua participação na Copa chega a ser questionada. Ele joga a maioria dos confrontos das eliminatórias e amistosos, conclui o ciclo fisicamente bem e é convocado para a sua sexta Copa do Mundo.

Já na sua estreia, faz três gols. No segundo jogo, anota outros dois e torna-se o maior artilheiro da história dos mundiais. Lembrando que agora já se vão 14 anos desde o seu auge.

Uma carreira tão longeva e tão triunfante tem muito a ensinar a respeito de comprometimento, foco, cuidado com o próprio corpo, amor à profissão e às cores que defende, mas, principalmente, o que Lionel Messi deixa de exemplo é como o uso da inteligência é capaz de compensar o desgaste do corpo a ponto de fazer um cara de 39 anos ser temido por marcadores quase 20 anos mais jovens.

Se formos analisar pela perspectiva atlética pura e simplesmente, aquele Messi de 2012 era melhor do que o atual. Mais jovem, mais forte, mais veloz. Aquele Messi era um marlim azul a deslizar pelo gramado, rasgando o campo de fora a fora e só parando dentro do gol.

Já o Messi de hoje é um polvo mimético. Ele se camufla entre os adversários, parece sumido de campo em muitos momentos, mas está sempre no lugar certo e na hora exata. Voluntarioso, seus tentáculos agora alcançam uma dimensão maior do gramado, de modo que sua participação defensiva também aumentou. Seja ajudando no início da construção da jogada, atraindo um marcador para liberar espaço, ou mesmo roubando bola.

Graças a essa readaptação, o camisa 10 tornou-se não apenas o principal trunfo ofensivo da equipe, mas também uma espécie de fiel da balança que equilibra e dita o ritmo do jogo, cadencia o meio de campo e passa tranquilidade para que os aguerridos e taticamente aplicados operários de Scaloni possam jogar. Além de solista e spalla, ele assumiu de fato o posto de maestro da orquestra.

Dessa forma, muito mais do que futebol, em cada minuto que está em campo Lionel Messi ensina sobre resiliência, senso de coletividade e compreensão do que somos diante da realidade que nos cerca.

Vida longa ao Rei!


메타데이터
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