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Reacenda a sua chama

Você deixou o fogo dentro de você quase se apagar, e tudo isso para ser querida, amada, vista como boa pessoa.

Priscila Coser · 2026-06-23 19:15 · 0 claps · 8.0 min read
#women #womens-health #womens-rights #rage #possibility-management
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Wiki topics: RAG · RAG & Retrieval BIZ · Business Strategy

Reacenda a sua chama

Você deixou o fogo dentro de você quase se apagar, e tudo isso para ser querida, amada, vista como boa pessoa.

Quando essa chama diminuiu a ponto de você quase não conseguir se mover, a conta da sua adaptação pode ter começado a chegar. Talvez você desenvolveu alguma condição de saúde, talvez seus relacionamentos próximos estajam ruindo.

Você conseguiu o que sempre quis, abaixou o fogo.E quando isso aconteceu, você se tornou a doce mulher que sempre desejou ser (será?)

E então as pessoas ao seu redor te elogiam, você é querida, amada.

E então…..? Como está sua vida aí dentro?

O tesão que você sentia pela vida, pelo prazer de viver, continua em você? O que você quer criar? Há em ti um pulso de vida pronto a transbordar?

Eu intencionalmente abaixei o fogo dentro de mim por muito tempo. Anos.

Aprendi a ser doce, a agradar. Engolir minhas vontades e servir a vontade de outros.

Aprendi a falar mais baixo, mesmo quando eu na verdade queria gritar.Me forcei a rir mais baixo, mesmo quando eu estava querendo muito gargalhar. Não incomodar, não ser demais.

Isso ficou ainda mais profundo quando me tornei mãe.

A minha vida nessa altura era 100% focada na minha filha e na minha família. O que minha filha precisava ou queria era mais importante do que o que eu queria. Minha família se tornou o centro da minha vida e eu me coloquei no final da fila.

O que aconteceu foi que depois de alguns anos, meu tesão pela vida já estava diminuindo em velocidade meteórica. Depois de 4 anos que minha filha nasceu, eu não lembrava mais o que era sentir vontade genuína de criar algo só porque eu queria. Eu estava me adaptando tanto que eu não sabia mais o que eu queria.

A energia que eu gastava para me adaptar era tanta, a energia para abaixar o fogo ardente da minha raiva e dos meus outros sentimentos, que não sobrava muita energia para mais nada.

Eu me via como um grande saco de pancadas para todos ao meu redor.

“O que será que eles querem comer?” “O que eles vão pensar de mim?”

Meu foco inteiro estava fora de mim. Era sobre “eles”a minha vida.

Algo extraordinário aconteceu depois que comecei a viver espaços de raiva consciente dentro do contexto de **Possibility Management.**

Eu comecei a perceber minha chama voltando. Dentro desse espaço conheci mulheres raivosas que sabiam o que queria; falavam; se posicionavam; colocavam limites. E mais, elas estavam e estão vivendo a vida que querem viver. Essa foi a luz de orientação que faltava pra mim. Foi ali que uma faísca se fez presente dentro de mim. Eu não estava morta por dentro mais.

Antes eu estava tentando tornar invisível meus sentimentos mais profundos, e isso estava me matando, aniquilando completamente minha vivacidade. Essa é uma forma dolorosa e violenta (contra si mesma) de se viver.

Foi quando o fogo quase se apagou que eu comecei a acordar para a submissão que eu havia criado para mim mesma perante outras pessoas. Vivi iniciações profundas nos espaços de treinamento.

Meses depois do meu primeiro *Expand the Box,* comecei a fazer a iniciação do 333. Por três meses, três vezes na semana por três minutos, subir o máximo que se conseguir de raiva, deitada na cama, por razão nenhuma, deixando essa energia circular. E aí, o que aconteceu foi que eu reacendi minha chama.

É um processo parecido com adentrar em uma floresta selvagem dentro de si. A experiência de começar a experimentar o sentimento da raiva pura, aparentemente perigoso e absolutamente intuitivo e claro. Começar a confiar radicalmente nos próprios impulsos e informações interiores. A energia e informação dos sentimentos (raiva, medo, tristeza e alegria). Confiar tão radicalmente que mesmo a pessoa que eu mais amo me diga para ir em uma direção ou fazer algo, se meus sentimentos dizem outra direção eu vou seguir essa direção que nasceu exclusivamente de mim. Recuperando assim minha autoridade e integridade.

Aqui me lembro claramente de um parágrafo do livro Mulheres que Correm com os Lobos.

Cito:

“O que a intuição selvagem faz pelas mulheres? Como o lobo, a intuição tem garras que abrem as coisas e as sujeitam; ela tem olhos que enxergam através dos escudos da persona; ela tem ouvidos que ouvem sons fora da capacidade de audição do ser humano. Com essas ferramentas, a mulher assume uma consciência astuta, que aprofunda sua feminilidade e aguça sua capacidade de se movimentar com confiança no mundo exterior.”

E foi essa a sensação de confiança e clareza que comecei a notar em mim ao sentir meus sentimentos com consciência. Ao sentir a raiva circulando com mais intensidade pelos meus corpos, comecei a direcionar ela para o que eu queria. Escrever, criar, amparar espaço, falar com alguém, fazer algo impossível para a minha caixa. Ao sentir meu medo noto os não ditos, percebo, scaneio o que os olhos não coneseguem captar.

Aos poucos minha vida foi se tornando novamente extasiante, mágica, eletrizante. Eu vejo partes de mim pegando fogo e tenho a clareza de que isso não sou eu, eu sou o que observa isso tudo pegar fogo. Comecei a permitir que a minha parte boazinha fosse definhando cada dia mais.

Esse fogo cresceu e comecei a voltar a sentir um tesão grande por estar viva e por querer viver. Estar em um dia a dia originário não me satisfazia mais (será se satisfaz de verdade alguém?)

Voltei a comer apreciando cada segundo de sabor na boca. A sentir o cheiro da minha filha e apreciar o momento com ela. Voltei a transar com meu companheiro e realmente aproveitar e sentir o ser dele comigo. Não era um sexo comum. Era uma troca de intimidade com presença, com foco, com clareza, com raiva circulando. Eu estava só ali com ele e ele estava só ali comigo. A conexão que eu percebi nesse momento com ele eu nem me lembro de ter tido ela antes. (Uau, quem diria que minha falta de vivacidade e tensão era falta de sentir meus sentimentos!)

Comecei a falar o que eu quero, o que eu não quero. Comecei a ser “feia, louca, arrogante” Comecei a conviver mais ativamente com a mulher raivosa e selvagem que sou, me mantendo firme ao me enxergar e ver que não, não sou sempre bela, doce e gentil. Por vezes gritou ferozmente para defender o que minha raiva mostra como sendo importante para mim.

A raiva reacendeu o fogo em mim, o fogo da vida. O fogo exige atenção porque é rotineiro deixar que ele se apague. O mecanismo padrão da adaptação ainda está instalado. Esse é um momento crucial para ter um time de mulheres raivosas ao seu redor, para te darem feedback e coaching e você conseguir continuar trilhando seu próprio caminho flamejante. Eu criei um time para mim, e sou profundamente grata a cada uma delas, pois quando eu acho que me falta lenha, elas vem e colocam um pouco, assopram meu fogo, invocam minha raiva e eu volto pros trilhos radiante e revigorada, pronta para a próxima.

Reacender o fogo da sua vida com sua raiva é possível. O problema é que talvez você tenha muitas evidências de que sentir raiva é ruim, afinal, quando não sabemos usá-la com consciência, ela pode se transformar em violência e agressão. Por isso, você se esforça para não sentir raiva.

A verdade é que a raiva não é boa nem ruim.

Ela é uma energia neutra e necessária para trazer clareza, assertividade, dar voz ao que te importa de coração, reconhecer limites e movimentar o que precisa ser transformado na sua vida. Agora.

Quando você se reconcilia com a raiva, deixa de lutar contra si e passa a usá-la como força criadora, uma força que sustenta decisões e mudanças reais e duradouras.

A raiva mostra onde algo não está funcionando, revela limites ignorados e aponta o que precisa mudar. Sentir raiva com consciência, é escolher não repetir mais os mesmos padrões e resultados. É transformar frustração em direção, tensão em ação e desejo em movimento.

A raiva também é o caminho de volta para o seu poder pessoal.

Ela surge quando você se afastou de você mesma, quando abriu mão demais, quando silenciou verdades importantes ou aceitou ser razoável quando na verdade você queria muito mais, muito mais.

E nesse ponto podem vir as vozes: Egoísta. Mimada. Irrazoável. Louca. Viajando na maionese. Histérica.

Quantas vezes ouvi isso ao falar alto o que eu queria? não lembro quantas vezes, só sei que foram vezes suficientes para eu escolher me calar. Me adaptar. Ser boazinha.

Mas nem com todos os meus esforços eu consegui (ainda bem) apagar 100% o fogo da minha raiva de mim. Afinal, cada vez que empurrei minha raiva pro lado, ela voltou queimando pelas beiradas, e comentários de ataque indiretos saiam pelos meus lábios "doces". Cada vez que escondia ela por baixo de um sorriso falso, voltava escorrendo pela minha garganta e fazendo meu estômago ferver com um refluxo que subia e me machucava por dentro. Quando eu achava que tinha “controlado”minha raiva e que eu era sim uma boa mulher, eu explodia, me machucava, machucava os que eu amo, inflamava meu corpo e me via doente.

Ser boazinha não deu certo. Eu deixo de viver a minha vida, eu me desconecto completamente do que eu quero. Eu me adoeço. Eu fico longe de mim.

Quando decidi que a raiva iria sim circular em mim, e que eu iria navegar nesse cavalo selvagem rumo ao meu próprio poder e vida, eu disse: olá raiva, o que você tem pra mim?

E então a clareza da minha raiva começou a vir através de palavras como:

Eu quero criar, escrever, desenhar, experimentar, viajar, ousar, dançar, viver! eu quero viver! Eu quero dançar sentindo tanto prazer em mover meu corpo, sem nem ser uma opção me importar com o que os outros vão pensar;

Eu quero pintar um quadro grande, bem grande mesmo, sem nenhuma expectativa de que vai dar em alguma coisa ou que vai parar na parede;

Eu quero cantar em florestas e ouvir o que as pedras querem me contar;

Eu quero sentir o vento na minha pele, e abrir os braços me preparando pra voar. Voar longe e alto, sentindo o cheiro ardente que só existe perto das estrelas;

Eu quero escrever poemas;

Eu quero aproveitar cada milímetro de vida disponível pra mim;

Eu quero sentir o cheiro atrás da orelha das mulheres que eu amo;

Eu quero gargalhar com minha filha, tão alto, muito alto;

Eu quero transbordar no olhar do meu amado Pedro;

Eu quero nadar completamente pelada às 6h da manhã numa praia no inverno, por motivo nenhum a não ser, por que não?

Eu quero meditar sozinha em uma montanha coberta de neve;

Eu quero ouvir a voz que se encontra no silêncio;

Eu quero trocar segredos com a lua e depois uivar ao lado das minhas irmãs mulheres ao redor de uma grande fogueira;

Eu quero ser selvagem, crua. Eu quero ser o amor do parto. Com sangue, com gritos, com lágrimas e com milagre;

Eu quero ser o fogo que reacende o fogo das outras mulheres. Eu quero ver o brilho nos olhos ardentes das mulheres, ver o gênio das mulheres vindo pra frente e pra frente!

Eu quero mulheres raivosas criando a vida que elas querem, e mudando completamente o mundo ao nosso redor;

Eu quero que essa chama reacenda e que o impossível aconteça agora, e agora, e agora;

Eu quero mulheres fodas criando, gozando, gargalhando, dançando;

Mulher, se você está lendo isso e algo se remexeu em você, não olhe para o lado. Permaneça firme em você. Continue respirando e deixando a energia circular. Se comprometa com sua chama. Se comprometa com você.

Ceder aos desejos dos outros nos faz nos isolarmos de nós mesmas. CHEGA DESSA MERDA!

Volte para você. Recupere sua autoridade!

Reacenda a sua chama, não abra mão dela por nada e nem por ninguém.

Pise firme. Gaia se move quando você caminha. Olhe pra cima. Crie a vida que seu coração sabe ser possível, momento a momento.

Você não está sozinha, tem um time de mulheres raivosas e flamejantes te esperando.

Conheça o movimento Mulheres da Terra: https://www.womenofearth.live/

Com amor e raiva,

Priscila Coser


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