O Rei Charles foi às termas(ou devia ir)
Esta semana, numa plena quarta-feira, sim, numa quarta-feira, uma amiga pegou em mim e decidimos ir às águas termais em Lóbios. Amiges que…
O Rei Charles foi às termas(ou devia ir)
Esta semana, numa plena quarta-feira, sim, numa quarta-feira, uma amiga pegou em mim e decidimos ir às águas termais em Lóbios. Amiges que são amiges sabem quando precisamos mesmo quando não o dizemos ou amiges que são amiges passam pelas mesmas quebras emocionais que nós.
Não importando os porquês, partimos rumo ao país vizinho falando de cristais e espiritualidade como mulheres solteiras que somos.
Depois de uma viagem fantástica, chegamos ao nosso destino com pão com queijo na mala, guarda-chuva e um vinho. Foi fácil instalar-nos e relaxarmos assim que entramos na água e ainda mais fácil perceber que estava na verdade num forno de pastelaria e éramos todos suspiros, a preparem-se para enfrentarem a sociedade.
Redução de stress, antienvelhecimento, controlo da pressão arterial, rejuvenescimento da pele, etc, etc, basicamente se tens algum problema, vai a águas termais, assim te diz a revista Maria ou os doutores que vão às tardes da Júlia. Com todas estas dicas, foi normal encontrarmos bastante população idosa que, recomendados por médicos ou por viverem perto, foram banhar as suas doenças e ansiedades juntamente com as nossas e como eram quase todos portugueses claro que fomos trocando impressões e piadas, até em países vizinhos, somos um povo afável que se dá bem com toda a gente e isso ninguém nos tira.
Houve um idoso que me chamou especialmente a atenção, não fosse ele menos que o rei mais recente dos nossos tempos, que estaria ele a fazer num sítio tão remoto? A verdade é que tão pouco me importei, se os pobres podem ir lá, os ricos também. A maior admiração foi mesmo vê-lo pela primeira vez misturado com a plebe e a sorrir genuinamente para nós.
Sentou-se ao meu lado e como reparou que as minhas mãos estavam inchadas, perguntou se também sofria de artroses como ele, respondi que não, era apenas má circulação e ele lá se lamentou dos dedos que tinha, ‘’acho que o trono não está em boas mãos’’, desabafou. Respondi-lhe que ele nunca tirou empregos a ninguém, que nunca traiu a esposa e que esteve sempre presente na vida e educação dos filhos, nunca saiu do lado da mulher principalmente horas depois do filho de ambos ter nascido e só isso, era sinal que tinha boas mãos a medir consciência.
Ele respondeu-me que isso era verdade sim, que até tinha educado os filhos sozinho pois a mulher morreu cedo, que trabalhava desde os 5 anos e a partir do nada (e de poupanças) conseguiu criar um pequeno império, disse-me que se chamava João, conhecido como o João Sapateiro.
Afinal tinha confundido as caras e as mãos, mas é destes reis que devem ser falados.
메타데이터
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