Entrevista // Black Bahia 3ª ed.
Hoje trazemos nossa entrevista com Adriele do Carmo, poeta e produtora cultural que participou da mesa “Rezos e Cantigas”, na 3ª edição do…
Entrevista // Black Bahia 3ª ed.

Hoje trazemos nossa entrevista com Adriele do Carmo, poeta e produtora cultural que participou da mesa “Rezos e Cantigas”, na 3ª edição do Black Bahia.
Adriele do Carmo é lésbica, nascida na periferia de Salvador e apaixonada por culturas e artes. Escreve desde a adolescência, tendo publicado um livro solo, participado de 3 antologias e idealizado uma coletânea. Além de ter produzido saraus e rodas de leitura na Bahia e outros estados do Brasil.
Confira logo abaixo a entrevista completa:
- Qual a importância da poesia no fortalecimento do seu processo identitário, enquanto mulher negra e lésbica?
A poesia pra mim é um lugar de expressão, resistência e acima de tudo liberdade.
Desde a infância eu me interessava pelas expressões artísticas, mas não tinha muito contato próximo até os 12/13 anos, quando essa paixão ecoou mais forte. O meu contato com a poesia veio junto com meu contato com o debate socio-racial.
Minha produção literária fala sobre questões de raça, sexualidade e outras pautas que me atravessam e movimentam.
A escrita para mim é um lugar de liberdade, de questionamento e mobilização, e esse lugar, essa importância está expressa e diretamente ligada a minha identidade enquanto lésbica negra.
- Como você enxerga a produção cultural negra, na Bahia?
Quando falamos em produção cultural negra na Bahia precisamos falar sobre diversidade e diferença; diversidade de expressão e vivência e diferença de acesso. A Bahia é um estado com 27 territórios de identidade muito diversos entre si, então cada território vivencia a cultura de forma própria, fruto de seus processos históricos e sociais.
Eu sou de Salvador, com andanças e atuação principalmente na região Metropolitana, Recôncavo e Baixo Sul. Pensando nesses territórios enxergo a produção cultural negra como uma construção muito orgânica, forte e repleta de espiritualidade. A cultura negra expressa através das linguagens artísticas é de uma criatividade e resistência imensa, entretanto essa cultura ainda precisa ser muito fortalecida e incentivada, tanto artistas quanto às obras, ações e eventos penam muito para conseguir custear seus trabalhos.
Penso que precisamos de políticas públicas e investimentos do setor privado que saiam permanentemente da lógica de patrocínio/parceria/apoio pontual, calendarizado e centralizado em editais.
No que tange a descentralização territorial das políticas públicas para a cultura, muito já foi feito, hoje temos editais que estabelecem um quórum de contemplação nas diversas regiões baianas, entretanto a produção cultural negra ainda não está nem perto de ter garantido um recurso confortável para as ações.
- Compartilhe conosco um pouco do que você sentiu na mesa “Rezos e Cantigas”, do Black Bahia.
A mesa “Rezos e Cantigas”, do Black Bahia, foi um espaço de muita beleza e sinergia, tanto as artistas quanto o público estavam a vontade e vibrando em uma mesma energia de artivismos. Me senti muito contemplada com cada apresentação feita ali. Anajara Tavares e Andréia Anjos são mulheres que doam suas vozes e corpo de forma muito visceral e íntima, com a mediação e produção de Mariana Madelinn foi possível tornar essas artes ainda mais próxima e afetuosa.
Para Adriele, aquilombar é formar quilombo. É se juntar com pretas e pretos com o mesmo propósito comunitário. Através do aquilombamento a gente pode se fortalecer em todos os níveis e setores.
Você encontra a autora e pode adquirir seus livros através do seu IG @adrieledocarmo_.
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