A Máquina Desejante: Inconsciente e Social
O Organismo dentro do Organismo.
A Máquina Desejante: Inconsciente e Social
O Organismo dentro do Organismo.

Boy with machine, Richard Lindner, 1955.
O corpo em um estado natural de putrefação encontra-se internado em um hospital psiquiátrico. Em sua razão aparte do grande organismo vigente, ele é considerado louco. Seu organismo não está dentro do grande organismo estabelecido — faz parte do seu processo de transfiguração do corpo no estado, tornando-se o CsO.
Se o órgão está fora do grande corpo, ele, também, necessita estar fora do seu sistema maquinário desejante. A máquina Desejante opera em função sempre ao infinito, existindo sob diversos mecanismos menores. Nosso corpo é esta máquina, liderada pelo inconsciente maior — indo ao contrário do inconsciente freudiano e ao seu complexo de édipo. Necessariamente estamos ligados à máquina de morder (dentes), de ver (olhos), de foder (pênis), de gerir (óvulo)… e dali experimentamos diversas máquinas menores, capazes de ir além deste imaginário — indo ao infinito possível. Tudo em nós é manejado com sua posta e contraposta: corte, amasso, tira, põe, cima, baixo… e assim, criamos o considerado ser adequado à sua máquina suprema, o organismo que engole o organismo: o estado. Deleuze afirma que tudo é essa produção; esse movimento contínuo e, de certo modo, hipócrita, louco, desenfreado. É uma grande orgia onde todos são devorados e devoram — para assim, ser proclamado o organismo.
O que estabelecemos como operação ao infinito, são as personas que tomamos como independência em determinadas situações. As características que usamos em determinados jogos sociais, situações, problemas, perigos, encargos… — aqui cria-se também o inconsciente, o faz afirmar.
Desejos que engolem outros que engole outros e outros… máquina brutal de criação de realidades desejáveis; uma hora ela transborda e jorra na realidade única; ele cria, ele atravessa, desdobra, deságua. Todo desejo é uma produção de realidade.
O que define precisamente as máquinas desejantes é o seu poder de conexão ao infinito, em todos os sentidos e em todas as direções” — Deleuze & Guattari, O Anti-Édipo.
Deleuze e Guattari vão na contrapartida da psicanálise: nem tudo é fruto somente de ideais não resolvidos no âmbito familiar; e sim uma sucessão de eventos que permeiam aquele ser, que se desdobra e funciona a todo vapor.
Assim, tudo acontece dentro deste grande organismo maior que engloba, engole, organismos menores — ditos órgãos do grande homem capitalista. O ponto-chave se faz quando o indivíduo, através de sua marginalidade possível contra o corpo, faz deste, transfigurado em relação ao que lhe foi apresentado — por mais tranquilo que possa parecer viver uma vida regrada pelo consumo, ataques invisíveis e desejo de morte trabalhadora. O desvio de encaixe se abre também nas outras máquinas desejantes, quanto lhe impõe um espaço, uma determinada situação, uma definição.
Nossas máquinas desejantes são organizadas pela máquina social.
A partir da esquizoanálise, devemos descobrir nossas máquinas — não interpretar, mas sim, experimentar!
Se não se montar uma máquina revolucionária capaz de se fazer cargo do desejo e dos fenômenos de desejo, o desejo continuará sendo manipulado pelas forças de opressão e repressão, ameaçando, mesmo por dentro, as máquinas revolucionárias” — Deleuze, Conversações.
메타데이터
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