← Back to list

A Máquina Desejante: Inconsciente e Social

O Organismo dentro do Organismo.

Luan Hornich · 2024-09-09 10:13 · 0 claps · 2.1 min read
#esquizoanálise #deleuze-e-guattari #máquinas-desejantes #textos #textos-curtos
Open on Medium ↗
Wiki topics: BIO · Biology · General 🔒 · Cybersecurity

A Máquina Desejante: Inconsciente e Social

O Organismo dentro do Organismo.

Boy with machine, Richard Lindner, 1955.

Boy with machine, Richard Lindner, 1955.

O corpo em um estado natural de putrefação encontra-se internado em um hospital psiquiátrico. Em sua razão aparte do grande organismo vigente, ele é considerado louco. Seu organismo não está dentro do grande organismo estabelecido — faz parte do seu processo de transfiguração do corpo no estado, tornando-se o CsO.

Se o órgão está fora do grande corpo, ele, também, necessita estar fora do seu sistema maquinário desejante. A máquina Desejante opera em função sempre ao infinito, existindo sob diversos mecanismos menores. Nosso corpo é esta máquina, liderada pelo inconsciente maior — indo ao contrário do inconsciente freudiano e ao seu complexo de édipo. Necessariamente estamos ligados à máquina de morder (dentes), de ver (olhos), de foder (pênis), de gerir (óvulo)… e dali experimentamos diversas máquinas menores, capazes de ir além deste imaginário — indo ao infinito possível. Tudo em nós é manejado com sua posta e contraposta: corte, amasso, tira, põe, cima, baixo… e assim, criamos o considerado ser adequado à sua máquina suprema, o organismo que engole o organismo: o estado. Deleuze afirma que tudo é essa produção; esse movimento contínuo e, de certo modo, hipócrita, louco, desenfreado. É uma grande orgia onde todos são devorados e devoram — para assim, ser proclamado o organismo.

O que estabelecemos como operação ao infinito, são as personas que tomamos como independência em determinadas situações. As características que usamos em determinados jogos sociais, situações, problemas, perigos, encargos… — aqui cria-se também o inconsciente, o faz afirmar.

Desejos que engolem outros que engole outros e outros… máquina brutal de criação de realidades desejáveis; uma hora ela transborda e jorra na realidade única; ele cria, ele atravessa, desdobra, deságua. Todo desejo é uma produção de realidade.

O que define precisamente as máquinas desejantes é o seu poder de conexão ao infinito, em todos os sentidos e em todas as direções” — Deleuze & Guattari, O Anti-Édipo.

Deleuze e Guattari vão na contrapartida da psicanálise: nem tudo é fruto somente de ideais não resolvidos no âmbito familiar; e sim uma sucessão de eventos que permeiam aquele ser, que se desdobra e funciona a todo vapor.

Assim, tudo acontece dentro deste grande organismo maior que engloba, engole, organismos menores — ditos órgãos do grande homem capitalista. O ponto-chave se faz quando o indivíduo, através de sua marginalidade possível contra o corpo, faz deste, transfigurado em relação ao que lhe foi apresentado — por mais tranquilo que possa parecer viver uma vida regrada pelo consumo, ataques invisíveis e desejo de morte trabalhadora. O desvio de encaixe se abre também nas outras máquinas desejantes, quanto lhe impõe um espaço, uma determinada situação, uma definição.

Nossas máquinas desejantes são organizadas pela máquina social.

A partir da esquizoanálise, devemos descobrir nossas máquinas — não interpretar, mas sim, experimentar!

Se não se montar uma máquina revolucionária capaz de se fazer cargo do desejo e dos fenômenos de desejo, o desejo continuará sendo manipulado pelas forças de opressão e repressão, ameaçando, mesmo por dentro, as máquinas revolucionárias” — Deleuze, Conversações.


메타데이터
post_id
c042d2d8284e
slug
a-máquina-desejante-inconsciente-e-micropolíticas-c042d2d8284e
url
https://medium.com/@luanhornich/a-m%C3%A1quina-desejante-inconsciente-e-micropol%C3%ADticas-c042d2d8284e
canonical_url
https://medium.com/@luanhornich/a-m%C3%A1quina-desejante-inconsciente-e-micropol%C3%ADticas-c042d2d8284e
author_url
https://medium.com/@luanhornich
status
ok
fetched_at
2026-07-08 10:57:59