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O hobby de chamar fãs mulheres de hístericas nunca sai de moda

“No fim, eu acho meio hipócrita os caras acharem normal tatuarem brasões de times, chorarem por jogador de futebol; e quando são os meus…

Julia Carneiro · 2025-04-16 13:31 · 0 claps · 1.8 min read
#mulher #fãs
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Anos se passam mas a constante forma de descredibilizar os gostos das mulheres não muda. Em recente documentário do cantor Jão, feito sobre sua turnê com o álbum ‘Super’, ele discorre sobre a diferença entre um homem gritando e chorando por seu time de futebo lser normal, mas uma mulher gritando e chorando em um show de seu cantor favorito? Aí é exagero.

“No fim, eu acho meio hipócrita os caras acharem normal tatuarem brasões de times, chorarem por jogador de futebol; e quando são os meus fãs tatuanto, chorando, se expressando, aí já é demais”

Em uma sociedade que, ainda, exerce sobre as mulheres uma pressão imensa para amadurecer e se responsabilizar por tudo e por todos, existe uma tentativa de a todo custo também tirar seus prazeres, seus hobbies e seus gostos, os ridicularizando. Não é recente o ódio (descabido) que artistas com público, majoritariamente, feminino e LGBT+ recebe por ser visto como futilidade, como algo engraçado de inferiorizar e tirar sarro. Atitudes essas que foram postas nos holofotes durante a última turnê de Taylor Swift com os namorados, maridos e pais tirando sarro da felicidade de alguém por conseguir ir ao show de sua artista favorita. Afinal, entrar em longas filas, vestir camisa, comprar merchandise, gritar de alegria e chorar de emoção por uma cantora é muito diferente de fazer a mesma coisa com um jogador de futebol, não é? (E veja, não estamos nem entrando no fator de quando uma mulher tem os mesmos interesses por um esporte porque ela também vai ser ridicularizada por isso.)

A valorização cultural das paixões de um grupo social específico converge com o senso de poder que o ato de inferiorizar mulheres exerce sobre esse mesmo grupo. Tentar remover a importância de um gosto pessoal e infantilizá- la, apenas ressalta as questões de gênero que estão muito longe de serem resolvidas.Quando casos absurdos, como uma cabeça de porco sendo mordida por torcedores de um time de futebol, aparece nas mídias é posto como paixão e a emoção tomando conta do fã mas quando alguém posta um vídeo chorando em um show de cantor pop é chamado de histérico e exagerado. Apenas um grupo é feito de chacota e desvalidado.

Ser fã é experiência de conexão, não deveria ser tópico de discussão se é válido ou não. Sentimentos não podem ser medidos e muito menos, a expressão desse amor quando não diz respeito aos outros.

E não, fazer piadinha sobre os hobbies da sua namorada não é engraçadinho, é babaca.


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