Reencanto.
Tentando continuar a retomada na escrita por aqui. Vamos lá.
Reencanto.
Tentando continuar a retomada na escrita por aqui. Vamos lá.
Retomar a escrever é, também, uma forma de me reencantar por mim no e pelo o mundo… como talvez eu já tenha avisado nesta plataforma, em algum momento. Ou ao menos pensei em dizer.
Nessa pegada, consciente ou inconscientemente, retomo também uma coisa que sempre me acompanha desde que me entendo por gente: assistir a vida em meu entorno como se fosse um filme. Seja romance, tragédia, terror, drama ou até um documentário.
Com a grata surpresa de que tudo isso pode acontecer em mim e no dia, nessas horas que temos entre acordar e dormir.
Assim saí e voltei da pós em busca de algum encanto.
Impossível de encontrar nas estradas, voltei a meu lugar de sempre: meu bairro. Bangu. Local de tantos sonhos e de vasta realidade.
Resolvi comer umas frutas ao lado da chaminé da antiga fábrica, de costas para a parede que cobre os tijolos tombados (pois isso me deixa triste), ao lado de um pequeno parquinho para crianças e de frente para a clássica parede de tijolos — essa, devidamente tombada (o que me deixa feliz).
Em algumas vezes que me sento ali, me sinto na música Black, do Pearl Jam. “[…] i’m surrounded by some kids at play / i can feel their laughter, so why do i sear?”
De fato me encanta ver as crianças brincarem mas, por algum motivo, sempre procuro algo que me encante tanto quanto ou mais. Ou ao menos me faça rir como elas.
Abaixo dos tijolos tombados, em banco de praça, um casal (talvez? Muito provavelmente!) tomava, cada um, um sorvete.
O que tinha de tão engraçado? Ambos estavam com uma camisa polo laranja com logomarcas de empresas diferentes, onde certamente trabalham. Os dois trocavam risadas apaixonadas ou amistosas (não sei dizer, mas talvez seja as duas coisas!).
Minha primeira reação foi pensar “nossa, como isso daria uma boa foto”. Mas eu não fotografo! Tentei uma época, e não tive muito sucesso.
Conheço pessoas que fariam uma ótima foto daquele momento… e, com esse pensamento, muito gostos por sinal, terminei de ver o meu filme pessoal.
Mas, retomei a cena em casa! E, na minha memória, fiquei lamentando que não domino muito as artes. Não sou grande pintor, fotógrafo e, convenhamos? Essa coisa da escrita eu talvez esteja sendo bizarramente piegas e ninguém ainda me avisou.
Mas é o que tenho para mim mesmo. E por isso resolvi captar esse momento assim, em palavras.
Um casal de trabalhadores em uma fábrica que agora é um shopping. Tanta história, tanto presente, uma tamanha beleza ordinária.
Os fotografo com as palavras, teço suas cores com as frases que o descrevem.
E assim vou me encantando, reencantando, cada vez mais.
Há beleza em mim, e no mundo. Basta olhar.
메타데이터
- post_id
- c2e435a72f7f
- slug
- reencanto-c2e435a72f7f
- url
- https://medium.com/@gsfranco/reencanto-c2e435a72f7f
- canonical_url
- https://medium.com/@gsfranco/reencanto-c2e435a72f7f
- author_url
- https://medium.com/@gsfranco
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-07-24 01:36:57