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Preciso de uma matéria

Jornalismo é lidar com o imprevisível. É jogar cartas com o destino em busca de uma brecha, um fato que se desprenda do ordinário e tenha…

Davi Paludetto · 2024-02-26 16:39 · 0 claps · 1.9 min read
#jornalismo #noticias #feijoada #restaurante #historias-reais
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Wiki topics: 🍳 · Food & Cooking

Preciso de uma matéria

Jornalismo é lidar com o imprevisível. É jogar cartas com o destino em busca de uma brecha, um fato que se desprenda do ordinário e tenha valor de ser registrado. Em cada manhã, as cartas são novamente distribuídas e ficamos aquém de uma história que se descole da rotina para se tornar notícia. Corremos atrás do vento em busca do novo, em uma dança ditada pelos ponteiros do relógio. Os segundos são valiosos e um momento de hesitação é o suficiente para a história escapar pelo vão dos dedos e ser registrada apenas na emissora concorrente.

A imprevisibilidade faz parte do carteado. O baralho é a arte de abraçar o destino e enfrentar os desafios com as armas que estão à sua disposição. Tudo é matéria, o motociclista que cai é matéria, o ovo de páscoa no mercado é matéria, o seo José, que foi voluntário na guerra do Paraguai aos 17 anos também é matéria, dependendo do dia até um peido vira assunto. Jornalismo é informação e se tem informação é notícia.

De todas as pautas supracitadas, o peido pode ter sido a que mais chamou a sua atenção, aliás “como uma coisa tão pífia e insignificante como um peido vai parar no jornal”. Tudo depende da informação, da narrativa, do contexto e da necessidade. Jornalista é quem transforma as histórias mais banais em conteúdo, é a arte de observar o mundo e convidar o outro para conhecer uma nova perspectiva do cotidiano.

“Todo mundo peida, o que isso tem de mais”. A questão aqui não é a flatulência, mas quando ela foi liberada.

Onde você almoçou hoje?

Restaurante popular.

O que tinha de bom?

Feijoada.

Com farofa de acompanhamento?

Sempre, coloco ela por cima e faço aquele mexidão.

Restaurante tava muito cheio?

Muito, quando tem feijoada lota demais, o jeito é chegar bem antes.

E depois no trabalho a feijuca dá aquela pesada?

É meu prato favorito. Não é sempre que tem, quando aparece no cardápio tem que aproveitar, mas depois dá uma moleza sim. Às vezes até escapa um daqueles no meio do trabalho, mas a gente tenta dar uma disfarçada.

Foi o que disse Vinicius, trabalhador do comércio no centro de Maringá. Ele sempre vai no restaurante popular, mas em dias que a brasileiríssima feijoada aparece no cardápio é preciso correr para garantir o almoço. O restaurante da Vila Olímpica chega perto de esgotar as 1.250 refeições distribuídas diariamente. E com relação às flatulências, que acabam escapando depois de comer aquela feijuqiinha, pode ficar tranquilo, são apenas os oligossacarídeos do feijão sendo digeridos pelas bactérias do seu estômago, é o que diz essa médica gastroenterologista.

’15 minutos depois’

“chefe, temos uma matéria para o jornal de hoje!”


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