As denúncias de abuso sexual contra Neil Gaiman (resumão do podcast)
AVISO DE GATILHO: ABUSO, ESTUPRO, VIOLÊNCIA.
As denúncias de abuso sexual contra Neil Gaiman
Ouvi o podcast com as denúncias sobre o Neil Gaiman. Resumirei aqui alguns pontos principais abordados. O podcast tem 4 episódios e está disponível AQUI. Tudo foi retirado do podcast e não emiti nenhuma opinião sobre isso.
AVISO DE GATILHO: ABUSO, ESTUPRO, VIOLÊNCIA.

EPISÓDIO 1 — Scarlett, babá do casal Gaiman e Amanda, conta sua história.
A primeira vítima, Scarlett, é uma jovem mulher lésbica e era babá de seu filho com a Amanda Palmer. Logo no primeiro dia de trabalho, ela ficou sozinha com ele e o abuso ocorreu 5 horas depois dela começar a trabalhar.
Gaiman disse que ela podia tomar um banho na banheira da casa, para relaxar e ficar à vontade. Ela não achou isso estranho e aceitou. Ele chegou pelado e entrou na banheira sem avisar. Ela ficou em choque, sem reação.
Ele começou a tocá-la nas partes íntimas e pediu que ela o masturbasse. Ela não quis e ele se masturbou até o fim sobre ela. Depois, disse ainda que ela deveria se referir a ele como “Meu Mestre”.
No dia seguinte ela ainda está chocada, procurando entender se sofreu um abuso. Ao retornar o contato com Gaiman, ela ainda agradece pela noite.
Em outra ocasião, Neil Gaiman faz sexo anal nela sem consentimento, usando manteiga como lubrificante. E aí começam os “jogos” de humilhação e s&m. Outro abuso acontece em um quarto de hotel. Ele a estupra novamente e a chama de “fuck pig” e diz, mais uma vez, que é o seu mestre.
Com o passar do tempo, ela tem hematomas pelo corpo. O sexo é violento e doloroso. Em determinada ocasião ela desmaia. Acorda ensanguentada e pede ele para parar. Ele ri e diz que ela precisa ser punida e bate nela com um cinto. Ela precisa ser internada. Pensa em se matar.
Por que ela continua com isso? Porque ele a fazia se sentir parte da família, querida e inserida em sua vida de celebridade. Disse que ia ajudá-la e levá-la para Londres. Ela não conseguia ver isso como um abuso. Mas também não era uma relação sadomasoquista clara e consentida. Gaiman tinha 61 anos na época.
O podcast tentou vários contatos com a Amanda Palmer, mas ela não retornou. Scarlett conta a Amanda Palmer. Conta tudo. Ela idolatra Amanda. Amanda diz que 14 mulheres já foram até ela com alegações semelhantes. Amanda pede para que Gaiman converse com Scarlett, diz para ele se desculpar e se afastar. Ele faz isso.
Um mês e meio depois, Neil Gaiman volta para Londres e Scarlett é deixada sem emprego e sem nem receber corretamente pelo período trabalhado. Amanda agradece uma amiga de Scarlett por cuidar dela depois que Neil Gaiman foi embora, e diz que foi um mês difícil para todo mundo. A amiga fica com raiva, porque Amanda sabia de tudo e minimizou o ocorrido.
EPISÓDIO 2 — As conversas Com Gaiman e o acordo de confidencialidade
Durante este episódio do podcast, entre leituras de conversas no WhatsApp e áudios, Scarlett relembra alguns dos abusos à entrevistadora. São versões detalhadas e gráficas dos abusos descritos acima. Envolvem punição, humilhação, vômito, sexo anal e sangue.
Scarlett continua a conversar com Neil Gaiman. Diz que sente falta dele e o chama de Mestre, diz que sente falta de ser punida, mesmo à distância. As respostas de Neil Gaiman a ela são sempre cheias de afeição e cuidado e não transparecem absolutamente nada que possa indicar seu comportamento abusivo.
Um especialista é consultado pelo podcast. Ele diz que muitas vítimas de abuso tentam colocar algum sentido no que sofreram e, portanto, mantém contato, pensam que é consensual e têm até afeto pelo abusador. Isso faz parte da manipulação sofrida.
O especialista também diz que preferência por sexo degradante com mulheres não é algo raro em homens poderosos. O ponto é: o consentimento foi dado livremente e objetivamente? É difícil dizer não a um homem assim.
Neil Gaiman envia uma mensagem a Scarlett: “Honestamente, se você disser à pessoas que eu te estuprei, se vai usar o “me too” comigo, eu pretendo me matar”. Scarlett diz que não vai fazer isso, pede desculpas a ele. Ela diz que nunca usou a palavra “estupro” e que sempre foi consentido. Ela se sente mal pelo fato de Gaiman dizer que pensa até em se matar por causa dela. Neil responde que está desestabilizado e que passou uma semana tentando não se matar.
Ela continua se desculpando, dizendo que nunca vai fazer um “me too” com ele e que tudo foi consensual, “mesmo que tenha começado de maneira questionável”. Diz que está chocada que ele possa pensar algo assim. Gaiman chega a ajeitar um terapeuta para que ela possa lidar com isso.
Os representantes de Neil Gaiman dizem que só por essas mensagens de Scarlett o podcast deveria parar com as denúncias. Amanda Palmer, após prestar mais algum suporte, deixa de morar no local e isso piora a saúde mental de Scarlett, que se sente desamparada é internada com pensamentos suicidas.
Piora: Neil Gaiman diz que a condição mental dela pode criar memórias falsas e que suas acusações devem ser recebidas com “cautela”. Ao mesmo tempo, ele tenta prestar suporte emocional a ela e continuam a ter contato.
No podcast há áudios de Neil Gaiman. Sempre prestativo, atencioso e solidário. Ele diz que ainda pensa em suicídio e Scarlett sente que, de certo modo, ela também presta suporte emocional a ele, causando assim uma relação de aparente codependência.
Scarlett procura uma antiga empregada do casal Gaiman/Palmer, para saber se algo semelhante aconteceu com ela. A mulher parece preocupada, mas não responde a questão. A comunicação entre Scarlett e Gaiman continua. Ela se sente grata pela conexão com ele.
Neil Gaiman oferece pagar 6 meses de aluguel para ela e espera que neste tempo ela se recupere. Em troca, um representante dele exige que ela assine um termo de confidencialidade, que a impede de expor qualquer detalhe sobre a vida, os hábitos ou qualquer coisa particular que seja sobre Neil Gaiman. A data ao fim do documento, no entanto, é de UM DIA antes dela encontrar Neil pela primeira vez. Um dia antes dos abusos começarem.
Scarlett, só então, decide denunciar à polícia. Mas nem sabe ao certo como fazer isso. Ela troca e-mails com a polícia e continua o contato com Gaiman. Ela pede para que ele ajude com mais um mês de aluguel. Ele diz que quer voltar à Nova Zelândia e está ansioso por isso.
Ela finalmente faz a denúncia formal à polícia. Gaiman tenta contato com ela, mas ela nunca mais o responde. Ela se sente mal por ter aceitado dinheiro dele. Quase um ano depois e não houve nenhum progresso sobre o caso. Ela se preocupa por ter violado o acordo de confidencialidade. Até o momento, tudo corre em segredo e não há nenhum tipo de exposição do ocorrido.
Scarlett obtém apoio e conversa com uma vítima de Harvey Weinstein, que a obrigou assinar um acordo de confidencialidade após estuprá-la. Ela entende que acordos de confidencialidade não podem impedir denúncias criminais. Após isso ela não se sente intimidada mais.
Episódio 3 — As investigações e o desenrolar dos fatos
A polícia diz que a denúncia não se sustenta sem provas e sequer procuram Neil Gaiman. Mesmo assim, ele contrata um advogado local para representá-lo. O resumo é este: não há evidências pra sustentar o caso. O fato dele não estar no país dificulta tudo ainda mais.
Scarlett se sente desamparada. É então que ela recorre aos jornalistas. Uma amiga íntima de Neil Gaiman diz que se assustaria se ele fizesse algo assim, que acredita na inocência dele. E diz também que o fato dele ser autista pode motivar comportamentos “inocentes”, que pode ser considerados fora da norma.
O podcast então faz uma biografia de Gaiman, desde antes dele nascer, numa tentativa de contextualizar e entender seu comportamento. A ligação de sua família com a cientologia é exposta, incluindo seu primeiro casamento com Mary Mcgrath, com quem teve 3 filhos. Com o passar do tempo ele se separou dela e se afastou da cientologia.
A biografia vai até os dias atuais e fala sobre o casamento dele com Amanda Palmer, com quem ele tem um relacionamento aberto. Abordam também o fato de Gaiman sempre sair em defesa de mulheres abusadas nas redes sociais.
Ele chegou a ajudar a arrecadar dinheiro para ONGS de ajuda a mulheres em situação vulnerável e vítimas de abusos. Chegou ainda, a postar no twitter palavras em solidariedade a mulheres que são abusadas e nunca chegam a denunciar.
EPISÓDIO 4 — K., a outra vítima
K. (ela prefere ser chamada assim) teve um relacionamento de 2 anos com Neil Gaiman, há muitos anos. Ela manteve contato com ele por anos. Tem inúmeras fotos com ele. Disse que nunca sentiu repulsa ou entrou em algum ato sexual não consensual com ele. Mas ao longo do podcast ela dá a entender o contrário.
Na época, ela tinha 18 anos de idade quando conheceu Neil Gaiman. Ele tinha 43. Estava ansiosa para conhecê-lo e isso aconteceu durante uma noite de autógrafos em uma livraria. Isso foi nos EUA.
Depois de alguns encontros, ela com as amigas passaram um tempo com Gaiman. Até aí, tudo normal. Seis meses depois Gaiman as convidou novamente para uma festa de aniversário.
Durante a festa, Neil Gaiman chama as duas para irem para a cama com ele (na época ele era casado). Elas recusaram. Gaiman continuou em contato com K. Ele a chama para outros eventos. Ela, então, tinha a mesma idade de sua filha. O relacionamento entre eles começa e era, até então, saudável.
Aí tudo começa a ficar estranho: Ele não deixava ela usar lubrificante. Ela sentia dor e ele parecia gostar disso. Ele também usava o cinto com ela e exigia ser chamado de mestre. Gostava de espancá-la também. Ela se sentia pressionada a aceitar isso, e ele dizia que ela gostava, afinal. Era o preço a se pagar para se relacionar com ele.
Ele a levou para o Reino Unido. As brigas eram constantes. Em um episódio, ela teve uma infecção urinária e estava com muita dor, mas ainda assim ele insistia em sexo com penetração, apesar dela pedir repetidas vezes para que ele não fizesse isso.
Após uma discussão, já de volta aos EUA, ele a deixa e volta para a esposa. Ela começa a se medicar, para controlar o temperamento, por indicação dele. O contato entre eles continua.
Neste tempo, Neil arruma uma outra “namorada”, também muito nova. K está ok com isso. Essa outra namorada foi contatada, mas não tem nada contra Gaiman.
O podcast tenta contato com Neil Gaiman. Seu PR pede que enviem perguntas antecipadamente e, quando fazem isso, ele diz que as perguntas possuem sérias alegações e que não serão respondidas. O podcast tentou ouvir uma versão oficial de Gaiman por várias vezes.
Por fim, o podcast explica de maneira didática a diferença entre S&M (uma relação sadomasoquista deve ter um acordo, com termos claros e combinados entre as partes — ou seja, o consenso deve ser mútuo) e abuso. De qualquer modo há, claramente, uma relação de dominância e poder entre Neil Gaiman e estas mulheres, onde ele se vê como o Mestre delas.
메타데이터
- post_id
- c461a375efb0
- slug
- as-denúncias-de-abuso-sexual-contra-neil-gaiman-resumão-do-podcast-c461a375efb0
- url
- https://medium.com/@lucil/as-den%C3%BAncias-de-abuso-sexual-contra-neil-gaiman-resum%C3%A3o-do-podcast-c461a375efb0
- canonical_url
- https://medium.com/@lucil/as-den%C3%BAncias-de-abuso-sexual-contra-neil-gaiman-resum%C3%A3o-do-podcast-c461a375efb0
- author_url
- https://medium.com/@lucil
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-07-07 22:42:26