← Back to list

Da WAN ao SASE: A Transformação Inevitável da Rede

Com o perímetro a desaparecer, a resposta está na união entre rede e segurança para simplificar, proteger e escalar tecnologia.

Evandro Oliveira in Caixa Central · 2026-03-05 14:56 · 1 claps · 5.1 min read
#sase #wan #arquitetura #redes #segurança
Open on Medium ↗

Da WAN ao SASE: A Transformação Inevitável da Rede

Capa gerada por Inteligência Artificial com base no conteúdo do artigo.

Capa gerada por Inteligência Artificial com base no conteúdo do artigo.

A Convergência Não é Opcional

Durante muito tempo, falar de rede e falar de segurança era falar de dois mundos distintos. A equipa de networking era responsável pela performance, latência e disponibilidade e a equipa de segurança focava-se no controlo, nas políticas e na mitigação de riscos.

Hoje, com o negócio cada vez mais distribuído e digital, pensar nestes dois pilares de forma isolada já não é uma opção.

A convergência entre networking e segurança deixou de ser uma tendência para se tornar a única forma de garantir performance, proteção e simplicidade operacional num cenário onde o perímetro deixou de existir.

O Perímetro Já Não Mora no Data Center

Durante décadas, o modelo era simples, proteger tudo o que estava dentro da rede corporativa.

O cloud computing tem “apenas” cerca de 20 anos, com uma aceleração significativa da sua adoção entre 2010 e 2020. Em conjunto com a proliferação das aplicações SaaS, tornou-se o novo normal e trouxe para a ribalta conceitos como IaaS, PaaS, XaaS, pay-as-you-go, pay-per-use, cloud-first, agile, FinOps, entre outros.

SaaS/ IaaS / PaaS / XaaS Modelos de serviço cloud que fornecem, respetivamente, serviços pronto a consumir, infraestrutura, plataformas ou qualquer recurso de IT como serviço.

Com a pandemia, assistiu-se a uma forte expansão do trabalho remoto. Hoje, os utilizadores trabalham a partir de qualquer lugar…casa, escritório, aeroporto ou café, enquanto dados e serviços estão distribuídos por múltiplas clouds públicas e privadas.

Imagem representativa.

Imagem representativa.

O tráfego já não passa por um ponto central e a ideia de que “tudo o que está dentro é seguro” deixou de fazer sentido. O perímetro já não mora no data center.

Soluções de Ontem para Problemas de Hoje

Muitos ambientes continuam a confiar em firewalls de próxima geração, NGFW (Next Generation Firewall), VPN (Virtual Private Network) e appliances físicos. São tecnologias sólidas, mas apresentam limitações claras quando o contexto muda:

  • Escalar acessos remotos implica mais custos e crescente complexidade.
  • A inspeção de tráfego consome performance.
  • Falta controlo consistente em ambientes híbridos.
  • Não existe visibilidade total end-to-end.

O resultado é um ambiente fragmentado, difícil de gerir e com lacunas de segurança. Nesse sentido, aarquitetura tradicional já não acompanha a velocidade do negócio.

Quando o Inimigo Já Está Dentro

Os vetores de ataque atuais exploram falhas que passam ao lado das defesas tradicionais baseadas na rede. Os ataques mais sofisticados exploram, sobretudo, serviços ou protocolos vulneráveis.

Um único ponto comprometido, um endpoint, um dispositivo IoT (Internet of Things), um servidor mal configurado, um utilizador comprometido ou mal intencionado, pode servir de ponto de partida para movimento lateral dentro da infraestrutura.

Endpoint Qualquer dispositivo que se liga à rede, como laptops, desktops ou dispositivos móveis.

IoT — Internet of Things Dispositivos físicos ligados à rede — como sensores, câmaras, equipamentos industriais ou sistemas inteligentes.

Movimento Lateral Técnica usada por atacantes para se deslocarem dentro da rede após um comprometimento inicial.

Exemplos comuns incluem:

  • Exploração de vulnerabilidades em protocolos, permitindo o controlo remoto de sistemas.
  • Ataques baseados em identidade, recorrendo a credenciais válidas.
  • Comprometimento de aplicações SaaS através de integrações pouco seguras ou tokens expostos.
  • Ataques à supply chain, onde o ponto de entrada é um fornecedor ou serviço externo.

Supply Chain Cadeia de fornecimento, parceiros e serviços externos que suportam os sistemas e processos de uma organização, podendo introduzir riscos de segurança ou vulnerabilidades.

Nestes cenários, o tráfego aparenta ser legítimo e inicia já dentro da organização, algo que uma NGFW tradicional dificilmente deteta. Desse modo, a proteção baseada apenas na rede já não é suficiente.

Imagem representativa.

Imagem representativa.

É necessário compreender o contexto, analisar comportamentos e validar continuamente cada acesso, independentemente da sua origem. É aqui que entra o conceito de Zero Trust.

Zero Trust Modelo de segurança que assume que nenhum utilizador, dispositivo ou sistema é confiável por defeito, mesmo dentro da rede.

Sem visibilidade, não há disponibilidade ou segurança

Num ambiente distribuído, não se pode proteger aquilo que não se consegue ver. Nesse sentido, ter visibilidade total sobre quem acede, a partir de onde, a que aplicações e com que comportamento, é essencial.

Isto exige um controlo centralizado, suportado por uma camada de gestão unificada que recolhe e analisa dados de identidade, dispositivos, aplicações e tráfego em tempo real, permitindo aplicar políticas consistentes e identificar anomalias rapidamente.

A extensão da rede privada cria a necessidade de uma proteção mais abrangente e eficaz, suportada por novos motores de análise e deteção, baseados em algoritmos de análise de padrões e inteligência artificial, de forma centralizada e com controlo end-to-end.

A convergência entre rede, segurança, visibilidade, controlo, flexibilidade e escalabilidade materializa-se no SASE (Secure Access Service Edge), que não só aumenta o nível de segurança, como melhora a experiência do utilizador e reduz significativamente o tempo de resposta a falhas ou incidentes.

Onde a Rede e a Segurança Finalmente se Encontram

É neste contexto que surge o SASE, um modelo que integra rede e segurança num único serviço, distribuido e convergente , baseado em soluções na cloud e que combinam capacidades locais.

O SASE combina funções de conectividade, como SD-WAN (Software Defined Wide Area Network), seja físico ou virtual, com capacidades de segurança como NGFW (Next Generation Firewall), SWG (Secure Web Gateway), DLP (Data Loss Prevention), CASB (Cloud Access Security Broker) e ZTNA (Zero Trust Network Access), numa arquitetura cloud-native. O objetivo é fornecer acesso seguro e otimizado, independentemente da localização do(s) utilizador(es) ou da aplicação.

SD-WAN Tecnologia de rede definida por software que otimiza o encaminhamento de tráfego entre locais e aplicações.

Tudo isto é entregue a partir da cloud, idealmente sem a necessidade de manter e operar appliances físicos, reduzindo a complexidade tradicional e aplicando políticas consistentes em qualquer ponto da rede.

Imagem representativa.

Imagem representativa.

Os principais benefícios incluem:

  • Maior performance, com tráfego direto ao destino, sem backhaul.
  • Menor complexidade operacional, graças à gestão centralizada e maior automação.
  • Mais segurança, suportada por Zero Trust, visibilidade unificada e políticas consistentes.
  • Maior escalabilidade, menor dependência de hardware físico.

Backhaul Modelo de encaminhamento de tráfego em que os dados são forçados a passar por um ponto central (normalmente pelo data center / hub de segurança) antes de seguirem para o seu destino final.

Lado a Lado, no Mesmo Caminho

A realidade é simples, o perímetro dissolveu-se, mas a necessidade de segurança nunca foi tão elevada.

As organizações que continuam a tratar rede e segurança como domínios separados ficam presas a arquiteturas complexas, rígidas e ineficientes. Já aquelas que apostam na convergência ganham agilidade, visibilidade, consistência e controlo.

No próximo artigo, descobre de que forma a MC percorreu o seu caminho de convergência e como está a evoluir a atual arquitetura WAN com a integração de solução SASE.

WAN — Wide Area Network Rede de longa distância que interliga diferentes localizações geográficas de uma organização (como escritórios, data centers e cloud), permitindo a comunicação e o acesso a aplicações e serviços distribuídos.


메타데이터
post_id
c4a50869862e
slug
sase-é-a-resposta-à-nova-realidade-sem-perímetro-c4a50869862e
url
https://caixacentral.mcdigital.tech/sase-%C3%A9-a-resposta-%C3%A0-nova-realidade-sem-per%C3%ADmetro-c4a50869862e
canonical_url
https://caixacentral.mcdigital.tech/sase-%C3%A9-a-resposta-%C3%A0-nova-realidade-sem-per%C3%ADmetro-c4a50869862e
author_url
https://medium.com/@emiguel_oliveira
status
ok
fetched_at
2026-06-14 11:28:49