Lei de causa e efeito.
Saibamos que em 1.949 o cientista canadense Alfred J. Gross inventou aquilo que viríamos a chamar no Brasil de “bip” (Pager). Em 1.956 a…
Lei de causa e efeito.
Saibamos que em 1.949 o cientista canadense Alfred J. Gross inventou aquilo que viríamos a chamar no Brasil de “bip” (Pager). Em 1.956 a Motorola começou a comercializar.
Esse produto foi febre no Brasil e muito útil no mundo, principalmente nas décadas de 1.980 e 90 sendo amplamente utilizado. Para quem não é dessa época, o “bip” era um aparelho quadrado, pequeno e com um visor. Preso geralmente no cinto da calça, onde você recebia a mensagem da central. Esta central por sua vez, recebia a ligação que era originada por alguém (empresa, família, etc.). Este pequeno aparelho ganhou tanto status que seu código (no caso o número do usuário), passou a figurar nos cartões de visita e assinaturas de documentos.
Vamos lá, de que isso importa agora?
Fui usuário de uma dessas monstruosidades, digo monstruosidade porque na época eu fazia trabalho externo e viagens. Em trânsito, às vezes no meio do nada, recebia a seguinte mensagem: Ligar para a empresa urgente. Eu às vezes demorava mais de uma hora para achar um orelhão (para quem não sabe era o telefone público), e tinha que rezar para estar funcionando, só assim eu conseguia retornar para a empresa com uma ligação a cobrar. Quando essa demora ocorria (quase sempre), comentários se faziam: porque demorou tanto para retornar? Essa cobrança era mais direta quando a ligação vinha da família: Com quem você estava? Por que demorou tanto para retornar? Com certeza essas situações geravam estresse pós-traumático.
Casos à parte, o que importa mesmo é o desfecho dessa relação com esse aparelhinho, pois os celulares estavam chegando e num último momento…
Eu estava em um restaurante, voltando de uma cidade no interior de São Paulo, quando o dito cujo vibrou: ligar para a empresa urgente. O tempo estava fechado e se formando um temporal. Tive a sorte de haver um orelhão no estabelecimento que estava funcionando. Imediatamente retornei para a empresa com rara rapidez que a oportunidade me permitiu. Quando eu estava falando com o gerente interno, tudo se apagou por alguns instantes, creio, nada vi ou ouvi, só me recordo quando retomei a consciência: Eu estava deitado no chão pelo menos a dois metros de distância do fone, que balançava freneticamente de um lado para outro. Eu já estava sendo atendido por um policial militar, de um batalhão próximo. Ele estava pegando sua janta e ao seu lado várias pessoas que estavam jantando. Funcionários e o dono do restaurante também se aglomeravam olhando estarrecidos em minha direção. Ele me disse então que eu havia recebido uma descarga elétrica vinda de um raio que caiu na linha telefônica me arremessando longe. Fiquei com o lado esquerdo dormente com a sensação de formigamento que se apresentava também no rosto e perna, me impossibilitando, num primeiro momento, de levantar. Lentamente comecei a retomar os movimentos, bem como a plenitude da minha consciência.
Agradeci o atendimento do policial que insistia em me levar ao pronto socorro “não é possível que o senhor esteja bem”, falava com insistência, mas aceitou minha negativa.
Concluo que, de certa forma, meu destino se encontrou com a criação de Alfred J. Gross e sua invenção que veio a público antes mesmo do meu nascimento e quase me levou à sepultura.
메타데이터
- post_id
- c6d71b48660b
- slug
- lei-de-causa-e-efeito-c6d71b48660b
- url
- https://medium.com/@robertorabadji866/lei-de-causa-e-efeito-c6d71b48660b
- canonical_url
- https://medium.com/@robertorabadji866/lei-de-causa-e-efeito-c6d71b48660b
- author_url
- https://medium.com/@robertorabadji866
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-07-22 22:28:18