Como a inteligência artificial está transformando o jornalismo
O ofício de informar o público já foi afetado pela tecnologia mais comentada da atualidade

Como a inteligência artificial está transformando o jornalismo
O ofício de informar o público já foi afetado pela tecnologia mais comentada da atualidade
Luiza Lisboa e Ana Luísa Amaral
Com o avanço da inteligência artificial, foi se fortalecendo o debate sobre o futuro do mercado de trabalho, com destaque para o jornalismo, que está no centro dessa discussão. Ferramentas e programas capazes de escrever textos, sugerir pautas e até construir artigos vêm sendo utilizados em algumas salas de redação, executando tarefas que antes eram exclusivamente humanas.
Se antes o imaginário relacionado ao jornalismo remetia a redações movimentadas, com repórteres apurando e escrevendo notícias em tempo real, hoje esse cenário passa por uma transformação digital. Mas essa mudança tecnológica traz alguns questionamentos: como a inteligência artificial pode moldar o jornalismo? E existe limite entre suporte tecnológico e substituição profissional?
Foto: Egor Vikhrev/ Unsplash
Para a diretora executiva do Núcleo Jornalismo, Jade Drummond, a IA é uma ferramenta que acelera processos e amplia possibilidades, mas não substitui o trabalho de um jornalista.
“A gente entende que o jornalista tem um valor muito grande durante o processo de escrita — o texto ganha personalidade por ser escrito pela Luiza, por ser escrito pela Jennifer, pela Sofia. As escolhas das palavras são intencionais. Então entendemos que é um papel do repórter produzir essa escrita.’’
Segundo Jade, a IA já é muito utilizada para substituit processos maçantes, mas isso não exclui o senso crítico e a empatia.
“O que a gente faz, às vezes, é revisão ortográfica. Eu pego o texto e jogo para pegar em algum site. Às vezes, ajuda a cortar algo, mas nunca para escrever completamente o texto, porque realmente entendemos que perde a alma e qualidade também.’’
Um episódio recente trouxe à tona esse debate. A empresária Natália Beauty, colunista do jornal Folha de S.Paulo, afirmou utilizar inteligência artificial para estruturar seus textos, mas disse que as ideias e o senso crítico ainda são seus. O caso provocou reações e fez muita gente nas redes sociais discutir a credibilidade e o papel da colunista.
Para o jornalista Victor Hugo Mendes, a IA é um meio de pesquisa para a criação de conteúdos, um filtro de consulta no processo de apuração para a construção de reportagens.
“Vamos supor que a gente precise apurar algo que tem relação à guerra. Imagine só eu começar a procurar aqui pelo jornal, quantas notícias estariam no meio disso tudo tudo. Com a IA, eu consigo fazer um prompt que fale somente deste assunto. Mas nunca usar para escrever.’’
Alguns leitores têm expressado nas redes sociais uma preferência por conteúdos gerados por IA. Essa pessoas dizem preferir essa forma por entender que seria um texto neutro, sem posicionamentos políticos e sociais.
Segundo Victor Hugo, o atual cenário polarizado abre precedentes para inúmeras discussões, de futebol a política e religião. E é até compreensível que alguém fale: “Eu não quero ouvir o lado A e tão pouco o lado B, eu quero escutar alguém neutro”. “Mas isso não existe, muito menos no jornalismo’’, diz ele.
Além do uso da IA nas redações, outro movimento recente vem chamando a atenção: as parcerias entre empresas de tecnologia e veículos jornalísticos para disponibilizar seus conteúdos para o treinamento desses sistemas.
Esse foi o caso da Folha de S.Paulo com o Google, liberando parte de seu acervo de notícias e um feed de textos em tempo real para aperfeiçoar o Gemini e o News Pilot, ferramentas de IA da big tech.
A Folha e o UOL também fecharam parceria com a OpenIA. O acordo integra o jornalismo dos veículos ao ChatGPT, permitindo que a IA exiba resumos baseados em reportagens com links para as fontes originais e também encerra a disputa judicial que o jornal movia contra a criadora do ChatGPT.
*Reportagem produzida na disciplina Laboratório de Produção Jornalística, oferecida pelo Programa de Desenvolvimento de Competências Profissionais (PDCP) da FAAP. Luiza Lisboa é aluna de Produção Audiovisual da FAAP; Ana Luísa Amaral é aluna de Relações Internacionais da FAAP.
메타데이터
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