Caveira
O crânio sensual fita-me sóbrio. Meus dedos escafandram seu passado, nos lados e no centro há um opróbio profundo, e sua morte de afago.
Caveira

Uninvited Guest (1844), by Adolph Menzel
O crânio sensual fita-me sóbrio. Meus dedos escafandram seu passado, nos lados e no centro há um opróbio profundo, e sua morte de afago.
Amargas minhas unhas enrijecem. Mas antes, a memória dele sinto corroer-me das chagas aos cabelos,
tal como a moléstia dos que esquecem o mal que bem fizeram com afinco, e lembram só de si com puro zelo.
O mármore de cônscia irascível transporta sua raiva no meu punho, espanca sem me ver, indivisível! Mas doem em mim os olhos seus, profundos!
De repente, uma abrupta sombra surge o lampião à meia-noite acende… da janela encaro um sujeito, adorna vestes negras, mas o rosto é pálido, a cabeça luminosa, o crânio nos meus dedos virou pó…
A raiva que senti torna-se medo, o homem com seus olhos de carcaças segura uma foice, e ela me cega.
Antes de me volver ressentimento meus olhos encararam a verdade: a morte será sempre pressentimento se sentires injusto pela maldade.
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