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Angel Witch (1980): a história do álbum de estreia que virou clássico da NWOBHM

Como o Angel Witch gravou um dos discos mais influentes da New Wave of British Heavy Metal e viu o single-título fracassar nas paradas…

Diego Cataldo · 2026-07-21 23:08 · 7 claps · 3.8 min read
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Angel Witch (1980): a história do álbum de estreia que virou clássico da NWOBHM

Como o Angel Witch gravou um dos discos mais influentes da New Wave of British Heavy Metal e viu o single-título fracassar nas paradas britânicas

Em dezembro de 1980, a Bronze Records lançou o álbum de estreia do Angel Witch, batizado com o próprio nome da banda. Foi um gesto de simplicidade quase acidental, que escondia um dos discos mais paradoxais da New Wave of British Heavy Metal.

A faixa que abre o álbum e lhe empresta o título — a mais leve, a menos representativa de tudo que o grupo produziria dali em diante — acabaria sendo justamente aquela pela qual a banda seria lembrada, e da qual jamais conseguiria se livrar.

Kevin Heybourne fundou o grupo em Londres em 1976, sob o nome Lucifer, ainda tateando um estilo. A canção Angel Witch nasceu nesse período de tentativa e erro, quando ele era praticamente um adolescente e não fazia ideia de que aquilo se tornaria o nome de uma banda, muito menos um hino.

Ele mesmo descreveu o processo, anos depois, numa entrevista à revista Metal Hammer concedida a Dom Lawson, como “era só balbuciar no violão, tentando escrever uma canção”.

A inspiração veio de um lugar inesperado — não do doom sombrio que o próprio Heybourne dizia preferir acima de tudo, mas de uma versão do Pink Fairies para Walk Don’t Run, originalmente dos Shadows, da qual ele copiou o groove e a pausa entre os acordes.

Lucifer virou Angel Witch em 1978, já com Kevin “Skids” Riddles no baixo, teclados e vocais de apoio, e Dave Hogg na bateria. Enquanto a maior parte da cena adolescente londrina escrevia canções de amor, Heybourne dizia preferir o universo do horror e da fantasia — uma escolha que o aproximava do Black Sabbath e o afastava de Led Zeppelin e Deep Purple, bandas que ele apreciava, mas sem a mesma identificação.

Esse gosto ficaria evidente nas faixas mais duras e menos comerciais do disco de estreia, como Atlantis, White Witch, Confused, Sorcerers, Gorgon e Angel of Death — composições muito mais próximas do que Heybourne considerava sua verdadeira voz do que a própria Angel Witch.

O avanço decisivo veio em fevereiro de 1980, quando a banda contribuiu com a faixa Baphomet para a coletânea Metal For Muthas, lançada pela EMI ao lado de duas faixas iniciais do Iron Maiden. O disco se tornou item cultuado entre os fãs da NWOBHM, e o Angel Witch passou a ser visto como um dos grupos mais promissores da leva.

A própria EMI ofereceu um contrato à banda, mas Heybourne recusou — o receio, segundo ele próprio relatou, era o de viver sob a sombra do Iron Maiden, que já havia fechado um acordo maior com o selo.

O restante da banda queria assinar mesmo assim, mas a decisão final acabou pendendo para o não. Em vez disso, o grupo assinou com a Bronze Records, selo então comandado por Gary Bron, ex-empresário do Uriah Heep.

As gravações aconteceram no Roundhouse Studios, em Londres, no outono britânico de 1980, sob produção de Martin Smith. Foi ali que Angel Witch ganhou sua forma definitiva — Heybourne relembrou que a versão original tinha três estrofes e um solo interminável, algo que ele hoje trata com ironia, comparando ao hábito de simplesmente improvisar num show.

A faixa foi enxugada por insistência da gravadora e do produtor, que queriam a música como single de divulgação antes do lançamento do álbum. Heybourne, aliás, hesitava até em incluir a canção no disco, por considerá-la leve demais diante do restante do repertório.

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A capa reforçava o clima sombrio que permeava o resto do repertório: uma pintura outrora atribuída ao artista britânico John Martin, The Fallen Angels Entering Pandemonium, hoje parte do acervo da Tate. Anjos caídos entrando no caos — dificilmente uma escolha mais adequada para um disco que flertava com o oculto e o apocalíptico, mesmo com uma faixa-título que soava quase como boogie rock.

O paradoxo comercial completou o quadro. Apesar das boas críticas na época do lançamento, o desempenho nas paradas britânicas foi tão modesto que o single Angel Witch chegou a ser listado no Guinness Book of Hit Records como um dos atos menos bem-sucedidos das paradas de todos os tempos, tendo alcançado a última posição possível.

Décadas depois, o próprio Heybourne comentaria com humor a ironia de ter escrito, ainda adolescente, a canção que o perseguiria para sempre — obrigatória em todo show, tocada por vezes duas vezes na mesma noite, algo que ele descreve como carregar a música grudada às costas para sempre.

Nada disso impediu que o disco fosse reavaliado com o tempo. A distância entre a recepção comercial de 1980 e o lugar que o álbum ocupa hoje na história do heavy metal é considerável — o disco frequentemente aparece em listas e retrospectivas como um dos poucos clássicos genuínos da NWOBHM, ao lado de nomes como Iron Maiden, Diamond Head e Saxon, com uma pegada mais pesada e sombria do que a maioria dos concorrentes da época.

O tempo, nesse caso, corrigiu o que as paradas britânicas erraram feio.

Ouça o disco

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