Sejamos Aves de Rapina
Tudo está interligado, a um fio condutor em todas as áreas do conhecimento humano, hoje graças ao tecnicismo e a evolução das ciências…
Sejamos Aves de Rapina
Tudo está interligado, existe um fio condutor em todas as áreas do conhecimento humano, hoje graças ao tecnicismo e a evolução das ciências temos muita informação disponível em todas às áreas do conhecimento, o que torna o generalismo uma pratica cada vez mais difícil, a especialização em áreas do conhecimento cada mais especificas é comum nos dias atuais, não temos tempo, energia e nem capacidade intelectual suficiente para tentar acompanhar os novos avanços científicos em uma determinada área quanto mais em diversas áreas ao mesmo tempo, áreas essas que estão em constante evolução.
O problema é que a superespecialização acaba estreitando nossa visão de mundo, e nos deixa cegos pra soluções que poderiam tornar o mundo melhor. Vejamos por exemplo o grande avanço atual em técnicas de AI, pegamos por exemplos Redes Neurais, um entendimento que só foi possível a partir do estudo de outras ciências como Biologia e Neurologia, o que vemos na pratica são que soluções e avanços realmente relevantes raramente dependem de apenas uma disciplina, são na sua maioria soluções que permeiam diferentes contextos técnicas e áreas do conhecimento. Não existe UX sem psicologia, sem arte, sem entender como nos comportamos e do que gostamos, podemos também falar em biologia e em que cores não agridem nossos olhos, e também um pouco de informação sobre como nossos cérebros processam informação por exemplo. Ao olharmos friamente para a maioria das soluções que encontramos em todos os contextos, desde monumentos históricos, carros, aplicativos, telefones celulares e qualquer outra coisa que possamos imaginar sempre encontramos um fio que permeia diferentes disciplinas, diferentes ciências e áreas do conhecimento. Ciências puras, conhecimentos demasiadamente especializados só fazem sentido em sistemas fechados onde não existe interação com o mundo exterior, só em experimentos de laboratório e teorias de gabinete, na prática, no mundo real, em sistemas abertos que estão expostos a diferentes temperaturas e pressões atmosféricas temos outra realidade, muito mais complexa, sutil e cheia de nuances.
Devemos tomar cuidado com especializações e com visões de mundo muito restritas a pequenos contextos, devemos sempre lembrar que a realidade é sempre mais complexa e cheia de nuances do que imaginamos. O mercado de trabalho atual e as rápidas mudanças nas tecnologias nos empurram cada vez mais para especialização e para que saibamos cada vez mais sobre cada vez menos, nesse contexto a inovação e a criação de ideias novas e revolucionarias ficam prejudicadas, os indivíduos estão cada vez mais propensos a repetir ideias e aplicar técnicas do que a pensar por si mesmos e desenvolver soluções, a pós-modernidade se torna um campo, graças a nosso mercado de trabalho, e em parte nossas limitações cognitivas, cada vez mais infértil para a criação, onde o ecossistema ao nosso redor nos empurra para que com cada vez mais frequência apenas repitamos ideias de outros e apliquemos técnicas e soluções que foram pensadas por outras pessoas.Estamos nos tornando apenas servos do Deus “CRTL + C, CRTL + V”.
Devemos pela nossa humanidade ter uma visão mais ampla sobre o mundo e exercitar nossa capacidade de entendimento de forma mais abrangente, mesmo que isso custe um pouco do tempo e energia que poderíamos usar pra ser ainda mais especializados em algo, afinal não existem limites para o que podemos aprender em qualquer área, é virtualmente e humanamente impossível atingirmos o muro que demarca o fim do conhecimento humano em praticamente qualquer campo hoje em dia. Devemos possuir repertório para termos condições de criar algo que permeie a linha entre os contextos de diferentes áreas, só assim poderemos inovar, recriar nosso mundo de formas melhores, devemos ter condições de pensar soluções com uma visão mas abrangente do que pode estar em jogo, ter repertório é ter ferramentas para entender o mundo como ele realmente é. Parafraseando Nietzsche, “Ninguém quer ser pastor, a maioria de nós quer apenas ser ovelha”. Sejamos pastores; Criemos!; sejamos aves de rápida.
“Que as ovelhas tenham rancor às grandes aves de rapina não surpreende: mas não é motivo para censurar às aves de rapina o fato de pegarem as ovelhinhas. E se as ovelhas dizem entre si: ‘essas aves de rapina são más; e quem for o menos possível ave de rapina, e sim o seu oposto, ovelha — este não deve ser bom?’, não há o que objetar a esse modo de erigir um ideal, exceto talvez que as aves de rapina assistirão a isso com ar zombeteiro, e dirão para si mesmas: ‘nós nada temos contra essas boas ovelhas, pelo contrário, nós as amamos: nada ma delicioso do que uma tenra ovelhinha”
– Nietzsche, Genealogia da Moral
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