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O dilema do copo

O copo tá meio cheio ou tá meio vazio? Essa é uma questão que tá sempre presente, sendo feita, e inclusa muitas vezes no debate de…

Pietro Leonardi · 2018-05-24 17:41 · 6 claps · 1.9 min read
#copo #vazio #cheios #vida #analogia
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O dilema do copo

O copo tá meio cheio ou tá meio vazio? Essa é uma questão que tá sempre presente, sendo feita, e inclusa muitas vezes no debate de otimistas contra pessimistas. Mas, e se não for tão simples assim? Sempre odiei esse jeito dicotômico de se pensar, não acho que é bem assim. Para entender se ele tá meio isso ou meio aquilo, primeiro, o que é estar cheio? O que é estar vazio? Bom, eu acho que tenho aprendido um pouco sobre isso ao longo do tempo. Pensa comigo a partir do seguinte pressuposto:

O copo é a vida.

Como não posso falar da dos outros, vou usar da minha mesmo. Espero que faça sentido para você, caro leitor.

Acho que eu nasci com o copo cheio, cheio de desconhecimento, choro, sangue e outras entranhas que envolvem um parto. Não sei dizer direito pois não lembro de nada (ainda bem). Ao longo do tempo, esse copo pode ir se esvaziando, seja por aquele castigo que você se meteu ou porque não foi convidado pra festa do coleguinha, esse tipo de coisa. Mas, alguém aparece e enche teu copo. Teu primo que jogou bola com você, aquele vizinho que te deu umas cartas de Pokémon, aquele gol comemorado com seu pai.

Meu ponto é: o copo, ele enche, ele esvazia, ele fica meio que ali no meio, e volta a esvaziar e encher de novo. Ele muda a todo momento.

Aceleremos no tempo.

Meu copo andava meio vazio. Só me encontrava em situações desconfortáveis, aleatórias e sem o mínimo de conexão.

Vazio.

Não me entenda mal, ele estava meio cheio em alguns aspectos, com bons amigos, boas jogatinas online, bons filmes e boas conversas.

Porém, eu não conseguia, bastava olhar para aquele copo que logo vinha: tá meio vazio.

Aliás, jamais me considerei pessimista.

Ainda bem, porque o copo mudou. Surgiu uma daquelas pessoas, que chega de paraquedas já brindando teu copo com o dela, gritando ARRIBA, ABAJO e não sei mais o que (nunca fui pra Cancún), cruzando teu braço com o dela e fazendo com que os dois virem o copo.

– Mas, espera, então seu copo esvaziou? – indaga (você) o leitor.

Zero. Nada. Vazio.

Pois bem, muito pelo contrário, sobrou espaço. Agora, só nos restava preencher.

Preenchemos.

Preenchemos com piadas ruins a todo momento.

Preenchemos com (muita) vergonha alheia.

Preenchemos com shows de bandas que mal conheço.

Preenchemos com músicas ao som de ukulele.

Preenchemos com a falta do que fazer e com o excesso do que fazer.

Preenchemos com uma quantidade ridícula de mídias no celular.

Preenchemos com séries muito boas.

Preenchemos com conversas ininterruptas.

Preenchemos com histórias pra contar e pra ouvir.

Preenchemos com um pouco de medo.

Preenchemos com vontade.

Preenchemos tanto que, agora, meu copo quase transborda. Espero que o seu também.

Por fim, caro leitor, gostaria de propor um brinde. Um brinde a copos cada vez mais cheios.

Só cuidado pra não derramar.


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