PaiN X FURIA: Expondo garras e feridas.
Neste sábado (17/05/2025), nós tivemos na LTA Sul a primeira série entre paiN e FURIA do split, sendo consideravelmente a mais aguardada da…
PaiN X FURIA: Expondo garras e feridas.
Neste sábado (17/05/2025), nós tivemos na LTA Sul a primeira série entre paiN e FURIA do split, sendo consideravelmente a mais aguardada da liga no momento. Quando penso no título deste texto, também deixo claro o propósito dele: refletir sobre as forças e fraquezas de cada time, argumentando a respeito das principais razões pelas quais a paiN conseguiu sair vitoriosa nesse medir de forças. Isto não é uma review, mas um recorte do trabalho das equipes ao longo desses meses até chegar na situação em que estamos.
Aflorados pela rivalidade, tivemos comentários de ambas as equipes sobre seus rivais, um deles sendo o mais marcante de que a paiN é um time previsível, alegado por Guigo, top laner da FURIA. Este também é um dos tópicos que comentarei nos próximos parágrafos de forma sutil.
Drafts e a diferença de prioridades

Minha intenção ao falar dos Drafts não é analisá-los minuciosamente, pensando no valor de cada composição e qual seria superior ou não. Trata-se, principalmente, do conceito de prioridades, valorizando o conceito de força, termo do qual nos propusemos a tratar.
Neste sentido, a paiN opta por banir muitos atiradores ao longo da série, deixando claro seu foco em ter uma bot lane forte e inibir uma possível troca de matchups honesta entre as duas bot lanes.Há, sim, um Pick Blind na Gwen, entretanto, ele é defensivo para evitar a própria FURIA de pegá-lo (reconhecendo uma força adversária). A FURIA, por sua vez, traz Xin Zhao e Jayce, picks bem funcionais da equipe. A razão da escolha de jungle e top é a necessidade das panteras em ter um top side forte, na medida em que permite o Tatu de abusar do espaço criado pelos seus laners a fim de gerar vantagem e ouro. É uma das forças do time, entretanto, é um ponto de previsibilidade também.
Como analisar apenas um draft é relativamente superficial, vamos ver se o padrão se repete novamente no resto dos jogos?

Nos picks de 1–2–3, novamente a paiN escolhe primeiro a Bot lane, enquanto a FURIA um dos solo laners para habilitar seu jungler ao longo do jogo, assim como ser capaz de ter, no mid ou no top, a capacidade de gerar espaço ou vantagem cedo no jogo. Novamente temos muitos banimentos em atiradores e as panteras escolhem Ezreal como boa opção de absorver melhor a pressão em relação à escolha do jogo passado.

Agora no Jogo 3 temos uma mudança abrupta por parte da FURIA, escolhendo sua bot lane no 1–2–3, considerando a possibilidade de faltarem atiradores ou até mesmo da Poppy ser banida no 4–5. Ironicamente, foi o jogo no qual a FURIA mais teve dificuldade em execução.
Como os drafts traduziram os conceitos de força x fraqueza nos times?
Bem, eu voltei minhas análises principalmente para a ideia de que a paiN gostaria de usar sua bot lane para buscar vantagens, enquanto a FURIA pensa mais em seus side laners para isso. Entretanto, ao longo da série, pudemos ver certa dificuldade do Tatu fazer o mais convencional dele que é invadir ainda que estivesse com junglers tank. A principal razão para isso é a paiN tê-lo colocado em alguns momentos numa posição de resposta, preocupando-se com sua bot lane em especial no jogo 1 e 3. O jogo no qual ele se sentiu mais livre foi no 2, considerando o Ezreal como um campeão confortável para lidar com o engage do Rakan e também dando outrange na Xayah.
Refletindo mais especificamente sobre o Ayu, ele é um jogador que exerce boas pressões no bot mesmo com campeões de utilidade, então a paiN optou por banir Ashe a série inteira, sendo ela o melhor atirador dele na minha opinião, além de ser ótima para a FURIA num geral: gera visão, tem bom range para jogar solidamente o bot e com sua ult cria jogadas para o Tatu e o Tutsz jogarem. A paiN teve uma ótima leitura neste sentido, retirando e reconhecendo uma força do time adversário, anulando em partes a possibilidade do Tatu de deixar o bot mais solto e invadir o topside em waves boas para ele.
A respeito dos tradicionais no que tange o draft, não consigo acentuar alguma coisa clara que os afetou, a proposta deles também era evidente, porém se sustentam bem nela há pelo menos um ano e meio. É nítido que há uma adaptação, pois o time vinha escolhendo jogar pro topside de forma mais recorrente, apresentando um bom repertório por parte da equipe.
Por dentro do Game
É dentro de jogo que podemos analisar quando a paiN mais comete erros, embora sua leitura e preparação sejam boas. Nas disputas 1 e 2, os tradicionais tinham boas vantagens de ouro por volta dos 12~15 minutos, mas, não conseguiam mantê-las por seu estilo fixo de lutar em objetivos.
Veja, não é fato que isso seja um “problema” no time, só é extremamente previsível. E aí eu volto a falar, também não é um problema ser previsível. Todavia, em especial no jogo 2, essa necessidade se apresentou como um empecilho para a equipe, considerando a vantagem de ouro aberta aos 12 minutos numa kill que eles acharam no Ayu.

Neste momento, há 1,3k de gold lead para a paiN que para matar o Ezreal, gastou tanto o flash ult do Rakan quanto a ult da Xayah, enquanto a wave do mid e bot estão relativamente iguais. Logo, significa que se os times forem lutar, a paiN não tem cooldowns importantes nem pressão de mapa, apenas uma kill no atirador adversário. A luta termina em 2 abates para cada time, mas é o segundo dragão da FURIA nesse ponto de jogo.

No próximo dragão, repare novamente que o Ayu está morto, mas desta vez o cooldown gasto foi do Rumble e do Rakan. A FURIA usa o arauto no top, depois se agrupa para ir ao Dragão. O Tatu rouba o terceiro Drake e matam o Kuri, sem sua ultimate.

No atakhan, por sua vez, a FURIA prefere trocá-lo por ouro na t2 do mid enquanto a paiN não havia levado nem a t1 e a partir daí o mapa fica difícil para os tradicionais. A wave do mid já havia sido controlada pelo Ezreal, possibilitando a troca; todavia, a paiN de forma fixa já estava no objetivo, sem polir o mapa adequadamente.
A troca do atakhan foi relativamente inteligente por parte da FURIA, embora o seu suporte estivesse morto, a paiN não precisou usar cooldowns para puni-lo. Depois disso, a vantagem de ouro era constante para as panteras ainda que perdessem uma luta. No jogo 1 foi um caso diferente, eles resolveram lutar dentro da condição do oponente e o Kuri de Neeko puniu fortemente esta decisão.
Aqui, portanto, quero ressaltar os problemas da paiN enquanto fixa em sua mentalidade, deixando claro sua necessidade por objetivos ainda que atropelando alguns passos para isso. Todavia, é importante frisar a solidez deste estilo de jogo se feito respeitando o passo a passo apresentado por eles ao jogar de forma calma e adequada.
JOGO 3, desta vez a FURIA expõe suas feridas
Enfim, um jogo completamente dominante para a paiN. As razões são várias, mas torno a falar do draft a princípio: A escolha de Zeri contra Miss Fortune. Sim, isso foi bastante contestado, então é repetitivo argumentar sobre. O fato da lane ser completamente a favor do TitaN selou o jogo do Tatu, impossibilitado de jogar ao redor dos solo laners temendo um dive destruidor no bot. Pra piorar, em um dia de baixa performance do Ayu, ele morreu logo no começo do jogo.
A principal ferida da FURIA é sua necessidade de um jogo agressivo a partir dos solo laners, estilo que pode ser contrariado ou batendo cabeça no topside, o anulando; ou tentando destruir seu bot a partir do draft. A paiN, desta vez, escolheu de maneira adequada jogar no segundo caso.
Atacando, punindo e sendo agressiva a FURIA é um excelente time, mas sendo reativa eles pecam. Portanto, a derrota se fez iminente a partir do momento em que não se adaptaram a isso.

CONCLUSÃO:
Apesar dos enumerados parágrafos falando sobre a paiN, é importante notar que a FURIA foi engolida na preparação do draft e que se os tradicionais fossem menos afobados em alguns momentos, teriam vencido com mais tranquilidade. Ao meu ver, existe um gap de repertório nas duas equipes e, embora a paiN seja “previsível”, são sólidos. A FURIA, por sua vez, é dominante quando o outro time joga de forma reativa desde o draft, a exemplo, a MD1 contra o time que os derrotou desta vez.
메타데이터
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