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Um Pedacinho de Dinamarca na Cozinha: A arte de reunir amigos

Na semana passada, a Stella minha amiga e parceira de apartamento me apresentou um livro com uma promessa audaciosa: o Hygge. Ela jurou que…

Andriel da Silva · 2026-04-03 22:44 · 10 claps · 3.9 min read
#amigos #hygge #vida #felicidade
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Um Pedacinho de Dinamarca na Cozinha: A arte de reunir amigos

Na semana passada, a Stella minha amiga e parceira de apartamento me apresentou um livro com uma promessa audaciosa: o Hygge. Ela jurou que eu ia amar a leitura, e não é para menos; o livro tenta mostrar por que os dinamarqueses são o povo mais feliz do mundo.

E o mais engraçado é perceber que, mesmo sendo jovens e com uma rotina de trabalho e estudos cansativa, a gente consegue ser muito feliz no nosso dia a dia. Sempre que sobra um tempo, estamos juntos vendo série, filmes, indo à praia ou inventando uma noite de jogos, no fim nós gostamos de estar reunidos.

A turma toda reunida no meu aniversário (15/03 pois era domingo)

A turma toda reunida no meu aniversário (15/03 pois era domingo)

Assistindo filme

Assistindo filme

​Ao começar a leitura, percebi que a minha vida é um "pedacinho da Dinamarca" desde a infância. Meu irmão sempre teve o costume de trazer todos os amigos para casa. Como moravamos nos fundos de uma empresa grande, tínhamos um espaço absurdo era quase como ser o "caseiro" de um lugar gigante. Dava para jogar bola, brincar de esconde-esconde e receber os amigos com uma segurança que eles não tinham em outro lugar, já que tinha até porteiro.

Minha mãe sempre que podia entrava no ritmo, encarregada dos lanches, enquanto meu irmão transformava nossa casa no ponto central da diversão. Meu pai também tem um papel fundamental nisso: ele faz um churrasco maravilhoso, o que acabava atraindo amigos, parentes e vizinhos. Mas além de todos os detalhes, o centro de tudo sempre foi a convivência.

Um dia de churrasco comum em casa com os amigos da igreja (acredito que seja em 2015)

Um dia de churrasco comum em casa com os amigos da igreja (acredito que seja em 2015)

Essa cultura se fortaleceu ainda mais quando meu irmão entrou para a igreja. Foi ali que o contato com o Padre Valdivino, um grande amigo meu e de minha família, estreitou os laços de todo mundo. Eu devia ter uns 7 anos quando o Andrei fez a primeira comunhão e chamou várias pessoas da igreja para ir em casa , e eu já estava lá, tentando me enturmar e observando como ele liderava aquelas conversas. Eu cresci querendo ser assim.

Abraço de despedida da Paróquia Rainha Santa Isabel — Barueri

Abraço de despedida da Paróquia Rainha Santa Isabel — Barueri

​Em 2021, próximo do fim da pandemia me mudei para Santa Catarina, fui sem conhecer ninguém. Inicialmente morei em uma república (que era basicamente uma casa com quartos individuais). No começo, só tinha o Léo no meu andar, mas logo foram chegando mais pessoas por conta da volta as aulas da Faculdade.

A foto da República que batizamos como "Republica dos campeões" e até hoje segue com o nome no Google Maps.

A foto da República que batizamos como "Republica dos campeões" e até hoje segue com o nome no Google Maps.

Foi aí que conheci a Stellinha, uma das primeiras moradoras da República, e ela se tornou uma baita amiga. Nossa casa não tinha sala, então a cozinha virou o nosso ponto de encontro.

Essa é a Stella

Essa é a Stella

Tudo acontecia ali, em volta da mesa, entre um café e um planejamento de jantar.​

Hoje, esse movimento só cresceu. O grupo se ampliou, a Stellinha começou a namorar o Alcenir (que também mora comigo atualmente) e a casa continua sendo o ponto de encontro oficial para bolos, almoços e momento de descontração.

É comum em uma sexta-feira marcarmos de comer algo em casa (geralmente pizza) e depois jogar Catan, Papelete, ou Ito (todos jogos muito bons para jogar em grupo)

Bruno e Maria Alice que são amigos que vivem aqui em casa também ( em baixo a beatriz)

Bruno e Maria Alice que são amigos que vivem aqui em casa também ( em baixo a beatriz)

Olhando para trás, vejo que tudo isso ecoa o que vivi no grupo de coroinhas "Amigos de São Domingos Sávio". A gente se reunia todo sábado para trabalhar, brincar, rezar e em alguns momentos almoçar juntos.

Quando você aprende a conviver em grupo desde cedo, o conceito de Hygge se torna óbvio: a felicidade mora nas relações humanas nutridas com equilíbrio.

​Agradeço demais à minha família por nunca ter freado esse meu ímpeto de trazer o mundo para dentro de casa, ao Padre Valdivino por ter criado essa base de encontros, e aos meus amigos que tornam os dias mais leves. Afinal, como diz um dos meus filmes favoritos: "A felicidade só é verdadeira quando compartilhada".

mais uma lembrança boa com o Divinão e Kaio.

mais uma lembrança boa com o Divinão e Kaio.

A Stella me apresentou o livro, mas a vida já havia me apresentado a prática. Entendi que ser ‘o povo mais feliz do mundo’ não depende do clima ou da economia, mas da disposição de abrir a porta e criar espaços de pertencimento. Que a minha casa — seja ela qual for — continue sendo esse pedacinho de Dinamarca improvisado, onde o café está sempre quente, a conversa não tem hora para acabar e a felicidade, enfim, encontra o seu lugar para ser compartilhada.


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