#88 — O leite e o Guia Alimentar
“É uma vaca do tipo que eu gosto. É uma vaca de pista, boa, bonita, produtora e que emprenha fácil. É o sonho de todo produtor”
#88 — O leite e o Guia Alimentar com Giovana Cezar

“É uma vaca do tipo que eu gosto. É uma vaca de pista, boa, bonita, produtora e que emprenha fácil. É o sonho de todo produtor”
Esse post da nossa querida Camila Mantovani sobre a vaca Marília foi uma das motivações pra gente fazer um episódio dedicado a falar da indústria do leite e com os desdobramentos todos falar também das ameaças ao nosso Guia Alimentar da população brasileira.
O Brasil produziu, em 2017, algo ao redor de 35 bilhões de litros de leite, dos quais 24 bilhões foram consumidos na forma fluida. O restante, um terço, foi transformado em pelo menos 90 derivados lácteos, que vão da manteiga aos queijos, dos iogurtes às bebidas lácteas.
Nós, como veganas, sabemos que não existe forma legal de produzir carne e leite, mas as pessoas de uma maneira geral ainda acreditam que existe alguma preocupação com o bem estar do animal na indústria. Por isso é importante a gente frisar que existe sim, mas um bem estar voltado pra manter aquela máquina o mais produtiva possível, pra ela que funcione por muitos anos rendendo o máximo de leite que o corpo dela suportar. Por isso o “bem estar” animal nada tem a ver com preocupação e cuidado com a qualidade de vida daqueles seres, que sim sofrem, sentem, se estressam e por aí vai. Dentre mastites e outras -ites recorrentes na indústria leiteira, o que chega pro consumidor final é um alimento processado, super pasteurizado pra esconder tudo o que a indústria tem de mais podre.
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Convidamos, então, a Giovana Cezar pra conversar com a gente hoje. Gi que é nutricionista de formação, mas na prática atua também com comunicação e produção de conteúdo, ativismo alimentar e ambiental, trabalha com alimentação baseada em vegetais e terapia comportamental, com foco em uma nutrição mais humanizada e integrativa, que considera não apenas as questões fisiológicas, mas também aspectos emocionais, culturais e políticos.
O Guia Alimentar para a População Brasileira
A gente já falou no guia nos episódios #18 com a Ju Gomes, #40 com a Ale Nahra, #59 com a Cris Maymone, mas pra quem não sabe, o Guia Alimentar para a População Brasileira, documento oficial do Ministério da Saúde publicado em 2014 e disponível na nossa pasta do drive, é fruto da cooperação técnica entre a Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN), do Ministério da Saúde, o Nupens/USP e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Como todo documento desta natureza chegou à versão final após reuniões amplas com diversos setores da sociedade civil, acadêmicos e profissionais de diferentes áreas e consulta pública. Seu embasamento científico e abordagem prática tem acumulado reconhecimento nacional e internacional e tem inspirado a elaboração de Guias Alimentares em outros países — com destaque para a versão canadense e de diversos países latinoamericanos, bem como outras ações no âmbito das políticas públicas.
Quanto foi no início de setembro tornou-se pública a notícia de que a atual Ministra da Agricultura Pecuária e Abastecimento, nossa não querida musa do Agro, Tereza Cristina, enviou ofício ao Ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, solicitando a urgente revisão do Guia Alimentar para a População Brasileira. Esse ofício é acompanhava uma nota técnica que tenta negar as evidências científicas que atestam os malefícios à saúde provocados pelos produtos ultraprocessados.
De acordo com a nota técnica “quando um documento oficial do governo brasileiro orienta ‘evite alimentos ultraprocessados’, está generalizando algo que é muito diversificado. Quando usamos esta classificação equivocada, pesquisas mostram que existem alimentos que são classificados nesta ‘categoria ultraprocessados’ e que são feitos industrialmente de forma semelhante a preparações culinárias caseiras”.
“NEM TODO ULTRAPROCESSADO!”
Felizmente, a Ministra foi bastante criticada nacionalmente e internacionalmente e acabou rejeitando a nota e disse que “O Ministério reafirma que os aspectos relacionados às questões nutricionais são de competência das áreas de saúde”.
Mas vale nossa atenção para esses ataques, entender a quem interessa modificar o Guia e se juntar na defesa dele, seja assinando petições, conversando com as pessoas sobre ele, divulgando as informações e o que mais tiver no nosso alcance.
*No meio dessas referências tem sites do Agro ou defensores da indústria, obviamente não estamos indicando com alegria hah é só pra termos noção dos números e estratégias deles, se for ler vá com o estômago preparado.
Referências
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Lembrando que essa semana sai nossa news e sorteio do mês (fiquem de olho que vamos contar o que é no instagram) pra apoiadoras do Apoia-se. Faça parte dessa turma que carrega o Outras Mamas nas costas junto com a gente!
Beijos, se cuidem, defendam o Guia Alimentar.
Thais e Babi ❤
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