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A surpresa de Aswan

Viajando pelo belíssimo e misterioso Egito, depois de conhecer pirâmides, tumbas e antigos Faraós, deixamos a caótica e cheia de vida…

Fabio Ferra · 2024-06-19 18:52 · 0 claps · 3.8 min read
#viagem-internacional #egito #curiosidade #surpresa
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Uma surpresa de Aswan

Viajando pelo belíssimo e misterioso Egito, depois de conhecer pirâmides, tumbas e antigos Faraós, deixamos a caótica e cheia de vida cidade do Cairo e voamos rumo ao sul do país para Aswan, partiríamos desse porto para um cruzeiro pelo rio Nilo até Luxor, numa viagem de 5 dias. Eu e minha esposa chegamos ao aeroporto e fomos recepcionados pelos guias locais, já previamente contratados, para fazer o traslado ao navio. Saímos da aeronave e buscamos as malas despachadas, seria essa a ideia, não fosse um extravio ocasionado pela empresa aérea, que por lotação máxima do compartimento de bagagens em nosso avião, mandaria as malas no próximo voo apenas, o que nos faria esperar por 12 horas no aeroporto de Aswan.

Primeira surpresa, mas por sorte os guias pareciam ter um bom relacionamento com os funcionários do aeroporto e chegaram a solução de nos enviarem as malas diretamente ao navio assim que chegarem, por meio da empresa receptiva. Assim acordados, fomos ao transporte para o traslado até o porto. Uma pequena aflição pairava no ar, sem malas, falando um inglês intermediário, num país muito diferente do ocidente e com um problema a se resolver.

Olhamos o lado bom do momento, estávamos no Egito, em viagem de muito conhecimento e revelações, não seria isso que tiraria nossa calma. Sendo assim, chegamos ao navio, não sem antes perceber que no porto haviam muitos outros navios atracados, se perfilando e esperando seus passageiros por todo o dia, em torno de dez navios, todos muito parecidos, mas com algumas características distintas, como acabamentos, cores, formatos, mas todos com o mesmo itinerário de navegação, o Nilo do sul ao norte.

Recepcionados e alojados em nossas cabines, fomos ao restaurante para um breve lanche e encontramos um casal de portugueses que conhecemos anteriormente no Cairo, como ficaríamos aportados até a manhã seguinte, resolvemos conhecer os arredores do porto. Nas ruas de Aswan ou em qualquer outra cidade árabe, é muito fácil ser identificado como turista, vestimentas ocidentais e maquina fotográfica no pescoço te rotulam facilmente. Saindo de uma loja, fomos abordados por um rapaz egípcio simpático e prestativo, segundo ele era chef de cozinha em nosso navio e nos reconheceu passeando pelas ruas próximas ao porto. Pra nossa surpresa, falava com fluência o português e outras tantas línguas, fato que nos reforçou sua credencial de tripulante do navio. Contou-nos um breve relato de suas funções na cozinha e nos disse que estava indo a uma casa de especiarias para compra de alguns insumos para a cozinha, nos convidou para ir com ele, já que estávamos apenas conhecendo o local. Frizou que estaria nos levando por um caminho mais conhecido pelos moradores da cidade, assim como ele, onde turistas não vão tanto, pois era mais afastado do centro. A segurança que o povo egípcio nos passou anteriormente e a história de vida dele nos deixaram tranquilos em o seguir para conhecer mais esse lugar.

Andamos por cerca de 10 minutos apenas, com ele como guia, nos mostrando lojas e peculiaridades do cotidiano das pessoas, até que chegamos a loja de especiarias. Um lugar muito pitoresco, com todo o tipo de temperos, chás, emulsões, raízes e tudo o que se necessita para a cozinha típica, além é claro de souvenirs para turistas. Nosso novo amigo, fez as compras dele e nos indicou como voltar ao navio por outro caminho, mais fácil por ser uma avenida cheia de lojas. Se despediu de todos e ficamos por lá, comprando e sabendo mais sobre comidas e cheiros diversos, os donos da loja eram também muito simpáticos e até tiraram fotos conosco. Uma experiencia muito boa, mas já era chegada a hora de voltar ao porto. Nos despedimos, com nossas sacolas cheias de ervas e pimentas, e retornamos. Lá chegando nos preparamos para ir ao restaurante, já que era chegada a hora do jantar e aproveitaríamos para agradecer o chef pelo passeio. Pois bem, chegamos ao restaurante e fui logo recebido por um tripulante que me disse que nossas malas, aquelas extraviadas, tinham chegado e já estavam em nossos quartos. serviço eficiente, que claro rende gorjeta, como tudo num cruzeiro.

Pedimos para falar com o chef, que foi chamado ao nosso encontro, mas para nossa surpresa, não era a mesma pessoa, talvez um erro de comunicação nosso com os funcionários da cozinha, enfim voltaríamos mais vezes ao restaurante e poderíamos rever nosso amigo recente.

No dia seguinte o navio partiu, tinha como destino Luxor, mas iria atracar em outros portos pelo caminho, pois muitos templos e ruínas se estendiam ao longo da rota. em uma das paragens no porto de Kom Ombo para visitarmos um templo de mesmo nome, novamente fomos abordados por uma pessoa.

Surpresa dois, ele também era chef de cozinha.

Surpresa três, ele também era morador da região.

Surpresa quatro, ele também disse que nos conhecemos do navio quando estávamos no restaurante.

Surpresa cinco, ele também nos levaria para conhecer uma loja em que você precisa de insumos.

E por fim surpresa seis, demos conta que caímos num golpe anteriormente, mas um tipo de golpe em que você não se sente tão lesionado, apenas direcionado para um lugar específico para fazer compras, num claro esquema de levar clientes turistas para comprar, em troca de alguma comissão ou algo nesse sentido.

Até nisso a viagem foi surpreendentemente uma surpresa!


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