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A bela e bizarra mente de Bora Chung

Resenha de “Coelho Maldito”, de Bora Chung, 10 contos de horror interligados pelo que há de mais estranho.

Alexandre de Almeida · 2024-03-24 16:35 · 20 claps · 1.3 min read
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A bela e bizarra mente de Bora Chung

Das muitas bizarrices que se encontra na literatura de horror, o nicho asiático se supera. Já fiz muitas comparações a Junji Ito, mas há contos em “Coelho Maldito” que poderiam muito bem ser adaptados por Hayao Miyazaki.

Bora Chung cria narrativas interligadas ao fantástico, sem dúvidas, mas faz isso variando entre perspectivas modernas e medievais. O conto que abre e dá nome ao livro, por exemplo, tem traços do folclore e do xamanismo coreanos.

E ele segue uma sequência de modernidade até o quinto conto: uma cabeça que se forma das fezes de uma mulher; um acidente de carro que revela um ciclo infernal; uma mulher que engravida de ninguém; e uma engenheira que se apaixona por robôs.

Curiosamente, essas quatro últimas histórias têm protagonistas femininas. As mulheres são maioria nos enredos. Talvez você compare seu sofrimento às personagens de María Fernanda Ampuero em “Rinha de Galos”.

Do sexto conto em diante, três histórias com características mais antigas se apresentam. Coincidentemente, são as mais lentas do livro.

Apesar de um vocabulário simplificado e a escolha de não nomear a maioria das personagens, os contos de Bora Chung se desenvolvem devagar. Quando finalmente concluí “Cicatriz”, já o estava lendo havia dois dias. Em compensação, teve um final inesperado.

Mas a falta de fluidez é compensada exatamente pela quebra de expectativas, principalmente quando se chega a “Reencontro”, a última e mais triste história das dez. Por mais elementos fantasmagóricos que tenha usado, Chung também trouxe um romance bonito e com final triste.

Um primeiro contato com literatura coreana, “Coelho Maldito” se mostrou, na verdade, muito promissor. O tom de fábula em algumas histórias realmente tem lições a ensinar, e a autoficção que Bora Chung emprega em outras aproxima quem lê de quem escreve.


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