Por que eu desisti, e como me salvei.
O que será que deu na minha cabeça na hora que pensei em me mudar para São Paulo?
Por que eu desisti, e como me salvei.
O que será que deu na minha cabeça na hora que pensei em me mudar para São Paulo?
A habilidade de mentir para si mesmo? A visão romântica das músicas de Tucanna por aquele abismo? Será que foi um instinto de autoproteção, que me protegia da chance de tudo dar errado? Mesmo que visivelmente tudo já tivesse ido para a casa do chapéu.
Definitivamente, uma das razões foi o sentimento do fracasso e os signos da derrota, criados pelos linguistas da vitória ou os donos da bola quadrada. Uma espécie de “Deleuzes do inferno” abandonados por Deus e pela mãe.
A zona de conforto de que me privaram não é algo que seja bom de se ter, mas é algo que todo mundo merece. Até eu, até você! A perspectiva da vitória e do fracasso impede que a gente veja o mundo de forma saudável, e quem cantou a letra sobre o jeito certo de viver morreu há papo de uns 3 mil anos.
O Justo-meio
2025 foi um ano estranho, ano onde ficou escancarado o fato de que trabalhar muito não quer dizer trabalhar bem; alcancei postos onde eu mesmo não imaginava que um dia chegaria. Foi um ano em que matei meus amigos de preocupação (desculpe, Andressa, Diego e Herbert).
Eu literalmente realizei sonhos, mas era impossível acreditar que aquilo bastava, existia uma necessidade maluca demais. E isso me fez não ter fé em quão gigante eu consegui me tornar em tão pouco tempo.
O que tenho para reclamar é que foi um ano péssimo de dinheiro, mesmo sendo um ano com trabalhos que formam um divisor de águas no meu trabalho. As contas acumularam, mas estou vivo carregando as duas únicas certezas que vencem a vida de todos, que são a morte e os impostos.
Minha maior meta era o “posicionamento”. Por quê? Para quê? Para ser foda! Uma busca por merecimento de estar e ser, devido ao profissional que sou, e o resto é consequência de fazer bem o que faço.
A certeza de que eu iria conseguir, um ego frágil, o desejo de estar onde não me pertence e o medo do fracasso, apesar de minha perspectiva de futuro nunca se comunicar com tudo o que me comparei.
Como o filósofo grego Aristóteles determina, toda virtude se encontra no meio de dois vícios que se opõem; o caminho que escolhi foi fugir da mediocridade para buscar a excelência, e as consequências foram encontrar o outro extremo dos vícios: a obsessão por um ideal problemático.
A regra do jogo não é sua
Eu não sou religioso, pouco me interessa a existência de Deus, pois eu tomei a decisão moral e pessoal de me interessar muito mais pelo poder humano: a capacidade de ter fé e sua fé ser capaz de fazer qualquer deus existir.
A capacidade humana de criar um deus permitiu que coisas banais e ideias frágeis se tornassem mitos. Seja de forma material ou imaterial.
Pessoas, bens de consumo, posições sociais e ideias são colocados em pedestais.
O marketing e a comunicação potencializam esse aspecto, e ninguém é imune ao marketing e à publicidade bem feitos.
Eu fui vítima de uma ideia de sucesso que depende de coisas que nunca terei, mas me forcei e me esefforti para materializá-las.
Ser rude, prestativo, bom de negócios, inquestionável, vencedor e bem posicionado. Ser especialista e desenvolvedor, pragmático e respeitado. Ter o equipamento mais inútil do ano, estar em cada lugar que ninguém liga que eu esteja…
Eu, que prego que nada deve existir no vácuo e tudo deve ter uma razão, fui capaz de trocar a ciência pela fé no absurdo, no não estratégico, e tudo o que me levou para um caminho pior…
As regras do jogo não são suas, geralmente. E o que fazer nesse momento? Respire, e tenha calma.
Foi a calma que me salvou…
Gostaria de dizer coisas motivadoras, coisas que servem como conselhos profundos, até pelo bem da narrativa uma reviravolta inspiradora faria muito bem para esse texto. Mas não existe nada para adicionar. A calma não me permite fazer muito mais do que posso, ou inventar muitas coisas.
Você deveria fazer isso também.
메타데이터
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