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Não sei orar

Nosso Mestre, Senhor e Salvador Jesus Cristo nos encorajou através de seus ensinamentos verbais e não verbais (pelo exemplo), a termos uma…

Daniel Lacerda · 2023-10-22 19:33 · 2 claps · 5.5 min read
#fé #oraçã #deus #orando #bíblia-sagrada
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Wiki topics: 🕊️ · Religion

Não sei orar

Nosso Mestre, Senhor e Salvador Jesus Cristo nos encorajou através de seus ensinamentos verbais e não verbais (pelo exemplo), a termos uma atitude constante de comunhão com Deus através da oração.

Tomei a liberdade de realizar alguns grifos pessoais na minha leitura de hoje (essa passagem se encontra em Mateus 7:7–10).

Peçam e lhes será dado; busquem e acharão; batam, e a porta será aberta para vocês. Ora, se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem?

Com muita clareza, Jesus descreve e encoraja mais uma vez o ato de orar. Mas não se limita a uma indicação, e se estende em argumentar:

  1. O Mestre considera que mesmo a natureza caída do homem ainda o permite observar o que é bom para seus filhos, para:
  2. Nos lembrar que Deus em sua perfeita Santidade, sabe melhor daquilo que é bom para conosco, e age dessa maneira.

Porém, vale salientar que os caminhos e pensamentos do SENHOR são mais elevados, maiores que os nossos (Is 55:8–10). E é incontestável: também são melhores. O que o nosso Amado Jesus nos relembra quando diz que nosso Pai dará coisas boas aos que lhe pedirem, é que sua Vontade, sendo Boa, Perfeita e Agradável (Rm 12:2), coopera para o bem daqueles que o amam (Rm 8:28), isto é, aqueles que guardam os seus mandamentos (Jo 14:15). Isso significa que o Bem de Deus para conosco não é necessariamente a nossa Vontade, mas aquilo que Ele, sendo o Melhor Pai, conhece ser necessário para nós.

Os ensinamentos de Cristo, portanto, são repletos de conteúdo, mas também de forma. Nosso Resgatador, conhecendo as limitações do nosso pensamento e da nossa fé nos conduz através de argumentos até um maior conhecimento da sabedoria que vem do alto (Tg 3:17).

Nessa passagem que vimos tão brevemente, ele nos ensina que, àquele que pede, Deus concede coisas boas. Imediatamente, isso me lembrou uma outra reflexão, do reverendo Augustus Nicodemus, no Salmo 130. Segundo o “Tio Nico”, esse é o salmo favorito de vários nomes louváveis dentro da cultura cristã. Trata-se, muito bem, de uma oração. A passagem inteira diz o seguinte:

¹ Das profundezas clamo a ti, Senhor. ² Escuta, Senhor, a minha voz; estejam alertas os teus ouvidos às minhas súplicas.³ Se tu, Senhor, observares iniquidades, quem, Senhor, poderá escapar? ⁴ Mas contigo está o perdão, para que sejas temido. ⁵ Aguardo o Senhor, a minha alma o aguarda; eu espero na sua palavra.⁶ A minha alma anseia pelo Senhor mais do que os guardas anseiam pelo romper da manhã. Mais do que os guardas pelo romper da manhã, ⁷ espere Israel no Senhor, pois no Senhor há misericórdia; nele, temos ampla redenção.⁸ É ele quem redime Israel de todas as suas iniquidades.

Muito me chama a atenção, esse “clamor” a Deus. Perceba: cada sentença, em forma e conteúdo, revela qualidades do autor e de Deus. Vamos fazer uma breve e simples análise:

O primeiro verso, na versão NAA (Nova Almeida Atualizada) — que costumo usar em meus estudos, podemos contabilizar seis palavras. O que o salmista conseguiu expressar com “Das profundezas clamo a ti, Senhor”? Perceba, ele reconhece:

  1. Que a sua situação para com Deus é como estar “nas profundezas”. Distante, separado, imerso, se afogando, sem esperança de socorro de qualquer outro lugar;
  2. Que só Deus é poderoso e misericordioso o suficiente para escutar o seu clamor, das profundezas de onde se encontra;
  3. E o ouvindo, apesar de sua Santidade, o auxiliar e resgatar dessa situação tão tenebrosa.

E esse reconhecimento da necessidade de Deus é tão forte que no segundo verso ele extende o seu:

  1. Apelo, buscando a atenção de Deus através de uma súplica, de um pedido desesperado, quando já parece não haver chance ou dignidade alguma que o salvaguardaria de qualquer sorte de justiça.

Nesses dois breves versos, temos uma boa carga de conhecimento e de humilde sabedoria que permite o pecador se aproximar genuinamente de Deus, porque se aproxima apenas pela graça, na fé de um Deus perdoador, e o salmista conhece disso muito bem porque ele ainda argumenta, no terceiro verso, carregando sua oração com ainda um outro fator:

  1. Ninguém poderia de maneira alguma resistir a justiça de Deus. Não haveria quem escapasse, se os nossos pecados, além de contados, recebessem a devida sentença pela ofensa deles contra o Deus Santíssimo. Não somos dignos, é tudo graça.

Nesse terceiro verso, o salmista reconhece a Santidade de Deus, e portanto a necessidade natural da parte de Deus de que sua Justiça se manifeste através de seu Poder, porque é Todo-Poderoso, mas que em toda a sua capacidade ainda surpreende o salmista e a todos nós, com aquilo que claramente é perceptível no verso 4. O salmista continua argumentando:

  1. Deus tem também a posse e a autoridade para presentear com seu perdão.
  2. E isso o é para temor do seu Nome. É para glorificação e exaltação de sua grandeza que a Majestade de Deus se revela na graça do perdão e na compaixão tremenda do Pai com os seus filhos em Cristo Jesus.

A argumentação do salmista diante de Deus aponta para a glória de Deus. Ela tem o entendimento correto de que aquilo que é pedido a Deus, deve ser pedido com a motivação correta, porque essa é a obediência verdadeira a Deus: que os seus servos o amem de todo o seu coração, mente e com todas as suas forças (Dt 6:5).

A oração do obediente tem como argumento e finalidade a glória de Deus, porque ele ocupa o centro, as margens e o exterior do coração de um fiel. O salmista devia ter isso muito firmado em sua mentalidade. Ele pede a Deus com o entendimento de que o seu resgate e o seu perdão deveria estar alinhado com a expansão do temor de Deus sobre todos.

Nos versos 5 e 6, o salmista encerra o seu pedido. Agora, sua atitude é outra:

  1. Vigilância e espera. Como os guardas que esperam a manhã para que possam descansar do desespero e do perigo da noite, o salmista realiza o seu pedido e agora passa a esperar. A penúltima ferramenta descrita no salmo, portanto, é a fé.

Sim, sua alma tem ânsia da resposta de Deus. Entretanto, enquanto espera e confia, volta a sua atenção para o povo, como conclui o verso 7, e não fica extasiado ou desesperado, pelo contrário:

  1. Ensina as verdades pela quais vive e espera ansiosamente;
  2. Transmite a outros, como a mim e você agora, a motivação e a forma corretas para entrar na presença de Deus.

Sejamos abençoados, amém!

Resumindo a oração do salmista, analisada de forma simples, temos que, segundo as seguintes verdades sobre uma oração correta:

  1. Reconhecer que a nossa situação para com Deus é como estar “nas profundezas”. Distante, separado, imerso, se afogando, sem esperança de socorro de qualquer outro lugar;
  1. Reconhecer que só Deus é poderoso e misericordioso o suficiente para escutar o nosso clamor, das profundezas de onde nos encontra;
  1. Reconhecer que só Deus pode, nos ouvindo apesar de sua Santidade, nos auxiliar e nos resgatar de nossa situação com o pecado.

4. Apelar, buscando a atenção de Deus através de uma súplica, de um pedido desesperado, entendendo que não há chance ou dignidade ou obra alguma que nos salvaguardaria de qualquer sorte de justiça.

  1. Argumentar de acordo com as verdades bíblicas; como argumenta o salmista, “que ninguém poderia de maneira alguma resistir a justiça de Deus”. Não haveria quem escapasse, se os nossos pecados, além de contados, recebessem a devida sentença pela ofensa deles contra o Deus Santíssimo. Não somos dignos, é tudo graça.
  1. Reconhecer que Deus tem também a posse e a autoridade para presentear com seu perdão.
  1. Reconhecer que isso é para temor do seu Nome. É para glorificação e exaltação de sua grandeza que a Majestade de Deus se revela na graça do perdão e na compaixão tremenda do Pai com os seus filhos em Cristo Jesus.
  1. Vigiar e esperar. Como os guardas que esperam a manhã para que possam descansar do desespero e do perigo da noite, realizamos nossos pedidos e esperamos. Precisamos aguardar com fé.

9. Ensinar as verdades pelas quais vivemos.

  1. Transmitir a motivação e a forma corretas para entrar na presença de Deus.

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