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Nicholas Winton: o herói desconhecido que salvou 669 crianças

Nicholas Winton é conhecido como o “Schindler Britânico”, mas sua trajetória só veio a público quase 50 anos após os eventos que marcaram…

Handreza Hayran · 2025-01-26 00:47 · 0 claps · 3.5 min read
#nicholas-winton #holocausto #judeus
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Nicholas Winton: o herói desconhecido que salvou 669 crianças

Nicholas Winton é conhecido como o “Schindler Britânico”, mas sua trajetória só veio a público quase 50 anos após os eventos que marcaram sua vida.

Nascido em 1909, em Londres, ele viveu até os 106 anos, deixando um legado impressionante.

Embora tenha construído uma carreira de sucesso como financista, Winton será lembrado por algo muito maior: salvar a vida de 669 crianças judias às vésperas da Segunda Guerra Mundial, em uma missão que ficou conhecida como o Kindertransport Tcheco.

Transporte infantil: a missão começa

Winton nasceu em uma família de judeus alemães que havia se mudado para a Inglaterra no início do século XX.

Apesar de levar uma vida confortável, com interesses que incluíam tênis, esgrima e esqui, o jovem decidiu abrir mão de suas férias de Natal em 1938 para acompanhar um amigo até Praga. Naquele momento, ele mal imaginava que sua viagem mudaria o destino de centenas de crianças.

Para entender o contexto, é preciso voltar no tempo. Em setembro de 1938, o Acordo de Munique permitiu que os Sudetos da Tchecoslováquia fossem anexados à Alemanha nazista. Esse evento desencadeou uma onda de refugiados para a parte remanescente do território tcheco.

A situação ficou ainda mais grave quando a Polônia e a Hungria também reivindicaram territórios fronteiriços, intensificando o deslocamento de famílias judias e outras minorias.

O governo britânico começou a organizar transportes para retirar refugiados adultos, mas o foco inicial era a população economicamente ativa. As crianças, no entanto, ficaram para trás.

Nicholas Winton percebeu o perigo iminente, especialmente após eventos como a Kristallnacht, em novembro de 1938, que resultou na prisão de 25 mil judeus na Alemanha e Áustria. Ele decidiu agir.

A organização do kindertransport

Em Praga, Winton transformou um quarto de hotel em seu escritório. Ali, ele recebia pais desesperados, compilava listas de crianças e visitava campos de refugiados.

Mas apenas listar os nomes não bastava: para que as crianças pudessem viajar para a Inglaterra, ele precisava garantir que fossem acolhidas por famílias britânicas.

Winton publicou anúncios em jornais, contatou orfanatos e conseguiu lares adotivos para centenas de crianças. Além disso, ele pagou do próprio bolso a taxa exigida pelas autoridades britânicas para cada criança refugiada.

O primeiro trem partiu de Praga em 14 de março de 1939, com 20 crianças a bordo. A partir daí, ele organizou outros sete transportes. No total, 669 crianças foram levadas para a Inglaterra, viajando mais de 1.500 km, passando pela Alemanha e Holanda antes de cruzar o Canal da Mancha.

As crianças que chegavam a Londres eram recebidas por Nicholas ou por sua mãe, que o apoiava na missão.

Infelizmente, o nono trem nunca chegou a partir. Programado para 1º de setembro de 1939, o transporte já contava com 250 crianças a bordo, mas, na manhã daquele dia, a Alemanha nazista invadiu a Polônia, iniciando a Segunda Guerra Mundial.

O trem foi cancelado, e as crianças foram devolvidas às famílias. Tragicamente, muitas delas não sobreviveram aos horrores do Holocausto.

O silêncio de 49 anos

Após o início da guerra, Nicholas Winton alistou-se na Cruz Vermelha e, posteriormente, na Força Aérea Real Britânica. Depois da guerra, ele levou uma vida discreta e quase não mencionava os eventos de 1939.

Foi apenas em 1988, quando sua esposa encontrou um antigo caderno com os registros das crianças salvas, que a história veio à tona.

O caderno continha listas detalhadas, fotografias e cartas que Winton havia escrito para famílias britânicas pedindo ajuda.

Com a descoberta, sua esposa começou a divulgar o conteúdo e, logo, as “crianças Winton” começaram a reconhecê-lo como o homem que lhes deu uma nova chance de vida.

O marco público aconteceu durante o programa de TV britânico “That’s Life”, em 1988. Winton foi convidado ao estúdio sem saber que sua história seria revelada.

Durante a transmissão, o apresentador pediu que as pessoas salvas por ele se levantassem — e dezenas de sobreviventes estavam ali, no auditório. A emoção tomou conta do momento, e Winton tornou-se uma figura admirada em todo o mundo.

Olegado de nicholas winton

Graças à sua ação heroica, estima-se que cerca de 5.000 pessoas estejam vivas hoje, descendentes das crianças que ele salvou. Em 2002, Winton foi nomeado cavaleiro pela Rainha Elizabeth II, tornando-se Sir Nicholas Winton. Ele também recebeu a maior honraria da República Tcheca, a Ordem do Leão Branco, em 2014.

A história de Winton foi eternizada no documentário “Nicky’s Family” (2011), dirigido pelo eslovaco Matej Minac. Mesmo aos 104 anos, Winton continuava engajado em causas sociais, mostrando que seu espírito altruísta era inabalável.

Hoje, um monumento na estação ferroviária de Praga homenageia Nicholas Winton e sua coragem. A escultura retrata o próprio Winton ao lado de duas crianças, representando o impacto de suas ações em um momento tão sombrio da história.

Sir Nicholas Winton faleceu em 2015, aos 106 anos, mas seu legado permanece como um lembrete poderoso de que uma única pessoa pode fazer a diferença e mudar o destino de muitas vidas.


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