‘’Eu sou a minha própria embarcação’’
Não sei se alguém aqui me lê, mas ainda assim escrevo porque também escrevo por e pra mim, mas espero que chegue em alguém e que faça…
‘’Eu sou a minha própria embarcação’’

mata
Não sei se alguém aqui me lê, mas ainda assim escrevo porque também escrevo por e pra mim, mas espero que chegue em alguém e que faça sentido pra essa pessoa também.
A escrita, a literatura, a arte também me salva!
Tenho revisado e revisitado momentos e antigamente eu escondia tanta coisa…
Eu me escondia e depois ficava ressentida…
Tinha meus motivos pra me esconder também, mas esse tempo já passou.
[embed]
Hoje escrevo porque esse vídeo aí me trouxe muitas reflexões.
O álbum da Luedji, os álbuns já me atravessaram tanto… e eu me identifico muito com a fala dela.
Fiquei aqui pensando sobre o quanto me preocupo, me preocupei e me cobrei responsabilidade e também cobrei dos outros.
Consigo ter um olhar interseccional sobre isso e entender também o quanto os atravessamentos, raciais, de classe, gênero e inclusive de religiosidade e de espiritualidade me atravessaram e atravessam.
Mas como eu “dizia”, sempre me cobrei responsabilidade e cobrava também isso dos outros.
Sou artista e já tive diálogos “acalorados” com colegas de trabalho sobre afetividade, sobre responsabilidade…
E hoje entendo o quanto devo ter soado cansativa e arrogante e, assumo que em parte fui (mas senti os colegas do mesmo jeito).
Em parte porque era tudo verdade, mas uma verdade só sobre mim.
Uma verdade só, e nada é assim tão absoluto e definitivo.
Se pessoas são múltiplas e, por isso mesmo, ao mesmo tempo únicas, por que também não me conceder esse direito?
E por que não conceder, ou melhor, por que não respeitar o direito das pessoas com quem convivo e aos meus afetos de serem incoerentes ou não serem coerentes o tempo todo?
Isso não é um convite a desonestidade e falta de responsabilidade, é uma reflexão sobre nos olharmos com mais gentileza.
Ninguém é bom o tempo todo, nem coerente, nem responsável o tempo todo e acho que é justamente o equilíbrio entre a diversidade dos nossos sentimentos que nos faz mais autênticos e saudáveis.
O mundo globalizado nos empurra, pressiona a correr e resiliência se torna mais uma meta, e não uma consequência de processos naturais.
Assistindo à peça ‘’Migrantes’’, percebi o quanto os conceitos de colonização e globalização são causa e consequência um do outro e o quanto não refletimos sobre, não temos meios de sobrevivência, não sabemos como atravessá-los, e sentimos suas marcas.
Percebi o quão adoecedor é me cobrar tão responsável pelos outros o tempo todo e o quanto isso também pode me roubar de mim.
Responsabilidade é necessária, sim, mas eu não sou o Batman.
Eu sou só uma mulher.
E entendendo a totalidade ou a complexidade da mulher que sou, preciso também ser mais gentil comigo, acertando ou não o passo.
Já carrego tantos pesos, é justo me cobrar a carregar mais?
O mundo já tem um olhar tão pesado sobre mulheres como eu, eu não preciso fazer isso também.
O que eu preciso é reconhecer que posso ser muito boa, sim, mas também posso não ser nada disso.
Reconhecer a dualidade em mim, me ensina que além do ‘’8 e 80'’, há também outras nuances nas quais navego e não percebo porque me forço a remar em uma linha reta que nem sempre é a melhor pra mim.
Ás vezes, a vida pede curvas e a gente tem que aprender a dançar, se não quiser “tomar caixote”.
Não digo que sei, mas tô aprendendo e aceitando o meu ritmo (enquanto a ansiedade não me pega) e construindo rotinas mais saudáveis pra mim, tentando aprender o incrível dom da paciência (que me é tão difícil) e “criar casca”.
Mais ou menos, a minha “casca” não obedece muito à este conceito, é rebelde, pode ser suave e doce, mas tá aprendendo a morder e há beleza aí também, a beleza de ser quem se é, a beleza de me acolher como realmente sou, a beleza de não obedecer aos estereótipos e expectativas alheias sobre mim e a beleza de não obedecer ao conceito de ‘’belo’’ como “perfeição” e não ter um olhar eurocentrado sobre isso, o meu belo é autenticidade.
No início da pandemia, a vida me levou a pensar com mais calma sobre isso, de maneira gentil, e agora um revés.
Será que é isso mesmo?
Acho que é mais uma oportunidade de ver as coisas por outra perspectiva.
Ser a boazinha nunca coube em mim e quem me conhece pessoalmente sabe o quanto isso sequer cabe no meu físico (e eu não falo de esteriótipos), mas apesar de me enfurecer com as expectativas estereotipadas, eu cedia.
Eu não sabia lidar com a raiva, até perceber que a raiva, ao menos na minha vida, é um catalisador mental.
Ela me convida a olhar pro que eu não conseguia, não consigo sozinha e a devolver ao remetente tudo o que não é meu.
E confesso, esse processo de devolução é muitas vezes divertido, gostoso, algumas vezes difíceis, mas todas importantes, necessárias.
Nesse processo de revisão, me pego relembrando muita coisa, ás vezes ressentindo, então tô botando tudo pra fora bom ou ruim, ou o que mais for e me dando tempo e espaço pra compreender, quando é tempo disso.
Voltando à fala da Luedji, não coincidentemente, também precisei voltar ao início.
Lembrei de um post da Tia Má sobre humanizar os afetos. É isso, acho que tô tentando começar a fazer isso comigo, me aceitando como eu realmente sou.
Nem sempre consigo fazer isso, ás vezes não consigo deixar a mente descansar e tudo parece muito maior do que realmente é só porque a minha mente não pára.
Aí vem a raiva e “desce o cacete”. Rs
Prefiro quando bate a raiva, do que quando bate a tristeza, mas ficar triste também faz parte da vida.
Lembro de uma história que me contaram (mas eu, que quase sempre lembro tudo detalhadamente, esqueci os detahes Rs) sobre uma cobra em uma gruta que vivia sendo maltratada pelas pessoas e é aconselhada a mostrar os dentes.
Uma cobra que queria ser amada e escondia a sua natureza.
O conselho não foi pra morder, mas mostrar que é capaz.
Sendo bem clichê, leões rugem, cobras picam.
Não o tempo todo, mas acho que deu pra entender o meu ponto.
[embed]
메타데이터
- post_id
- d1252fa3716f
- slug
- eu-sou-a-minha-própria-embarcação-d1252fa3716f
- url
- https://medium.com/@contradicoesporminuto/eu-sou-a-minha-pr%C3%B3pria-embarca%C3%A7%C3%A3o-d1252fa3716f
- canonical_url
- https://medium.com/@contradicoesporminuto/eu-sou-a-minha-pr%C3%B3pria-embarca%C3%A7%C3%A3o-d1252fa3716f
- author_url
- https://medium.com/@contradicoesporminuto
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-08-08 18:18:23