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Antes do penhasco, havia sinais

Caso da mulher jogada de um penhasco pelo ex-companheiro revela como a violência contra a mulher começa muito antes da agressão física.

Larissa Xavier Elesbão · 2026-05-29 19:37 · 1 claps · 1.8 min read
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Antes do penhasco, havia sinais

Caso da mulher jogada de um penhasco pelo ex-companheiro revela como a violência contra a mulher começa muito antes da agressão física.

Foto de Christy Joseph Jacob na Unsplash

Foto de Christy Joseph Jacob na Unsplash

Uma mulher foi jogada de um penhasco na Serra do Rola-Moça, em Belo Horizonte (MG), pelo ex-companheiro, na última segunda-feira, 25 de maio. O detalhe é que, dias antes do crime, ela havia solicitado uma medida protetiva contra ele devido às ameaças e agressões que vinha sofrendo. Felizmente, a vítima sobreviveu, sofrendo apenas algumas escoriações e um ferimento em um dos pés. Mas quantas mulheres não têm a mesma sorte?

A verdade é que a violência contra a mulher não começa em uma tentativa de feminicídio. Antes dela, vêm o controle, as ameaças, a humilhação e a retirada da liberdade daquela mulher. São sinais, muitas vezes sutis, que infelizmente acabam sendo ignorados por quem está ao redor. Em muitos casos, a dor da mulher é minimizada e tratada até mesmo como “frescura”.

Esse cenário também se conecta a discursos movidos pelo machismo, que incentivam mulheres a suportarem relacionamentos abusivos em silêncio. Em meio a esse debate, a fala da pregadora Helena Raquel ganhou repercussão justamente por defender o oposto: que mulheres parem de normalizar a violência e procurem ajuda.

Quando essa mulher decide se libertar do relacionamento, acaba sendo vítima de julgamentos ou, em muitos casos, ocorre o pior: o feminicídio. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 59,4% das vítimas foram mortas pelo companheiro e 21,3% pelo ex-companheiro. Esses dados chegam a ser aterrorizantes para nós, mulheres, pois mostram que não estamos totalmente seguras.

Enquanto a sociedade ignorar a violência contra a mulher e continuar encarando situações como essa de forma a culpabilizar a vítima, casos como este, e até outros piores, continuarão acontecendo. Se não dermos a devida atenção à gravidade do problema, esses números aumentarão de forma alarmante. E, se mulheres não forem devidamente acolhidas e incentivadas a denunciar, continuarão virando estatísticas.

No caso dessa mulher, houve uma diferença fundamental: ela recebeu apoio e conseguiu avisar aos familiares que algo estava errado. Seus familiares, especialmente a filha mais velha, foram cruciais para que ela fosse localizada com vida. Esse episódio demonstra a importância de ouvir, acolher e agir diante de sinais de violência, pois uma rede de apoio atenta pode ser determinante para salvar vidas.

Se você ou alguma mulher que conhece está vivenciando uma situação de violência, procure ajuda. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher), que funciona 24 horas por dia, ou pelo 190, em casos de emergência.


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