Som Subterrâneo: Manilla Road — Crystal Logic (1983)
Como você já deve ter lido por aqui, eu gosto realmente de música, principalmente de rock. Mas, assim como com games e filmes, eu gosto…
Som Subterrâneo: Manilla Road — Crystal Logic (1983)
Como você já deve ter lido por aqui, eu gosto realmente de música, principalmente de rock. Mas, assim como com games e filmes, eu gosto MESMO de música, no sentido de que eu escuto sim o que está no mainstream, nos mais variados gêneros, mas também dou valor e adoro aquelas bandas ou grupos mais obscuros, mal mixados, com pitadas de genialidade mas esquecidos pelo tempo, sabe?
Pensando nisso, pensei em apresentar certas bandas que os mais aficionados com certeza conhecem, mas que podem ser novidade para muita gente que quer conhecer mais e expandir os seus horizontes! Vão ser bandas esquecidas, que vão ter seus probleminhas, que não têm exatamente a melhor gravação do mundo… mas que têm alma e uma história legal para contar.
E, para começar, nada melhor do que falar sobre uma banda oitentista que, lá nos EUA, praticamente fez o Power Metal antes mesmo do Helloween sequer existir! Esse é o Manilla Road, com o seu terceiro álbum de estúdio: Crystal Logic.

Fala se isso não é puro Power Metal!
Do psicodélico à velocidade
Em 1977, dois amigos da cidade de Wichita, Kansas se juntaram. Eles eram Mark “The Shark” Shelton (vocalista e guitarrista) e Scott “Scooter” Park (baixista), e tinham como objetivo fazer um som progressivo e psicodélico que era bem famoso na época.
Apesar desse começo mais lento e atmosférico, a banda foi, álbum a álbum, inserindo mais peso e velocidade, mas sem mudar as letras “viajadas” que contavam várias histórias. Junto com o baterista Rick Fisher, o som foi tomando forma, e eles iam tentando seu espaço no mercado absurdamente competitivo.
Em 1983, porém, a banda finalmente parecia ter encontrado o seu som. Saiu disso uma mistura curiosa entre o que faziam antes e o novo: entre o peso e as quebradas de tempo do progressivo. A criatividade estava em alta, as misturas estavam na mesa… e a mixagem não acompanhou exatamente o que a banda sonhava em fazer.
Dessa “loucura” acabou surgindo um som rápido e pesado, cheio de mitologia, com guitarras agudas e vocais que iam do agudo ao rasgado em segundos, e que vamos destrinchar faixa a faixa agora.

Você sabe que achou um som bom quando a banda não tem muitas fotos pra você achar!
Crystal Logic — O Proto Power Metal
Antes de tudo, é bom deixar algumas coisas claras. Eu vou citar aqui várias semelhanças ao Helloween, a banda que, anos depois, colocaria o Power Metal no mapa. Minha intenção com isso de forma alguma é diminuir a banda alemã, até porque tudo no mundo é uma mistura de referências juntas e feitas com extrema qualidade. É assim que estilos nascem, e muitas bandas podem chegar às mesmas conclusões com as mesmas influências.
As semelhanças citadas aqui são apenas curiosidades!
Além disso, não é porque estou apresentando uma banda nessa série que ela é perfeita. Os álbuns aqui vão ter defeitos e, se cabível, eu vou citá-los, e isso de forma alguma desmerece a obra. Pelo contrário: eu prefiro muito mais algo imperfeito mas curioso e com alma do que algo perfeito que amanhã você já esqueceu que ouviu.
Então, vamos ao faixa a faixa:
1 — Prologue
Sim, assim como toda banda de Power Metal do mundo, Crystal Logic também começa com uma introdução curta que serve de abertura para o álbum. É uma faixa simples e atmosférica que vem apenas para dar o clima e apresentar a próxima música.
2 — Necropolis
Agora sim começa a “porrada”! Essa música apresenta bastante do que vamos ouvir aqui: metal rápido, solos agudos e rápidos, bateria frenética e um vocal… curioso.
Vamos aos fatos: a primeira coisa que se percebe é que o álbum não é muito bem mixado. Isso vai ficar mais evidente em outras músicas, mas já é perceptível aqui: alguns sons se misturam ou somem, e às vezes um instrumento está mais alto que outro.
Outra coisa legal de observar daqui pra frente é que parece que o vocalista não necessariamente “achou sua voz”, sabe? Ela muda em outras músicas: às vezes parece que ele quer fazer mais agudo, às vezes mais baixo, às vezes com mais efeito ou menos… é realmente curioso.
E sim, provavelmente por suas raízes progressivas e psicodélicas, existe uma certa “quebra”. Uma sensação leve de que falta alguma coisa. O refrão é bom, mas ele meio que vem do nada. Curioso mesmo.
Além disso, a letra é basicamente puro Power Metal: mitologia, espada, machado, destino, guerra, Atlantis… aquela loucura que a gente ama no nosso metal espadinha favorito!
3 — Crystal Logic
Aqui começa outro ponto que o Power Metal trabalharia bastante: as músicas longas! Crystal Logic é um épico de 6 minutos que segue a velocidade anterior, mas com uma quebrada no refrão que termina num agudinho que, se fosse o Michael Kiske, ele estenderia por uns 2 minutos!
Tudo culmina em um solo virtuoso e melodioso muito bom.
A letra? Horas: tem mago, tem demônio, tem espada de fogo e luz, e tem a promessa de derrotar o mal com LÓGICA. Uma lógica… de cristal!
É pura diversão. E quem conhece bem o Power Metal sabe que diversão é um dos pontos altos do estilo.
4 — Feeling Free Again
Uma música completamente deslocada! Sério! É uma faixa de menos de 3 minutos que fala simplesmente sobre se apaixonar por uma garota, e ponto. Não é uma música ruim… só parece pertencer a outro álbum. Encaixaria muito bem num disco do Mötley Crüe, e não aqui.
5 — The Riddle Master
Pronto, voltamos ao normal. E na primeira frase já aparece “dungeons”! A música começa mais sombria e cadenciada, com o vocal mudando novamente e arriscando vários rasgados.
Como não podia faltar, lutar com aço contra o demônio é citado… mas fica tranquilo, eles ganham no final.
Destaque para o refrão que é basicamente um “no no no noooo” que não devia funcionar, mas funciona muito bem.
Só cuidado com o solo, que é um tanto… incompreensível. Mas tudo bem: a velocidade aumenta depois dele e você logo vai estar batendo cabeça!
6 — The Ram
Aqui temos uma curiosidade: talvez o primeiro solo de guitarra “faltando notas” da história!
Ok, eu explico: eu não sou nenhum especialista em música, não toco oficialmente nenhum instrumento, e Mark “The Shark” Shelton certamente é infinitamente melhor do que eu, ele canta melhor que eu também, ENQUANTO toca.
Mas dito isso: eu não sei se é impressão minha, mas essa música, principalmente o solo, parece muito como se algumas notas estivessem simplesmente faltando e as frases não se completassem naturalmente até chegar às próximas. Faltou uma ou duas “notas de ligação” entre uma coisa e outra, o que causa um incômodo que não sei se é intencional, se é mixagem… ou o que aconteceu ali.
Mas, novamente: pode ser só coisa da minha cabeça, e algum professor de música está extremamente chateado agora. Mas fazer o quê? Só posso escrever sobre o que eu senti!
7 — The Veils of Negative Existence
Começando com uma risada distorcida para dar o clima, essa música é pura viagem, com direito a dimensão tesseract, um longship chamado Prydwen e, por algum motivo, Excalibur.
O vocal toma uma forma mais melodiosa e com um pouco mais de efeito. O clima geral é mais soturno e culmina em mais um solo explosivo e agudo (ainda um pouco incompreensível), com um final cheio de mudança de tempo, do jeito que a gente gosta.
8 — Dreams of Eschaton
O fã de Power Metal certamente está de braços cruzados até agora, pensando: “ok, cara, você tá falando que isso aí é o começo do metal espadinha, mas cadê o épico de mais de 10 minutos cheio de mudança de tempo, música contando história e que parece várias músicas dentro de uma só?”
Horas… pois nada tema, meu querido leitor. Aqui está ela!
Com 10 minutos e meio e mais um prólogo, esse épico mistura ragnarok, anticristo, mitologias diversas, mudanças de ritmo e puro deleite para qualquer fã do estilo.
Tudo que o álbum apresentou volta aqui, num pacote coeso e de peso, com direito a um final “falso” só para entrar um solo de piano belíssimo. Fecha com chave de ouro um álbum que é lendário, mas esquecido por muita gente.

Descanse em paz, sua lenda!
A estrada nunca tem fim
Infelizmente, após a trágica morte de Mark Shelton, o Manilla Road encerrou suas atividades em 2018. Apesar de nunca ter tido o sucesso dos pares que beberam de sua fonte (e vice-versa), eles seguiram tocando e lançaram muitos álbuns curiosos.
Como uma cartada do destino, Mark morreu justamente fazendo o que mais amava: tocando no Wacken, na terra de nascimento do Power Metal. O calor e a fumaça do show foram demais para o coração do senhor de 60 anos, que acabou falecendo horas depois.
A indústria da música nunca foi justa e jamais será. Mas cabe a nós sair um pouco das nossas bandas de conforto e ouvir essas coisas mais estranhas e perdidas por aí, em homenagem a todos que se foram e aos que ainda virão.
E você: que disco quer ver nessa série? Comenta aí!
메타데이터
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- 2026-06-12 07:40:50