Os extremos da SeleGalo — quando Renato Gaúcho e Éder atuaram juntos
As imagens assustavam. O assunto era pauta nos programas esportivos nacionais e também nos jornais locais. Um portão da Vila Olímpica…
Os extremos da SeleGalo — quando Renato Gaúcho e Éder atuaram juntos
As imagens assustavam. O assunto era pauta nos programas esportivos nacionais e também nos jornais locais. Um portão da Vila Olímpica, então local de treinamentos do Atlético, arrombado. Torcedores pisoteados, policiais machucados. A tragédia não aconteceu porque Deus, nesse momento, se mostrou Atleticano.
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Aquela euforia beirando a barbárie era para assistir a um simples treino do Atlético, em janeiro de 1994, com o super time que havia sido montado para apagar o vexame do Galo no Brasileiro do ano anterior. Outras manifestações do povão atleticano aconteceriam, como no treino que colocou oito mil pessoas na geral do Mineirão, às vésperas do primeiro jogo daquele super elenco.
Passando por uma grave crise financeira, a temporada de 1993 foi muito ruim, com um dos piores elencos da história do clube. No Campeonato Brasileiro, última posição entre 32 equipes e uma campanha vergonhosa, com uma vitória, dois empates e 11 derrotas. Só não foi rebaixado porque pelo regulamento da CBF os 16 clubes dos grupos A e B (os membros do Clube dos 13, mais Bragantino, Sport Recife e Guarani) não correriam esse risco, ficando o descenso para as equipes dos grupos C e D. Assistir aos jogos daquele Brasileiro era a certeza de sofrimento para a Massa. Algo precisava ser feito.
O empresário e político Newton Cardoso, governador de Minas Gerais entre 1987 e 1991, entrou na jogada e garantiu ao presidente Atleticano, Afonso Paulino, que turbinaria o clube com dinheiro para montar uma grande equipe. Assim, chegaram primeiro Neto, repatriado do futebol colombiano, e Luis Carlos Winck, do Vasco. Ainda vieram Darci, Adilson, Gaúcho e os dois pontas, motivo desse texto: Éder e Renato Gaúcho.

Antes de começar a sua última passagem pelo Atlético, Éder ficou meses parado após conquistar a Copa do Brasil de 1993 pelo Cruzeiro e foi chamado por Afonso Paulino para compor o superelenco do Galo. A maior estrela do elenco era Renato Gaúcho. De saída do Flamengo, negociou com o Fluminense, mas aceitou a proposta atleticana, mais vantajosa financeiramente. O ponta desembarcou em Belo Horizonte com muita festa da Massa no Aeroporto da Pampulha. Os dois eram, ao lado de Neto, as grandes atrações daquele time que prometia uma temporada de vitórias.
Havia muitas semelhanças entre Renato e Éder. Foram ídolos do Grêmio no início das suas carreiras, mas não jogaram juntos. Quando o ponta direita estreou no tricolor gaúcho, em 1980, o ponta esquerda já havia sido negociado com o Atlético. Ambos faziam grande sucesso com o público feminino e colecionavam conquistas de belas mulheres, além de terem temperamento forte, explosivo.
Também fizeram carreira na seleção brasileira e disputaram copas do Mundo. Éder, em 1982, e Renato, em 1990. Uma última coincidência: os dois foram cortados pelo disciplinador Telê Santana e não foram ao México, em 1986. Renato por ter perdido a hora em um dia de folga e ter pulado o muro da Toca da Raposa, concentração da seleção em Belo Horizonte às vésperas do mundial. Éder, meses antes, por ter sido expulso após agredir um jogador peruano em um amistoso disputado em São Luis.
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Eles chegaram a atuar juntos pela seleção em amistosos, Copa América e eliminatórias. Foram 12 partidas, nos anos de 1983 e 1986. Na primeira vez que compuseram o ataque da seleção brasileira, cada um deixou sua marca uma vez na goleada em cima do Equador, por 5 a 0, em 01 de setembro de 1983, em partida válida pela Copa América, no Serra Dourada. Naquele ano, Éder era um dos grandes nomes da seleção e Renato um craque que já arrebentava no Grêmio. Eles atuaram juntos mais cinco vezes em 1983. Nos empates contra Argentina (0 a 0), Paraguai (1 a 1) e Uruguai (1 a 1), na vitória sobre os paraguaios (1 a 0, gol de Éder) e na derrota para a celeste olímpica (2 a 0), todos os jogos válidos pela Copa América daquele ano.
Os talentosos e temperamentais atacantes voltariam a vestir a camisa amarela juntos em 1986, em amistosos e partidas pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo do México. Estavam em campo em vitórias contra a Bolívia (2 a 0), Chile (3 a 1), Paraguai (1 a 0, gol de Renato) e empates contra os mesmos paraguaios (1 a 1) e bolivianos (1 a 1), além daquela que seria a última partida de Éder pela seleção, a goleada sobre o Peru (4 a 0), em um amistoso disputado em 01 de abril de 1986. Depois dessa partida, voltariam a atuar em uma mesma equipe somente 12 anos depois, com a camisa do Atlético, em 1994, em uma temporada que prometia muito para o torcedor Atleticano.
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Porém, a grande verdade é que a SeleGalo não deu liga. Mesmo com grandes estrelas, foi um time carregado nas costas no primeiro semestre pelo jovem atacante Reinaldo Rosa, que em algumas oportunidades salvou o time de derrotas com seus gols, mas não evitou o vice-campeonato mineiro. A temporada começou com Vantuir Galdino como treinador, que não conseguiu domar as feras e foi substituído por Valdir Espinosa, demitido entre as duas partidas do mata-mata das 4as de final da Copa do Brasil, contra o Vasco. Levir Culpi entrou no seu lugar e após afastar alguns medalhões, como Neto, negociado com o Santos, Luiz Carlos Winck, e o próprio Renato Gaúcho, aos poucos ajustou o time.
A oscilação do time fez com que Éder e Renato vestissem juntos a camisa atleticana como titulares somente em 10 oportunidades, com quatro vitórias, três empates e três derrotas. Em outras, Éder estava no banco e entrou durante a partida.
Confira abaixo a lista completa das vezes em que ambos estiveram em campo com a camisa do Galo na mesma partida:
17.02.94 — CAM 1x 0 Alfenense. Renato titular e Éder entrou no lugar do Neto;
20.02.94 — Patrocinense 2x2 CAM — Éder entrou no lugar de Bira
06.03,94 — CAM 1x3 Cruzeiro — Éder entrou no lugar de Darci
20.03.94 — CAM 2x0 América — Os dois titulares pela primeira vez
06.04.94 — Atlético TC 0x1 CAM — os dois titulares
08.04.94 — Alfenense 0x1 CAM — Éder no lugar de Neto
12.04.94 — Remo 2x1 CAM — Os dois titulares
17.04.94 — CAM 4x0 Patrocinense — Os dois titulares. Única partida em que ambos marcaram
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21.04.94 — Democrata GV 1x1 CAM — Os 2 titulares
27.04.94 — CAM 0x0 Villa Nova — Os 2 titulares
01.05.94 — Cruzeiro 1x1 CAM — Os 2 titulares
17.05.94 — CAM 2x0 Remo — Os 2 titulares
22.05.94 — América 2x0 CAM — Os 2 titulares
19.06.94 — CAM 3x4 Vasco — Na primeira partida de Levir Culpi dirigindo o Atlético, os 2 foram titulares juntos pela última vez.
05.10.94 — CAM 3x0 União São João (SP) — Éder no lugar de Zé Carlos
09.10.94 — Criciúma 2x0 CAM — Éder no lugar de Zé Carlos
16.10.94 — CAM 1x1 Bragantino — Éder no lugar de Carlos e ainda marcou um golaço
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20.10.94 — CAM 1x0 Náutico — Éder no lugar de Carlos
23.10.94 — CAM 1x0 Cruzeiro — Éder no lugar do Renato, única vez que essa substituição aconteceu.
Assim como jogaram grande parte das suas carreiras, cada um pelo seu lado do campo, a história dos dois polêmicos craques naquela SeleGalo também foi de extremos.
Após a vitória no clássico válido pelo primeiro turno da repescagem do Campeonato Brasileiro de 1994, Renato foi afastado do time por Levir Culpi e só jogaria de novo com a camisa do Atlético pelos reservas, contra o União São João, em Araras, na última rodada da repescagem, em 27 de novembro. Renato terminou sua passagem pelo Atlético com 37 partidas, 17 vitórias, oito empates, 11 derrotas e 10 gols marcados.
Éder ainda teria momentos de brilho com a camisa atleticana, principalmente nas fases finais daquele Brasileiro, contra Botafogo e Corinthians, e no Campeonato Mineiro de 1995, quando conquistou o último título pelo Galo. Em sua última passagem pelo clube do coração, fez 31 partida e marcou seis gols.
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Fontes:
https://rsssfbrasil.com/historical.htm
http://galopedia.blogspot.com/search/label/1994
Revista Placar N°1091 — Fevereiro/94 — https://books.google.com.br/books?id=2DRAI2nQU0kC&printsec=frontcover&hl=pt-BR#v=onepage&q&f=false
메타데이터
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