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contagem regressiva para janeiro

Hoje a minha cabeça carrega o peso do mundo inteiro. Não é um peso que dói de maneira aguda, parece uma presença constante, não sei…

Mateus Andrade · 2025-12-18 04:15 · 100 claps · 2.3 min read
#introspectivos #ansiedade #natal #prosa-poetica
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contagem regressiva para janeiro

Foto de Siddharth Bhogra na Unsplash

Foto de Siddharth Bhogra na Unsplash

Hoje a minha cabeça carrega o peso do mundo inteiro. Não é um peso que dói de maneira aguda, parece uma presença constante, não sei explicar. O quarto está frio. É um dia chuvoso no meio de dezembro. Engraçado. Todos os anos minha mãe fala desses três dias de chuva, que são enviados por alguma santa que não me lembro o nome.

O despertador tocou e eu não ouvi… perdi a hora.

Estava tão mergulhado em algum sonho que, por acaso, não me lembro. Quem me resgatou do abismo, de novo, foi o cachorro do vizinho. Um latido que é sempre desesperado e absurdamente alto.

Preciso me levantar. O comando está claro na mente, mas entre o que eu preciso e o que eu consigo fazer, existe um abismo imenso.

Mas o meu corpo afunda mais no colchão.

O final do ano está aí. O trabalho se acumula nessa época. É tanta coisa, que nem sei por onde começar. Pelo barulho do celular, estão me mandando mensagens. É preciso um esforço imenso para que eu consiga pegá-lo e me certificar de que é da agência. Tenho um trauma com essa modernidade que permitiu que hoje seja normal estarmos em casa e no trabalho ao mesmo tempo. Segunda-feira, sete e meia da manhã, e a minha cama virou um posto avançado do escritório.

Sabe, tenho um pouco de raiva de quem acorda disposto, falando de trabalho na segunda. Não pode ser só comigo isso. Alguém tem que fazer parte desse grupo além de mim.

Eu nunca acordo disposto numa segunda.

Droga! Eu sei que preciso levantar, mas meus braços e pernas parecem de chumbo.

Eu prometi que ia dormir cedo ontem. Mas, como sempre, às dez da noite, eu resolvi ter ótimas ideias para concluir um projeto. É sempre assim. Quando o mundo está adormecendo, meu corpo é tomado por alguma espécie de outro eu, que é extremamente criativo. Chamo ele de meu passageiro noturno. Ele chega com soluções brilhantes, mas cobra a energia no dia seguinte, e some. Tenho as melhores ideias pra escrever, rabiscar, trabalhar, e isso me transporta para um lugar onde eu simplesmente não vejo as horas passarem.

A tela do celular acende outra vez, uma luz azulada. O trabalho que pensei que já estava concluído vai sofrer alterações. Alguém esqueceu de me passar detalhes que vão me obrigar a mexer em todo o espaçamento. Agora, eu tenho cada vez menos tempo pra entregar e mais trabalho pra refazer.

O Natal está chegando, e com ele, uma espécie de pressão no peito. Não é tristeza, é outra coisa. Não sei exatamente se é a percepção do tempo que está passando, o fechamento forçado de ciclos, a saudade de uma felicidade que talvez nunca tenha experimentado.

As pessoas ficam felizes demais. Quem começa a fazer doações sente um orgasmo em anunciar isso aos quatro ventos.

Eu, em silêncio, só quero que passe logo. Normalmente convido muitas pessoas, acho que na tentativa de estar sempre fazendo alguma coisa, e com isso o tempo passa mais depressa. Às vezes dá certo.

Chegou outra mensagem. Preciso me levantar. Acho que é isso que o cachorro do vizinho está tentando me dizer.

segunda-feira, 7h42 da manhã. em algum lugar do mundo.


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