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Doutores da Igreja Católica e o Filioque - Parte I

Matheus. · 2025-05-01 16:40 · 0 claps · 10.3 min read
#teologia #catolicismo #espírito-santo #filioque #doutor
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Doutores da Igreja Católica e o Filioque - Parte I

Esta tradução foi realizada com auxílio de inteligência artificial e, embora tenha seguido rigorosamente os critérios solicitados (fidelidade ao original latino precisão terminológica e estilo solene) pode conter erros ou imprecisões.

São Pedro Damião, OSB. Opusculum 38. Contra Errorem Graecorum De Processione Spiritus Sancti.

São Pedro Damião, OSB. Opusculum 38. Contra Errorem Graecorum De Processione Spiritus Sancti.

Opúsculo XXXVIII — Sobre a Processão do Espírito Santo (Contra o Erro dos Gregos acerca da Processão do Espírito Santo)

Argumento: Escrevendo ao patriarca [de Constantinopla], disputa contra a heresia dos gregos, que impiamente afirmavam que o Espírito Santo procede apenas do Pai, e não do Filho. Refuta essa opinião com brilhantismo e prova a verdade contrária mediante razões sólidas e autoridades incontestáveis. Escreve ao patriarca sobre este assunto porque ele próprio havia pedido ao Pontífice Romano que lhe esclarecesse esta questão.

Ao senhor L., beatíssimo patriarca, P. pecador, monge servo

O religioso bispo da Igreja de Popília relatou-me que ouviu da boca do reverendíssimo patriarca de Grado que vossa santidade dirigiu à Sé Apostólica, por cartas sagradas, uma questão muito necessária à fé católica, e pediu ao santíssimo papa Alexandre que a resolvesse com testemunhos invencíveis das Escrituras: a saber, por que entre os latinos se diz que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, enquanto entre os gregos se crê que procede somente do Pai. Sobre esta questão, presumo expor o que penso, com o auxílio do próprio Espírito Santo, de Quem tratamos. Não que me tenha sido imposto algo sobre este assunto por vós ou pela autoridade do Romano Pontífice — pois como se dignaria confiar tão grande matéria a um homem inexperiente, quando é certo que Ele conta com tantos santos e doutos varões? Mas, ainda que eu seja ignorante e servo inútil na casa de meu Senhor Jesus, apresso-me a oferecer-me a estes serviços, ainda que ninguém me tenha convocado.

Capítulo Primeiro Da Autoridade do Romano Pontífice

É digna de louvor a prudência de vossa santidade, e deve ser exaltada a vossa piedosa diligência, que, para resolver a questão do Espírito Santo, não a dirigistes a outro qualquer, mas especialmente a Pedro, a quem reconheceis sem dúvida ter recebido as chaves da sabedoria e do poder celestiais. Não convinha que um homem de tão grande dignidade e sabedoria buscasse os mistérios celestiais de outro senão daquele a quem nem a carne nem o sangue instruíram, mas a quem o próprio Deus dignou-Se revelar Seus segredos: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus" (Mt 16). Pois o Criador do mundo o escolheu, entre todos os mortais, para ocupar perpetuamente, por privilégio, a cátedra do magistério na Igreja; de modo que quem deseja conhecer algo divino e profundo recorra aos oráculos deste mestre.

E que maravilha se um sacerdote, ainda que insigne em santidade e versado nas Escrituras, enviou [sua dúvida] ao magistério do príncipe dos apóstolos, a quem até um anjo enviou Cornélio, as primícias dos gentios, para ser instruído? Pois o anjo poderia tê-lo ensinado, mas não quis usurpar o ofício daquele a quem sabia ter sido confiado o ensino. Também Paulo, embora fosse "apóstolo não da parte dos homens, nem por meio de homem, mas por Jesus Cristo e Deus Pai" (Gl 1), foi a Pedroe permaneceu com ele por quinze dias (Gl 1:18), simbolizando nos números sete e oito os sacramentos do Antigo e do Novo Testamento.

Opúsculo XXXVIII — Sobre a Processão do Espírito Santo (Contra o Erro dos Gregos acerca da Processão do Espírito Santo)

Capítulo II Qual é a origem do erro dos gregos?

Em primeiro lugar, devemos explicar de onde surge essa ignorância, pela qual quase todos os gregos e alguns latinos afirmam que o Espírito Santo procede não do Filho, mas somente do Pai. Eles baseiam-se nas palavras do Senhor: "Não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai que fala em vós"(Mt 10). E ainda: "Eis que Eu envio sobre vós a promessa de meu Pai" (Lc 24). E também: "Quando vier o Paráclito, que Eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim" (Jo 15). Sobre isso, diz ainda: "Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paráclito, para que permaneça convosco para sempre, o Espírito da verdade" (Jo 14). E em outro lugar: "O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, vos ensinará todas as coisas"(Jo 14). E ainda: "Se vós, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que Lho pedirem?"* (Mt 7).

Com estas e outras passagens evangélicas, sustentam que o Espírito Santo não procede do Filho, mas apenas do Pai. Também entre os Doutores da língua latina encontra-se algo que parece concordar com essa opinião. O bem-aventurado Jerônimo, na exposição da fé que enviou aos bispos Alípio e Agostinho, diz: "Cremos no Espírito Santo, Senhor verdadeiro, que procede do Pai, igual em tudo ao Pai e ao Filho."Santo Agostinho, contra o herege Máximo, afirma: "Do Pai é o Filho, do Pai é o Espírito Santo." O bem-aventurado Papa Leão, na tábua de prata colocada diante do sagrado corpo do apóstolo Paulo, escreveu: "E no Espírito Santo, Senhor e vivificador, que procede do Pai, com o Pai e o Filho adorado e glorificado."No símbolo do Concílio de Niceia, diz-se: "Cremos no Espírito Santo, que propriamente procede do Pai, e é verdadeiro Deus, como o Filho."

Mas como conciliar isso?Pois se o Filho diz: "Eu e o Pai somos um" (Jo 10), como pode o Espírito Santo proceder e não proceder daquilo que é um?

Capítulo III Que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho*

Que o Espírito Santo proceda do Pai, não há dúvida nem entre gregos nem entre latinos, e não carece de provas, pois as Escrituras o afirmam claramente. Mas que Ele proceda também do Filho — eis a questão.

Como diz o Apóstolo: "O Espírito Santo tudo perscruta, até as profundezas de Deus. Pois, quem entre os homens conhece o que há no homem, senão o espírito do homem que nele está? Assim também ninguém conhece o que há em Deus, senão o Espírito de Deus"(1Cor 2). Como poderia o entendimento humano alcançarde que modo o Pai gera inefavelmente o Filho, ou como o Espírito Santo procede do Pai e de ambos, se Deus não o tivesse revelado pelos profetas ou pelo Verbo encarnado? "A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das que não se veem" (Hb 11).

Portanto, não devemos seguir conjecturas humanas, mas apenas a verdade das Escrituras, para crer sobre Deus o que a própria Divindade revelou.

Opúsculo XXXVIII — Sobre a Processão do Espírito Santo (Contra o Erro dos Gregos acerca da Processão do Espírito Santo)

Capítulo III (continuação)

A autoridade evangélica nos ensina claramente que o Espírito Santo procede também do Filho. O Senhor diz: "O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas" (Jo 14). E em outro lugar: "Quando vier o Paráclito, que eu vos enviarei da parte do Pai" (Jo 15). Visto que o Pai envia o Paráclito em nome do Filho, e o Filho o envia da parte do Pai, é evidente que, assim como é enviado por ambos - que sem dúvida são um - da mesma forma procede de ambos.

Quando o Espírito é frequentemente chamado de "Espírito da Verdade", e Cristo é a própria Verdade, então o Espírito da Verdade é sem dúvida o Espírito do Filho. Por isso diz também: "Ele me glorificará, porque receberá do que é meu" (Jo 16). Receberá do que é meu porque está em mim. Isaías registra as palavras do Pai ao Filho: "O meu Espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras que coloquei na tua boca, não se afastarão dela, nem da boca da tua descendência, para sempre" (Is 59:21). Este mesmo Espírito é a virtude que dele saía, como se lê no Evangelho: "E a virtude do Senhor estava com ele para curar" (Lc 5:17).

Capítulo IV Resolve uma possível dúvida

Se alguém perguntar: sendo o Filho da substância do Pai, e o Espírito Santo também da substância do Pai, por que um é Filho e o outro não? Respondemos adequadamente: do Pai é o Filho, e do Pai é o Espírito Santo; mas aquele é gerado, este procede. Portanto, aquele é Filho do Pai, de quem foi gerado; este é Espírito de ambos, porque procede de ambos.

Tanto a geração do Filho quanto a processão do Espírito são não apenas inefáveis, mas totalmente incompreensíveis. Nas coisas que nossa mente não pode penetrar, devemos manter firme a fé naqueles por quem o Espírito Santo falou, como se as víssemos com nossos olhos. Embora os segredos da profundidade divina nos sejam desconhecidos, não duvidamos do que o Senhor diz, nem do que encontramos nos oráculos dos profetas.

Capítulo V Responde a outra objeção

Aqui talvez me objetem: "Não entendeis o Evangelho, não sabeis o significado dos oráculos proféticos, que muitas vezes mostram uma coisa na superfície da letra e contêm outra na verdade espiritual". A isso respondemos facilmente que houve muitos varões apostólicos e católicos, cuja piedade e santidade foram comprovadas por muitos sinais de virtudes, e sobre os quais não resta nenhuma dúvida. Estes expuseram a fé ortodoxa em palavras simples e deixaram escritos para memória da posteridade.

Opúsculo XXXVIII — Sobre a Processão do Espírito Santo (Contra o Erro dos Gregos acerca da Processão do Espírito Santo)

Capítulo V (continuação)

Aos santos Padres coube examinar estas questões a partir das sentenças apostólicas e proféticas; a nós, porém, nada mais resta senão obedecer às suas definições já estabelecidas. A eles pesou a necessidade de investigar cuidadosamente estes mistérios e definir a regra certa da fé; nós devemos seguir pelo caminho que nossos maiores trilharam.

O que eles então hauriam dos mananciais evangélicos, proféticos e apostólicos, isso nos transmitiram fielmente, como diz o Salmista: "Nas assembleias bendizei a Deus, o Senhor, vós que sois da fonte de Israel" (Sl 67:26). Recebemos com segurança e sem temor a pureza da fé que por eles flui até nós como riachos da verdade, alegrando-nos por haurir desta fonte divina.

Ouçamos o que diz São Ambrósio sobre a processão do Espírito Santo no sexto livro da Fé, dirigido ao imperador Graciano: "O Espírito Santo não é enviado como se viesse de um lugar, nem procede como se saísse de um lugar, quando procede do Filho". E pouco depois: "O Espírito Santo, quando procede do Pai, sai do Filho; e com razão procede de ambos, pois está igualmente em ambos". Como no oitavo livro da mesma obra afirma: "O Pai está no Filho e o Filho no Pai; assim o Espírito de Deus está no Pai e no Filho".

Santo Agostinho, que em todo seu livro sobre a Santíssima Trindade inúmeras vezes afirma que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, declara: "Naquela Santíssima Trindade, um é o Pai, que só de si mesmo gerou essencialmente o Filho; e um é o Filho, que só do Pai foi essencialmente gerado; e um é o Espírito Santo, que só essencialmente procede do Pai e do Filho".

São Jerônimo também escreveu: "O Espírito, que procede do Pai e do Filho, é coeterno e igual em tudo ao Pai e ao Filho. Esta é a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo; uma só divindade e poder, uma só essência: o Pai que gera, o Filho que é gerado, e o Espírito Santo que procede do Pai e do Filho".

O Papa São Gregório, em seu Símbolo de Fé, professa: "Creio no Pai não gerado, no Filho gerado, e no Espírito Santo nem gerado nem não gerado, mas coeterno, procedente do Pai e do Filho".

Capítulo VI Resolve outra dúvida

Se alguém ainda perguntar: por que o Filho disse que o Espírito procede do Pai, sem mencionar "e de mim"? Devemos entender que o Filho costuma referir ao Pai até o que é seu, pois do Pai ele recebe tudo: tanto o ser Deus como o fato de o Espírito proceder também dele. Por isso disse: "A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou" (Jo 7:16).

Assim como aqui reconhecemos ser sua a doutrina que atribui ao Pai, muito mais devemos entender que o Espírito procede também dele quando diz "procede do Pai", sem negar "procede de mim". Do mesmo modo, quando diz: "Quem crê em mim, não crê em mim, mas naquele que me enviou" (Jo 12:44), devemos entender que a fé no Filho é fé no Pai, pois eles são um.

Quando afirma: "A minha doutrina não é minha", não cria contradição, mas mostra a distinção entre a natureza divina e humana: como Verbo do Pai, a doutrina é sua; como enviado na carne, é do Pai. Assim se harmonizam todas as Escrituras sobre este mistério inefável.

Opúsculo XXXVIII — Sobre a Processão do Espírito Santo (Contra o Erro dos Gregos acerca da Processão do Espírito Santo)

Capítulo VII Como se diz no Símbolo Niceno que o Espírito Santo procede propriamente do Pai

Quando o Filho afirma que sua doutrina, embora sua, não é sua, mas do Pai (Jo 7:16), por que admirar-se que diga que o Espírito Santo procede do Pai, de quem Ele mesmo recebeu que o Espírito procedesse também d'Ele? No Símbolo do Concílio de Niceia, como já mencionamos, o Espírito Santo não é dito simplesmente proceder do Pai, mas acrescenta-se "propriamente": "E no Espírito Santo, que do Pai procede propriamente".

Esta propriedade não é dada ao Pai para que o Espírito Santo proceda somente d'Ele, mas porque foi o Pai quem concedeu ao Filho que o Espírito procedesse também d'Ele. Santo Agostinho no livro sobre a Santíssima Trindade afirma: "Não sem razão nesta Trindade não se diz Verbo de Deus senão o Filho, nem Dom de Deus senão o Espírito Santo, nem Aquele de quem é gerado o Verbo e de quem procede principalmente o Espírito Santo senão Deus Pai". E acrescenta: "Digo 'principalmente' porque o Espírito Santo também procede do Filho. Mas isto também o Pai Lhe deu, não a um já existente que ainda não tinha, mas tudo o que deu ao Verbo Unigênito, deu-Lhe ao gerá-Lo".

Não deve perturbar a fé quando ouve que o Espírito Santo procede propriamente ou principalmente do Pai, pois foi o Pai quem concedeu ao Filho que d'Ele também procedesse, assim como o Filho procede do Pai por geração inefável e incompreensível. Como diz a Sabedoria que é o Filho: "Eu saí da boca do Altíssimo" (Eclo 24:5), e no Evangelho: "Eu saí de Deus e vim" (Jo 8:42).

Cuidemos, porém, para não pensarmos que, ao afirmarmos que o Filho recebeu do Pai que o Paráclito proceda d'Ele, o Espírito Santo proceda do Pai para nossa santificação como se por graus distintos. Longe de nós tal pensamento, como se houvesse diversidade de graus na divindade simples e incompreensível, quando a Escritura diz: "Não subirás por degraus ao meu altar" (Ex 20:26).

Devemos crer sem dúvida que o Espírito Santo procede de ambos simultaneamente, ainda que o Pai tenha concedido ao Filho que, assim como d'Ele, também do Filho proceda. O Espírito Santo é certa comunhão inefável do Pai e do Filho, e por isso parece ter este nome, pois sem dúvida convém a ambos. Pois o que é próprio do Espírito é comum a ambos, já que o Pai é Espírito e o Filho é Espírito; o Pai é Santo e o Filho é Santo. E assim como este nome convém igualmente a ambos, da mesma forma Ele procede de ambos.

Poderíamos ainda acumular muitos exemplos das Escrituras e não seria difícil trazer em nosso apoio os ilustres defensores da fé católica com seus argumentos. Mas, como somos proibidos por lei de plantar árvores junto ao altar (Jz 6:25), não queremos cobrir o pão do Espírito com as folhas prolixas do discurso.


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