Doutores da Igreja Católica e o Filioque - Parte I
Doutores da Igreja Católica e o Filioque - Parte I
Esta tradução foi realizada com auxílio de inteligência artificial e, embora tenha seguido rigorosamente os critérios solicitados (fidelidade ao original latino precisão terminológica e estilo solene) pode conter erros ou imprecisões.

São Pedro Damião, OSB. Opusculum 38. Contra Errorem Graecorum De Processione Spiritus Sancti.
Opúsculo XXXVIII — Sobre a Processão do Espírito Santo (Contra o Erro dos Gregos acerca da Processão do Espírito Santo)
Argumento: Escrevendo ao patriarca [de Constantinopla], disputa contra a heresia dos gregos, que impiamente afirmavam que o Espírito Santo procede apenas do Pai, e não do Filho. Refuta essa opinião com brilhantismo e prova a verdade contrária mediante razões sólidas e autoridades incontestáveis. Escreve ao patriarca sobre este assunto porque ele próprio havia pedido ao Pontífice Romano que lhe esclarecesse esta questão.
Ao senhor L., beatíssimo patriarca, P. pecador, monge servo
O religioso bispo da Igreja de Popília relatou-me que ouviu da boca do reverendíssimo patriarca de Grado que vossa santidade dirigiu à Sé Apostólica, por cartas sagradas, uma questão muito necessária à fé católica, e pediu ao santíssimo papa Alexandre que a resolvesse com testemunhos invencíveis das Escrituras: a saber, por que entre os latinos se diz que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, enquanto entre os gregos se crê que procede somente do Pai. Sobre esta questão, presumo expor o que penso, com o auxílio do próprio Espírito Santo, de Quem tratamos. Não que me tenha sido imposto algo sobre este assunto por vós ou pela autoridade do Romano Pontífice — pois como se dignaria confiar tão grande matéria a um homem inexperiente, quando é certo que Ele conta com tantos santos e doutos varões? Mas, ainda que eu seja ignorante e servo inútil na casa de meu Senhor Jesus, apresso-me a oferecer-me a estes serviços, ainda que ninguém me tenha convocado.
Capítulo Primeiro Da Autoridade do Romano Pontífice
É digna de louvor a prudência de vossa santidade, e deve ser exaltada a vossa piedosa diligência, que, para resolver a questão do Espírito Santo, não a dirigistes a outro qualquer, mas especialmente a Pedro, a quem reconheceis sem dúvida ter recebido as chaves da sabedoria e do poder celestiais. Não convinha que um homem de tão grande dignidade e sabedoria buscasse os mistérios celestiais de outro senão daquele a quem nem a carne nem o sangue instruíram, mas a quem o próprio Deus dignou-Se revelar Seus segredos: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus" (Mt 16). Pois o Criador do mundo o escolheu, entre todos os mortais, para ocupar perpetuamente, por privilégio, a cátedra do magistério na Igreja; de modo que quem deseja conhecer algo divino e profundo recorra aos oráculos deste mestre.
E que maravilha se um sacerdote, ainda que insigne em santidade e versado nas Escrituras, enviou [sua dúvida] ao magistério do príncipe dos apóstolos, a quem até um anjo enviou Cornélio, as primícias dos gentios, para ser instruído? Pois o anjo poderia tê-lo ensinado, mas não quis usurpar o ofício daquele a quem sabia ter sido confiado o ensino. Também Paulo, embora fosse "apóstolo não da parte dos homens, nem por meio de homem, mas por Jesus Cristo e Deus Pai" (Gl 1), foi a Pedroe permaneceu com ele por quinze dias (Gl 1:18), simbolizando nos números sete e oito os sacramentos do Antigo e do Novo Testamento.
Opúsculo XXXVIII — Sobre a Processão do Espírito Santo (Contra o Erro dos Gregos acerca da Processão do Espírito Santo)
Capítulo II Qual é a origem do erro dos gregos?
Em primeiro lugar, devemos explicar de onde surge essa ignorância, pela qual quase todos os gregos e alguns latinos afirmam que o Espírito Santo procede não do Filho, mas somente do Pai. Eles baseiam-se nas palavras do Senhor: "Não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai que fala em vós"(Mt 10). E ainda: "Eis que Eu envio sobre vós a promessa de meu Pai" (Lc 24). E também: "Quando vier o Paráclito, que Eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim" (Jo 15). Sobre isso, diz ainda: "Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paráclito, para que permaneça convosco para sempre, o Espírito da verdade" (Jo 14). E em outro lugar: "O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, vos ensinará todas as coisas"(Jo 14). E ainda: "Se vós, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que Lho pedirem?"* (Mt 7).
Com estas e outras passagens evangélicas, sustentam que o Espírito Santo não procede do Filho, mas apenas do Pai. Também entre os Doutores da língua latina encontra-se algo que parece concordar com essa opinião. O bem-aventurado Jerônimo, na exposição da fé que enviou aos bispos Alípio e Agostinho, diz: "Cremos no Espírito Santo, Senhor verdadeiro, que procede do Pai, igual em tudo ao Pai e ao Filho."Santo Agostinho, contra o herege Máximo, afirma: "Do Pai é o Filho, do Pai é o Espírito Santo." O bem-aventurado Papa Leão, na tábua de prata colocada diante do sagrado corpo do apóstolo Paulo, escreveu: "E no Espírito Santo, Senhor e vivificador, que procede do Pai, com o Pai e o Filho adorado e glorificado."No símbolo do Concílio de Niceia, diz-se: "Cremos no Espírito Santo, que propriamente procede do Pai, e é verdadeiro Deus, como o Filho."
Mas como conciliar isso?Pois se o Filho diz: "Eu e o Pai somos um" (Jo 10), como pode o Espírito Santo proceder e não proceder daquilo que é um?
Capítulo III Que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho*
Que o Espírito Santo proceda do Pai, não há dúvida nem entre gregos nem entre latinos, e não carece de provas, pois as Escrituras o afirmam claramente. Mas que Ele proceda também do Filho — eis a questão.
Como diz o Apóstolo: "O Espírito Santo tudo perscruta, até as profundezas de Deus. Pois, quem entre os homens conhece o que há no homem, senão o espírito do homem que nele está? Assim também ninguém conhece o que há em Deus, senão o Espírito de Deus"(1Cor 2). Como poderia o entendimento humano alcançarde que modo o Pai gera inefavelmente o Filho, ou como o Espírito Santo procede do Pai e de ambos, se Deus não o tivesse revelado pelos profetas ou pelo Verbo encarnado? "A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das que não se veem" (Hb 11).
Portanto, não devemos seguir conjecturas humanas, mas apenas a verdade das Escrituras, para crer sobre Deus o que a própria Divindade revelou.
Opúsculo XXXVIII — Sobre a Processão do Espírito Santo (Contra o Erro dos Gregos acerca da Processão do Espírito Santo)
Capítulo III (continuação)
A autoridade evangélica nos ensina claramente que o Espírito Santo procede também do Filho. O Senhor diz: "O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas" (Jo 14). E em outro lugar: "Quando vier o Paráclito, que eu vos enviarei da parte do Pai" (Jo 15). Visto que o Pai envia o Paráclito em nome do Filho, e o Filho o envia da parte do Pai, é evidente que, assim como é enviado por ambos - que sem dúvida são um - da mesma forma procede de ambos.
Quando o Espírito é frequentemente chamado de "Espírito da Verdade", e Cristo é a própria Verdade, então o Espírito da Verdade é sem dúvida o Espírito do Filho. Por isso diz também: "Ele me glorificará, porque receberá do que é meu" (Jo 16). Receberá do que é meu porque está em mim. Isaías registra as palavras do Pai ao Filho: "O meu Espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras que coloquei na tua boca, não se afastarão dela, nem da boca da tua descendência, para sempre" (Is 59:21). Este mesmo Espírito é a virtude que dele saía, como se lê no Evangelho: "E a virtude do Senhor estava com ele para curar" (Lc 5:17).
Capítulo IV Resolve uma possível dúvida
Se alguém perguntar: sendo o Filho da substância do Pai, e o Espírito Santo também da substância do Pai, por que um é Filho e o outro não? Respondemos adequadamente: do Pai é o Filho, e do Pai é o Espírito Santo; mas aquele é gerado, este procede. Portanto, aquele é Filho do Pai, de quem foi gerado; este é Espírito de ambos, porque procede de ambos.
Tanto a geração do Filho quanto a processão do Espírito são não apenas inefáveis, mas totalmente incompreensíveis. Nas coisas que nossa mente não pode penetrar, devemos manter firme a fé naqueles por quem o Espírito Santo falou, como se as víssemos com nossos olhos. Embora os segredos da profundidade divina nos sejam desconhecidos, não duvidamos do que o Senhor diz, nem do que encontramos nos oráculos dos profetas.
Capítulo V Responde a outra objeção
Aqui talvez me objetem: "Não entendeis o Evangelho, não sabeis o significado dos oráculos proféticos, que muitas vezes mostram uma coisa na superfície da letra e contêm outra na verdade espiritual". A isso respondemos facilmente que houve muitos varões apostólicos e católicos, cuja piedade e santidade foram comprovadas por muitos sinais de virtudes, e sobre os quais não resta nenhuma dúvida. Estes expuseram a fé ortodoxa em palavras simples e deixaram escritos para memória da posteridade.
Opúsculo XXXVIII — Sobre a Processão do Espírito Santo (Contra o Erro dos Gregos acerca da Processão do Espírito Santo)
Capítulo V (continuação)
Aos santos Padres coube examinar estas questões a partir das sentenças apostólicas e proféticas; a nós, porém, nada mais resta senão obedecer às suas definições já estabelecidas. A eles pesou a necessidade de investigar cuidadosamente estes mistérios e definir a regra certa da fé; nós devemos seguir pelo caminho que nossos maiores trilharam.
O que eles então hauriam dos mananciais evangélicos, proféticos e apostólicos, isso nos transmitiram fielmente, como diz o Salmista: "Nas assembleias bendizei a Deus, o Senhor, vós que sois da fonte de Israel" (Sl 67:26). Recebemos com segurança e sem temor a pureza da fé que por eles flui até nós como riachos da verdade, alegrando-nos por haurir desta fonte divina.
Ouçamos o que diz São Ambrósio sobre a processão do Espírito Santo no sexto livro da Fé, dirigido ao imperador Graciano: "O Espírito Santo não é enviado como se viesse de um lugar, nem procede como se saísse de um lugar, quando procede do Filho". E pouco depois: "O Espírito Santo, quando procede do Pai, sai do Filho; e com razão procede de ambos, pois está igualmente em ambos". Como no oitavo livro da mesma obra afirma: "O Pai está no Filho e o Filho no Pai; assim o Espírito de Deus está no Pai e no Filho".
Santo Agostinho, que em todo seu livro sobre a Santíssima Trindade inúmeras vezes afirma que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, declara: "Naquela Santíssima Trindade, um é o Pai, que só de si mesmo gerou essencialmente o Filho; e um é o Filho, que só do Pai foi essencialmente gerado; e um é o Espírito Santo, que só essencialmente procede do Pai e do Filho".
São Jerônimo também escreveu: "O Espírito, que procede do Pai e do Filho, é coeterno e igual em tudo ao Pai e ao Filho. Esta é a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo; uma só divindade e poder, uma só essência: o Pai que gera, o Filho que é gerado, e o Espírito Santo que procede do Pai e do Filho".
O Papa São Gregório, em seu Símbolo de Fé, professa: "Creio no Pai não gerado, no Filho gerado, e no Espírito Santo nem gerado nem não gerado, mas coeterno, procedente do Pai e do Filho".
Capítulo VI Resolve outra dúvida
Se alguém ainda perguntar: por que o Filho disse que o Espírito procede do Pai, sem mencionar "e de mim"? Devemos entender que o Filho costuma referir ao Pai até o que é seu, pois do Pai ele recebe tudo: tanto o ser Deus como o fato de o Espírito proceder também dele. Por isso disse: "A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou" (Jo 7:16).
Assim como aqui reconhecemos ser sua a doutrina que atribui ao Pai, muito mais devemos entender que o Espírito procede também dele quando diz "procede do Pai", sem negar "procede de mim". Do mesmo modo, quando diz: "Quem crê em mim, não crê em mim, mas naquele que me enviou" (Jo 12:44), devemos entender que a fé no Filho é fé no Pai, pois eles são um.
Quando afirma: "A minha doutrina não é minha", não cria contradição, mas mostra a distinção entre a natureza divina e humana: como Verbo do Pai, a doutrina é sua; como enviado na carne, é do Pai. Assim se harmonizam todas as Escrituras sobre este mistério inefável.
Opúsculo XXXVIII — Sobre a Processão do Espírito Santo (Contra o Erro dos Gregos acerca da Processão do Espírito Santo)
Capítulo VII Como se diz no Símbolo Niceno que o Espírito Santo procede propriamente do Pai
Quando o Filho afirma que sua doutrina, embora sua, não é sua, mas do Pai (Jo 7:16), por que admirar-se que diga que o Espírito Santo procede do Pai, de quem Ele mesmo recebeu que o Espírito procedesse também d'Ele? No Símbolo do Concílio de Niceia, como já mencionamos, o Espírito Santo não é dito simplesmente proceder do Pai, mas acrescenta-se "propriamente": "E no Espírito Santo, que do Pai procede propriamente".
Esta propriedade não é dada ao Pai para que o Espírito Santo proceda somente d'Ele, mas porque foi o Pai quem concedeu ao Filho que o Espírito procedesse também d'Ele. Santo Agostinho no livro sobre a Santíssima Trindade afirma: "Não sem razão nesta Trindade não se diz Verbo de Deus senão o Filho, nem Dom de Deus senão o Espírito Santo, nem Aquele de quem é gerado o Verbo e de quem procede principalmente o Espírito Santo senão Deus Pai". E acrescenta: "Digo 'principalmente' porque o Espírito Santo também procede do Filho. Mas isto também o Pai Lhe deu, não a um já existente que ainda não tinha, mas tudo o que deu ao Verbo Unigênito, deu-Lhe ao gerá-Lo".
Não deve perturbar a fé quando ouve que o Espírito Santo procede propriamente ou principalmente do Pai, pois foi o Pai quem concedeu ao Filho que d'Ele também procedesse, assim como o Filho procede do Pai por geração inefável e incompreensível. Como diz a Sabedoria que é o Filho: "Eu saí da boca do Altíssimo" (Eclo 24:5), e no Evangelho: "Eu saí de Deus e vim" (Jo 8:42).
Cuidemos, porém, para não pensarmos que, ao afirmarmos que o Filho recebeu do Pai que o Paráclito proceda d'Ele, o Espírito Santo proceda do Pai para nossa santificação como se por graus distintos. Longe de nós tal pensamento, como se houvesse diversidade de graus na divindade simples e incompreensível, quando a Escritura diz: "Não subirás por degraus ao meu altar" (Ex 20:26).
Devemos crer sem dúvida que o Espírito Santo procede de ambos simultaneamente, ainda que o Pai tenha concedido ao Filho que, assim como d'Ele, também do Filho proceda. O Espírito Santo é certa comunhão inefável do Pai e do Filho, e por isso parece ter este nome, pois sem dúvida convém a ambos. Pois o que é próprio do Espírito é comum a ambos, já que o Pai é Espírito e o Filho é Espírito; o Pai é Santo e o Filho é Santo. E assim como este nome convém igualmente a ambos, da mesma forma Ele procede de ambos.
Poderíamos ainda acumular muitos exemplos das Escrituras e não seria difícil trazer em nosso apoio os ilustres defensores da fé católica com seus argumentos. Mas, como somos proibidos por lei de plantar árvores junto ao altar (Jz 6:25), não queremos cobrir o pão do Espírito com as folhas prolixas do discurso.
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- 2026-07-20 02:51:28