pensamentos de recém-acordado num domingo nas finaleiras de 2024
como nenhum guri quis ser meu amigo etc aqui em Porto Lucena apesar de tanto eu ter insistido até mesmo com um ou outro que eu já conhecia…
pensamentos de recém-acordado num domingo nas finaleiras de 2024

como nenhum guri quis ser meu amigo etc aqui em Porto Lucena apesar de tanto eu ter insistido até mesmo com um ou outro que eu já conhecia pessoalmente ou falava pela internet há uns anos atrás, ainda quando eu tava em Porto Alegre, e, infelizmente, tipo, eu lamento por eles até, sabe, praticamente todos se acharam tanto a ponto de considerar que eu estava os assediando! sim, um chegou ao cúmulo, na metade do ano, de ligar pro meu pai. ridículo isso. outros ameaçaram me bater, me matar, várias coisas. olha, decepção total. e ainda Porto Lucena quer continuar com o lema ‘Terra da Hospitalidade’? sério mesmo? Hipócritas.
não se cospe no prato que já comeu e nem se diz que desta água nunca mais beberei, porém, as pessoas têm limites, como diz numa das músicas do álbum deste ano do Thiago Pantaleão. e tem razão. eu também tenho limites. eu não dei em cima de nenhum, não fui vulgar, não tratei com desrespeito, mas tudo o que recebi em troca foi homofobia, por mais que não admitam.
esses caras, a gente sabe muito bem, não importa se são gays de verdade ou se são bissexuais ou se são realmente héteros, todos eles por aqui casam com gurias e têm filhos para se encaixarem numa norma geral que é muito rigorosa em Porto Lucena: é proibido ser LGBTQIA+ aqui. e também tem o lado ideológico deles, predominantemente alinhados a um pensamento extremista e fanático da ultra-direita conservadora e reacionária bolsonarista, até porque muitos levaram o ensino médio de qualquer jeito, terminaram e não sabiam o que fazer da vida e ficaram uns 2 anos no quartel em São Luiz Gonzaga, daí incorporaram essa coisa idiota de que o militarismo é algo maravilhoso que deve ser venerado.
poderiam dizer: mas quem é tu para julgar? olha, no caso de injustiças e intolerâncias, não é uma questão de julgamento, é apenas apontar os fatos e eu fui vítima e sou constantemente vítima dessas agressões sejam verbais, sejam através de um bullying na rua ou na internet (e isso desde criança), seja através de piadas, seja através de ataques diretos como criação de fakes se fazendo passar por gays para pedirem nudes pra mim e me expor pra cidade, tanta coisa já fizeram pra mim que eu nem sei como eu posso tá relativamente tranquilo e resignado em morar aqui. também ano passado minha mãe sofreu um atentado da extrema direita daqui, pois eu sempre fui muito stalkeado mesmo lá de Porto Alegre, quando eu não sabia que as pessoas daqui espionavam minha vida pelas redes sociais, em cada um das minhas redes sociais, e eu achava que eu tinha liberdade para fazer minhas análises e tecer minhas opiniões, afinal, eu sou bacharel em relações internacionais pela UFRGS, eu estudei muito de economia, direito, história, política externa, política internacional, segurança e defesa e estratégia, e várias disciplinas de ciência política puras, desde a clássica à contemporânea e é bastante decepcionante e triste e deprimente ver que eu me formei lá em 2017 e nunca ninguém na minha cidade natal deu ouvidos ou me levou a sério nas coisas que eu escrevo ou falo, simplesmente pelo fato de eles não concordarem e não querer enxergar a realidade concreto-sensível. não é que eu seja o dono da verdade, mas eu tenho um conhecimento científico na área das ciências humanas oriundo de uma das melhores universidades do país e qualquer um no meu lugar gostaria de pelo menos ter suas análises sejam políticas ou sociais ou qualquer outro tema respeitadas.
de qualquer forma, ah — sei lá — eu tenho TDAH e autismo leve, eu já me perdi aonde eu queria chegar quando comecei a escrever esse texto, que merda, mano! deixa eu pensar… hmm, na real talvez eu já tenha dito o cerne da questão que se resume no meu isolamento, na minha reclusão, no fato de que eu desenvolvi fobia social porque eu tenho medo das pessoas daqui, eu tenho medo de sair sozinho na rua até mesmo pra passear com meu cachorrinho que eu amo tanto e tenho ele como meu filho, sabe. e não é só medo pela minha integridade física, mas o medo da violência simbólica: das risadinhas, dos comentários maldosos, dos olhares que julgam o cara dos pés à cabeça e fazem me sentir um extraterrestre aqui, dos boatos e mentiras que espalham sobre mim, da censura ferrenha que, usando termos da psicologia social ou da psicanálise, é uma espécie de inconsciente coletivo, mais especificamente um supereu ou um superego coletivo dessas pessoas todas que pensam igual e que não concordam com nada a meu respeito por questões religiosas e ideológicas: não aceitam eu ser gay assumido embora não afeminado e discreto, sempre fiquei na minha, não aceitam o fato de eu ser marxista e existencialista e já pensam que eu sou petista e isso é ser o maior inimigo deles, não aceitam o fato de eu ter como ídolos diversos líderes e revolucionários comunistas, e de ser bastante simpático ao partido comunista porque, mano, eu estudei muito bem a história e a formação histórico-social do pensamento econômico brasileiro, a teoria da dependência dos países latinoamericanos, a questão imperialismo e tudo mais. e quando defendo a política externa dos governo Lula e depois Dilma é porque eu estudei elas com detalhes e foram muito assertivas, ou vocês vão dizer que a integração, seja através do Mercosul ou da cooperação Sul-Sul, representadda pelos BRICS que agora tem até um poderoso Banco de Desenvolvimento com aportes bilionários financiado pela China, pela Índia e outros membros, vocês realmente vão negar que isso não é importante pra gente contrabalancear os países do norte desenvolvido que sempre tentam impor goela abaixo as decisões no sistema internacional para nós aqui do sul global? apenas reflitam um pouco e usem o bom senso, sabe, deixem de ser tão ideológicos.
acho que era isso.
no mais, eu estou aberto a qualquer amizade, baseadas numa relação horizontal, no respeito mútuo, com responsabilidade afetiva e alteridade, isso pra mim é essencial, num mundo tão marcado pelo individualismo e pelo artificialismo, eu resisto lutando por relações verdadeiramente humanas e honestas, mesmo que eu receba como resposta todo tipo de violência, ataques e desprezo e isso não representa vitimismo de garoto branquelo pequeno-burguês filho de político, isso é ser realista sobre a sociedade brasileira dos últimos vinte anos.
bom domingo a todos! se cuidem!
G R TISSOT 22 dez, 24 6:07 am
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