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A Logística Pericial como Garantia de Rigor Técnico: Quando o “Como” Define o “O Quê”

A literatura técnica nos fornece os instrumentos e as teorias, mas é a prática forense que ensina a arquitetura do ato pericial. Com a…

Paco Abdo · 2025-11-13 18:55 · 0 claps · 1.6 min read
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A Logística Pericial como Garantia de Rigor Técnico: Quando o “Como” Define o “O Quê”

A literatura técnica nos fornece os instrumentos e as teorias, mas é a prática forense que ensina a arquitetura do ato pericial. Com a experiência, percebe-se que a logística da avaliação não é uma questão meramente administrativa; ela é parte intrínseca da validade metodológica e da ética do cuidado. Em Varas de Família, por exemplo, a gestão do tempo e do espaço é crítica.

Ao lidar com crianças de tenra idade, a prática recomenda a unificação estratégica de atos (entrevistas e visita domiciliar/interação) em um mesmo momento, sempre que possível.

Isso não visa a “economia de tempo” do perito, mas a preservação do sujeito. Evita-se a revitimização e o estresse de múltiplos deslocamentos para uma criança pequena.

Crucialmente, nessas ocasiões, a exigência prévia da presença de um terceiro neutro (cuidador, familiar estendido) para acompanhar a criança enquanto os genitores são entrevistados é um imperativo técnico. Isso garante que os adultos possam relatar as nuances do conflito conjugal sem expor o menor ao conteúdo traumático de sua própria disputa. Sem essa blindagem logística, a entrevista com os pais torna-se superficial ou, pior, iatrogênica para a criança presente (ou seja, a própria perícia — que deveria servir para proteger o interesse do menor — acaba causando um novo trauma ou dano emocional a ele).

Essa lógica de “preparo do terreno” se estende a outras competências:

Na Esfera Trabalhista e Previdenciária: O expert maduro sabe que o diagnóstico (CID) é secundário. O foco da entrevista deve migrar da “queixa clínica” para a avaliação funcional. A boa prática exige investigar a rotina, a autonomia e a compatibilidade do quadro com a atividade laboral específica, fugindo da mera repetição de laudos médicos assistenciais.

Na Esfera Criminal: A logística do sigilo e do rapport é vital. Garantir um ambiente onde o examinando se sinta minimamente seguro para falar — muitas vezes solicitando a retirada de algemas ou a ausência de agentes de custódia na sala (dentro dos limites de segurança) — é o que diferencia um interrogatório policial de uma avaliação psicológica pericial.

O perito experiente entende que o laudo começa muito antes da escrita. Ele começa no planejamento de um setting que permita que a verdade dos fatos emerja com o mínimo de interferência e o máximo de respeito à condição humana dos envolvidos.

Logística, na nossa área, é método.

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