Financiei meu primeiro apê aos 22 anos, sem fazer nada “do jeito certo”
Comprar um imóvel é um objetivo bem delicado para a maioria dos jovens adultos hoje em dia.
Financiei meu primeiro apê aos 22 anos, sem fazer nada “do jeito certo”

A foto clássica com a chave na mão e o apartamento no fundo. Simplesmente, não resisti.
Comprar um imóvel é um objetivo bem delicado para a maioria dos jovens adultos hoje em dia.
Na época dos nossos pais, parecia que todo mundo conseguia comprar um terreno e construir sua casa. Mas na nossa vez de ser adultos, um simples delivery já quebra o orçamento do mês.
Talvez por isso que 73% da geração Z e 68% dos Millennials se sentem atrasados na vida quando o assunto é “conquistas financeiras”, segundo essa pesquisa da meutudo.
Apesar de todas as estatísticas estarem contra mim, eu fui lá (com muita vergonha na cara) e fiz minha dívida linda de 420 parcelinhas aos plenos 22 aninhos de idade. E aqui eu vou contar um pouquinho de como foi esse processo e, quem sabe, te inspirar a tomar atitudes questionáveis que, no fim, podem te permitir ter uma casinha🏠
O jeito certo e a “vida mínima”
Quando eu tinha 19 anos decidi que queria comprar um apartamento. Essa ideia aconteceu depois de eu estabelecer um ideal para minha vida, que hoje chamo de “vida mínima”:
Eu até posso não fazer muita coisa nessa vida, mas preciso, no mínimo, conseguir me sustentar.
Dentro da minha vida mínima, a ideia de pagar aluguel com 60 anos não me era nada atraente, por isso, eu queria comprar um apartamento enquanto ainda era nova, para garantir que não tivesse mais esse custo na minha velhice.
Mas, na época, a maioria dos influenciadores que falavam sobre dinheiro insistiam muito no discurso de “não vale a pena comprar uma casa, é muito melhor alugar (oi?) e investir o seu dinheiro (que dinheiro?)”.
É muito fofinho eles pensarem que uma pessoa que paga aluguel teria dinheiro de SOBRA pra investir. Fofo.
Naquela época, pouca gente (que eu seguia) falava sobre financiamento. Quem falava, não tinha nada de bom pra falar do coitado. Era sempre “os juros são muito altos” ou “no final você paga o valor de 3 apartamentos” e coisas assim.
Eles estavam errados? Não.
Mas a questão é que às vezes, você só conquista suas coisinhas se enfiando numa dívida. Poucos brasileiros vão ter R$ 200k guardados e disponíveis para comprar um apartamento à vista. Mas eles vão ter um saldo no FGTS, um dinheirinho guardado de uma renda extra que fez e, juntando tudo isso, dá pra financiar um cantinho.
Guardando cada centavo por dois anos
Em 2020 eu comecei, oficialmente, a guardar dinheiro para comprar um apê. Até ali, eu sabia que tinha que juntar bastante para dar de entrada. Mas eu resolvi não definir um valor fixo, queria apenas ver até onde eu conseguia guardar.
Estranhamente, a pandemia me ajudou nisso. Eu comecei a trabalhar home office e isso me permitiu guardar mais. Além disso, comecei um freela bem aleatório que me permitiu guardar bastante. Era um trabalho de diagramação de livros educacionais em HTML. Eles me enviavam os arquivos, eu limpava o código e enviava de volta. Basicamente uma “zeladora de código”.
Por mais que minha formação oficial seja marketing, eu aprendi um pouquinho de programação por causa de um trabalhinho arrombado onde eu acumulava funções. Quem nunca?
Todo o dinheiro desse freela eu guardava. E olhava que eu guardava tudo mesmo, foi uma época que eu mal comprava uma blusinha na Shein (sim, perdi a era de ouro que não tinha taxa de importação).
Vale dizer que o dinheiro que eu ganhava não era todo meu. Por mais que eu morasse com meus papais, precisava ajudar nas finanças de casa. Mesmo assim fui juntando e passei muitos finais de semana trabalhando. Inclusive, na primeira vez na vida que eu tirei férias como uma CLT sabe o que eu fiz? Sim, trabalhei🤡
No final, entre 2020 e 2021 consegui guardar R$ 19k (mal sabia eu que já era o suficiente pra comprar meu apê).
A pesquisa que quase acabou com o plano
Como eu estava guardando dinheiro loucamente e não aproveitando muito minha vida, resolvi me planejar melhor. Queria definir um valor fixo mensal que me permitiria comprar um apê quando eu chegasse nos 25 anos.
Então, no final de 2021 resolvi pesquisar todos os custos que envolviam comprar um apartamento.
Depois de muitas simulações online, de ver vários vídeos de pessoas que compraram um apartamento, de analisar umas 500x se era melhor financiar ou fazer consórcio e de fazer, pelo menos, 4 corretores perderem tempo comigo, cheguei a conclusão que:
Comprar um apartamento não era difícil. Era impossível.
Simplesmente não tinha como. Nas simulações mais otimistas, com apartamentos baratinhos, eu tinha que dar entradas gigantescas de R$ 40 mil.
Tudo bem que consegui juntar metade desse valor em dois anos, sendo assim, era só guardar por mais dois anos que tava tudo certo, né?
Não. O mercado imobiliário não é bonzinho. Em dois anos o preço de tudo sobe muito. Quando eu conseguisse os R$ 40k, eu ia precisar dar R$ 60k de entrada e assim vai. Ou seja: eu nunca ia chegar nesse valor.
Então eu desisti. Parei de guardar loucamente, comprei minhas blusinhas, comecei um curso de inglês e fiz até autoescola. Mantive o dinheiro guardado, tirei um pouco para pagar uma coisa ou outra, mas nada que mudasse muito o valor. E continuei guardando um pouco, porque acabei criando o hábito.
E se eu só visitar?
No fim de 2022, meu irmão comentou que tinham anunciado um apartamento à venda no condomínio onde ele morava. Na época, estava pensando em alugar um apartamento, mas pensei: e se eu visitar e conversar com a corretora para ver no que dá?
Marquei a visita, e me empolguei e marquei mais uma. Em apenas duas tardes de visita eu descobri mais sobre o processo de compra de um apartamento, e nada era igual ao que eu via na internet.
- Primeiro: como eu queria um apartamento simples, a entrada não era R$ 40 mil. Nem metade disso. Pro apê que eu gostei, ela era apenas R$ 12 mil
- Segundo: a Caixa não é o único banco que financia. Eu virei autônoma e boa parte das simulações para apartamentos novos na planta não passava porque era mais difícil comprovar a renda. Apesar disso, os outros bancos eram mais flexíveis (talvez porque cobram juros absurdos)
- Terceiro: o corretor conhece o mercado de verdade. Ele sabe o que aprova e o que não aprova para sua realidade, coisa que a maioria dos conteúdos da internet não vai saber dizer
A partir de uma simples visita eu entendi: a clareza nasce na ação
Ficar em casa pesquisando sobre financiamento não ia me ajudar. Sair de casa e conversar com pessoas reais da área me ajudou muito mais.
No fim, consegui comprar meu apartamento, mesmo acreditando que não tinha jeito nenhum. Hoje eu já consegui amortizar um pouco e, ao invés de uma dívida de 35 anos, tenho uma dívida de 25 anos.
Se tem uma coisa que todo esse processo me ensinou, e que se confirmou quando eu li “A Psicologia Financeira” é que:
Não existe produto financeiro 100% bom ou 100% ruim. O que existe é o uso informado ou desinformado dele
Por um breve período da minha vida acreditei que financiar seria terrível. Depois eu parei de “demonizar” o produto financeiro em si e percebi que o problema não é o produto mas sim contratar sem saber como funciona e sem ter um objetivo claro.
A falta de conhecimento é o maior inimigo da vida financeira de alguém.
Hoje eu sigo bem plena com o meu financiamento, sabendo que tenho uma conta de muitos anos para pagar mas acreditando que no fim as parcelas vão diminuir e terei algo meu (oremos).
메타데이터
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