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7 livros para o 2º semestre

Já que o segundo semestre começa no mês 7, decidi fazer uma nova lista de 7 livros para, quem quiser, passar melhor o tempo nesta segunda…

Victor Hugo Bin · 2026-07-05 22:22 · 0 claps · 7.8 min read
#livros #books #book-review #book-recommendations #reading
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7 livros para o 2º semestre

Já que o segundo semestre começa no mês 7, decidi fazer uma nova lista de 7 livros para, quem quiser, passar melhor o tempo nesta segunda metade do ano.

Os livros não estão por ordem de preferência, e o único critério que usei foi não repetir nenhum livro da minha primeira lista.

Aqui está a primeira lista de livros de 2026, para quem ainda não viu.

Cachorros de Palha — John Gray

Que o homem é a mais nobre das criaturas pode ser inferido do fato de que nenhuma outra jamais contestou essa pretensão. G. C. Lichtenberg

Esse livro é como aquele tapa na cara que você toma do seu melhor amigo, após você ter uma crise histérica.

John Gray escreveu um livro difícil e muito duro sobre o seguinte: nós, serumaninhos, não temos nada de mais perante os outros animais.

Não somos mais espertos, mais bondosos, menos irracionais, mais emocionais, nada disso.

Apenas nos enganamos com o falso mito do progresso, com a moralidade humana.

A tecnologia não nos tornou mais bondosos, mais morais, apenas mais infelizes e mais egoístas.

Ele traz um contraponto bem interessante sobre as filosofias orientais x ocidentais.

O oriente sempre viu o homem como parte da natureza, mas o ocidente começou a achar que podia domar a natureza.

E o fato de não olharmos mais para o mundo natural e animal, do ponto de vista de aprendizes, não de mestres, têm nos levado a decisões cada vez mais ruins — para nós e para o planeta.

Um livro necessário e uma lição de humildade para quando acreditarmos demais de que somos seres um pouco melhores que o resto do mundo, nos pôrmos em nosso devido lugar.

Em tempos de IAs superpoderosas e homens se achando super-homens por causa de dinheiro, poder e tecnologia, um tapa na cara é sempre bem-vindo.

Leia ele aqui (está no Prime Day)

Escrevendo com a Alma — Natalie Goldberg

Pense comigo: as formigas não sabem escrever, nem as árvores, nem os cavalos puros-sangue, nem os alces selvagens, nem os gatos de estimação, nem a grama, nem as pedras. Escrever é uma atividade exclusivamente humana.

Fazia um bom tempo que não lia livros sobre escrita. Mas quando a IA tem tomado conta, cada vez mais, dos nossos textos, me senti obrigado a rever os fundamentos do porque eu faço o que eu faço.

E que livro delicioso. Não é chato, pedante. Os capítulos são curtos e com histórias bem divertidas.

Ver alguém tão apaixonada por escrever quanto Natalie Goldberg é contagiante. Confesso que terminei o livro amando (novamente) o que eu faço. Não me lembrava dessa sensação há pelo menos 3 anos.

Se você não sabe por onde começar. Acha que tudo o que você escreve é uma merda…

Ou acha que você escreve, escreve, e ninguém lê; nada, nada, nada, mas morre na praia — essa leitura será como um abraço.

Link do livro.

Ioga — Emmanuel Carrère

Sem querer me vangloriar, sou excepcionalmente dotado da capacidade de transformar em um verdadeiro inferno uma vida que teria tudo para ser feliz.

Eu já falei sobre esta obra aqui. Mas depois que li O Adversário, e agora concluí Ioga — comprei todos os outros livros do autor publicados no Brasil.

Cacei revistas que continuam suas reportagens e até estou fazendo um curso do Emmanuel Carrère.

O que mexeu comigo foi a coragem de Carrère em falar de si mesmo.

Seus traumas de infância, seu lado ruim, seus problemas pessoais e segredos de família.

Tudo tão brilhantemente bem contado. Já falei que o livro A Sangue Frio, de Truman Capote, mudou minha forma de escrever e enxergar literatura.

Posso afirmar que, quase 18 anos após, Carrère me fez o mesmo.

Quem não leu nada dele, leia. E essa obra é um belo começo.

Sociedade da Transparência — Byung-Chul Han

Mais informações e mais comunicação não clarificam o mudo. A transparência tampouco torna clarividente. A massa de informações não gera verdade. Quanto mais se liberam informações tanto mais intransparente torna-se o mundo. A hiperinformação e a hipercomunicação não trazem luz à escuridão.

Tem quem ache Byung-Chul Han difícil. Mas achei essa obra mais fácil de entender do que Sociedade da Transparência.

Aqui, Han, expande os argumentos do primeiro livro — mas sob a ótica da transparência.

Coisas transparentes precisam se esvaziar de significado, ficarem padronizadas, previsíveis, rasas e simples de entender.

Só que isso empobrece nossa compreensão de mundo. Quanto mais reels, tik toks, likes, vídeos, posts vemos (e só vemos TANTO disso, porque eles são rasos o suficiente para não nos fazer enjoar de nada), menos conexão, conhecimento, ócio e pausas temos.

Uma sociedade que só performa, não aprofunda. E quem se aprofunda tem o que Han chama de “negatividade”. Negativo é tudo que atrapalha o rápido fluxo de informações e positividade.

Se você para e pensa, é negativo. Se você não concorda, é negativo. Se você contrapõe, é negativo.

Apenas cale a boca, sorria e passe a informação adiante.

Depois que você ler este livro, você não verá como as pessoas usam as redes sociais da mesma forma.

Profundidade é o que nos faz humanos, parafraseando a Natalie em seu livro sobre escrita.

Se deixarmos isso para as máquinas, o que nos sobra?

Livro aqui.

Se alguém criar, todos morrem — Eliezer Yudkowsky & Nate Soares

Se depender dos autores deste livro, nada ou muito pouco.

O principal risco, segundo muitos desses fundadores, era que as pessoas erradas pudessem “ter” uma ASI (Artificial Superintelligence). Eles falavam da necessidade de vencer a “corrida armamentista da IA”. Quanto à possibilidade de não “ter” uma ASI, ou de quem a ASI criasse uma ASI própria, ou mesmo de que o único vencedor dessa tal corrida fosse a própria ASI… bem, esses aspectos nunca foram mencionados.

Tenho uma visão pessimista da IA. Acho que ela emburrece o humano (inteligência, atenção, cognição), em prol de encher os cofres das empresas.

Para mim, tudo que serve para tornar o humano “menos” humano, não deveria existir ou ter seu uso incentivado.

E que essa narrativa está nos sendo imposta goela abaixo. Quem discorda, é pessimista. Quem não usa, é negacionista e ludista.

Então gosto quando pessoas de alto gabarito constroem uma obra com centenas de páginas mostrando por A+B que, se continuarmos acelerando a IA, e desenvolvendo-as do mesmo modo, a humanidade acaba.

Os pontos altos para mim do livro, foram:

  1. Quando ele explica porque os engenheiros não fazem ideia de como a IA funciona — mas a indústria fala que “tá tudo bem”.
  2. Um cenário fictício, mas altamente provável, de uma IA se tornar super-poderosa e acabar com a humanidade.

E aqui não tem nada a ver com Exterminador do Futuro. Na verdade, a IA nem precisa entrar em um corpo físico para isso. Basta ela nos influenciar.

Olhando as últimas notícias e vendo o quanto a gente trata as máquinas como terapeutas, namorados e confidentes, acho que ela não teria dificuldade alguma em nos manipular.

  1. Os 3 problemas de engenharia que a humanidade não conseguiu resolver ainda. E porque a IA é impossível de controlar porque ela contém esses 3 problemas — juntos. (Meu trecho favorito do livro.)

E para os céticos de plantão, os autores já se anteciparam e deixaram QR Codes ao longo do livro com papers aprofundados e linguagem mais técnica (para os nerds de plantão).

Baita livro.

História do Silêncio — Alain Corbin

Atualmente é difícil fazer silêncio, o que impede de compreender essa palavra interior que acalma e satisfaz. A sociedade impõe que nos dobremos ao ruído, e com isso afastamo-nos da escuta de nós mesmos. Com isso encontra-se modificada a própria estrutura do indivíduo.

Esse livro eu vi numa lista de livros no Instagram. Mas, após pesquisar sobre o autor, encarei a obra.

Corbin tem uma vasta obra sobre a história das emoções. E, em tempos de superficialidade, depressão e pessoas achando que devem ser lobos solitários e se tornar os próprios gregos estóicos e não sofrerem mais…

Vejo o quão difícil é lidarmos com nossos silêncios.

Silêncio é improdutivo. Quem não fala, não faz, não corre… não é visto.

A sociedade hoje valoriza mais aquele que corre (mesmo que em círculos), do que aquele que para e pensa para qual caminho seguir.

Só que cavalos foram feitos para correr sem parar, o homem, não.

E o livro passa desde a Renascença até os tempos modernos do século XX, sobre como o silêncio era comum, era tido como sagrado; o tempo que os gênios alcançaram para criar suas obras.

Só que na Era Industrial em diante tudo isso mudou. Silêncio passou a ser desconfortável, improdutivo, sem propósito.

Livro que fala muito com o Byung-Chul Han e também com a Natalie Goldberg.

Super-recomendo — mas sei que alguns acharão ele bem chato.

Por que a Guerra? Albert Einstein, Sigmund Freud (edição com comentários do Luiz Felipe Pondé)

Eu li este livro ano passado. Mas o reli devido às ponderações do Luiz Felipe Pondé.

Primeiro que: trata-se das duas maiores mentes do século XX conversando.

E como é excitante ver duas pessoas inteligentes conversando. Sem querer ser mais que o outro. Sem impor suas verdades. Sem ofensas.

É apenas um querendo extrair o melhor do outro para entender: porque guerreamos e, é possível nos livrarmos deste lado animalesco?

Na opinião de Freud, não. O ser humano sempre será violento. E o será porque a Lei só existe graças ao Poder.

E o Poder quem dá à Lei a força da espada.

Leis que não são temidas, não são respeitadas.

Poder é a imposição do mais forte. E sempre vivemos isso em sociedade, o poder do pai, dos mais velhos, da tribo vencedora, do guerreiro mais forte.

Todas as nossas relações são relações de poder. E enquanto houver pessoas mais poderosas do que nós, quere-lo-emos o poder para nós mesmos.

Foi bom reler essa obra após o livro Se Alguém Criar, Todos Morrem.

Porque toda a história humana da violência está documentada em algum lugar. Sabemos do que somos capazes de fazer por poder, e até onde podemos ir para alcançá-lo.

O problema é que, agora, a IA também sabe. Sabe como nos manipular, o mal que podemos fazer, deixamos tudo ali, por escrito.

São esses os dados que estão alimentando as IAs mais poderosas do mundo.

A pergunta é: fazê-las nossa imagem e semelhança, as fará aprender com nossos erros, ou repeti-los em escala global?

Estou com o Pondé nessa. Lascou para nós.


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