#00 — Como iniciei minha carreira em tecnologia
Da curiosidade de uma criança de 12 anos à vida como desenvolvedora: a história que deu início à minha jornada na tecnologia.
#00 — Como iniciei minha carreira em tecnologia
Da curiosidade de uma criança de 12 anos à vida como desenvolvedora: a história que deu início à minha jornada na tecnologia.
Eu me lembro exatamente do momento em que comecei a cogitar seguir carreira na área de tecnologia. Eu tinha cerca de 12 anos e, para ser sincera, não fazia ideia do que era programação ou de como os sistemas funcionavam por trás da tela. Diferentemente da história de muitas pessoas da área, eu nunca fui apaixonada por computadores e também não cresci jogando videogame.
À primeira vista, isso pode parecer estranho. Como alguém decide, ainda tão jovem, que quer trabalhar com tecnologia sem ter tido contato direto com esse universo?
Para mim, a resposta sempre foi muito simples: meu pai.
E não, ele nunca trabalhou com tecnologia, nem tentou me convencer a seguir esse caminho (pelo contrário, queria que eu me tornasse profissional da área da saúde).
Meu pai sempre foi uma pessoa extremamente curiosa e dedicada aos estudos. Até hoje é comum encontrá-lo assistindo vídeos sobre física, matemática ou tentando entender como alguma coisa funciona. Desde pequena, sempre admirei essa característica nele. Ele sempre buscou aprender o suficiente para resolver os próprios problemas: consertar carros, eletrônicos, computadores e praticamente qualquer equipamento que aparecesse pela frente.
Em uma dessas buscas por conhecimento, ele chegou a fazer um curso de programação. Embora nunca tenha trabalhado na área, aprendeu conceitos que, curiosamente, ainda lembra até hoje.
Como ele passava boa parte do tempo desmontando e tentando consertar coisas, eu acabava acompanhando algumas dessas aventuras. Observava tudo com admiração e, sem perceber, comecei a cultivar o desejo de, algum dia, também construir algo por meio do conhecimento.
Foi justamente nessa época que surgiu, na escola, aquela clássica atividade: “O que você quer ser quando crescer?”.
Eu queria ser como meu pai, mas sabia que não tinha interesse em trabalhar consertando carros ou eletrodomésticos. Então pensei que talvez pudesse seguir algo relacionado à tecnologia. Foi exatamente isso que escrevi, mesmo sem entender o que aquele universo realmente significava.
Os anos passaram e essa ideia acabou ficando esquecida.
Então chegou o Ensino Médio e, com ele, a difícil decisão sobre qual faculdade escolher.
Eu sabia apenas uma coisa: gostava muito de Exatas.
Passei horas pesquisando diferentes cursos até encontrar nomes como Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Naquele momento, a lembrança daquela redação da infância voltou à minha cabeça e comecei a considerar seriamente seguir esse caminho.
Naquela época, ainda era difícil encontrar conteúdos sobre a área de tecnologia, especialmente produzidos por pessoas que compartilhavam suas experiências profissionais. Em uma das minhas buscas, encontrei o canal WonderWanny (*youtube.com/@wonderwanny) e assisti ao vídeo “Garota de Programação? Por que a área de TI?”*. Ela contava como era trabalhar com Banco de Dados e falava sobre o espaço das mulheres na tecnologia. Pela primeira vez, consegui visualizar alguém vivendo a carreira que eu imaginava para mim. Aquele vídeo foi decisivo para a minha escolha.
Foi assim que iniciei a graduação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas.
A verdade é que eu não fazia ideia do que era programar.
Logo na primeira semana de aula, um professor propôs um trabalho para desenvolver um conversor de números decimais para binário e hexadecimal. O detalhe é que ainda nem havíamos tido nossa primeira aula de programação.
Foi um grande choque.
Na tentativa de acompanhar a disciplina, comecei uma verdadeira maratona de videoaulas de C++, pelo canal CFB Cursos (*youtube.com/@cfbcursos*), enquanto tentava desenvolver o projeto. Foi nesse processo que aprendi lógica de programação e dei os primeiros passos no desenvolvimento de software.
Um ano depois, conquistei uma bolsa integral para o curso de Ciência da Computação e decidi mudar de universidade.
Essa nova fase me proporcionou experiências que marcaram minha formação. Conheci grandes amigos, participei de hackathons e tive contato com diferentes formas de resolver problemas. Embora muitos desses eventos fossem mais voltados para inovação e criação de produtos do que para desenvolvimento propriamente dito, eles contribuíram bastante para ampliar minha visão sobre tecnologia.
Durante a faculdade veio o próximo desafio: ingressar no mercado de trabalho.
Minha primeira experiência profissional foi como estagiária de TI, prestando suporte técnico aos colaboradores da instituição onde trabalhava.
Posteriormente, atuei como monitora em uma escola da minha cidade, ministrando aulas de informática para crianças entre 4 e 12 anos.
Foi uma experiência transformadora.
Ensinar crianças me fez desenvolver habilidades que utilizo até hoje, como comunicação, adaptação, empatia e, principalmente, a capacidade de explicar assuntos complexos de maneira simples.
Apesar disso, meu objetivo sempre foi atuar como desenvolvedora de software.
Depois de algumas tentativas, conquistei minha primeira oportunidade como Desenvolvedora de Software Júnior, cargo que ocupo atualmente.
No meu dia a dia, trabalho principalmente com C#, .NET, AngularJS e SQL Server.
O início foi desafiador.
Era minha primeira experiência como desenvolvedora e, ao mesmo tempo, meu primeiro contato com boa parte dessas tecnologias. A síndrome do impostor esteve presente durante muito tempo, acompanhada do receio constante de não estar preparada.
Hoje, essas inseguranças ainda aparecem de vez em quando, mas aprendi que fazem parte do processo de crescimento. A tecnologia muda o tempo todo, e aprender continuamente é parte da profissão.
Foi justamente por acreditar nisso que decidi criar este espaço.
Meu objetivo é registrar minha evolução profissional e compartilhar os aprendizados que adquiro ao longo dessa jornada. Neste espaço, pretendo escrever sobre fundamentos de desenvolvimento, engenharia de software, boas práticas, desafios do dia a dia e outros temas que considero relevantes para o meu crescimento como desenvolvedora. A ideia é transformar esse processo de aprendizado em um registro contínuo, que também possa contribuir com outras pessoas que estejam trilhando um caminho semelhante.
Acredito que ensinar é uma das melhores formas de aprender. Espero que os conteúdos publicados aqui possam ser úteis para outras pessoas que estejam trilhando esse mesmo caminho (seja iniciando na área ou buscando evoluir profissionalmente).
Se você chegou até aqui, muito obrigada pela leitura.
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