Máquina de Louco #3 — Rotina de Caixa
Máquina de Louco #3 — Rotina de Caixa
Os rostos sucedem
De tantas formas
Que se borram
Como figuras
Indistintamente dismórficas
–
O enjôo vem
Como ardor
Quase como
Uma necessidade
Diante de tanto acaso
–
As faces humanas
Desumanizam-se
Diante da crueza
De sua própria
Repetitividade massificada
–
Colegas afastados
Conversam amenidades
Enquanto labutam
Equidistantemente
Da minha mortalha
–
Há o caixa
E há o mundo
E quem é do mundo
Não é do caixa
Organicamente incompreensível
–
Talvez seja após
Tanto e tanto tempo
Que eu já não me sinta
Como parte de algo
Sou só parte do grande nada
–
As facetas
Se invertem
Se colorem
Multiplicam-se
Devoram-se
–
E dia após dia
A ânsia suicida
Aparece como gentil amiga
Após tantas e tantas
Outras voltas
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