O peso do (pré)julgamento.
Cresci num lar cristão. Pai obreiro, mainha sempre foi mulher de oração. E eu era o bebê desejado, crescendo dentro de um lar equilibrado…
O peso do (pré)julgamento.
Cresci num lar cristão. Pai obreiro, mainha sempre foi mulher de oração. E eu era o bebê desejado, crescendo dentro de um lar equilibrado, servindo a Deus e indo religiosamente à igreja todos os domingos (as vezes, segunda também. Era dia de culto da palavra, ou “culto de doutrina” como alguns costumam chamar).
Conforme vamos crescendo, vamos adquirindo ‘cargos’ e sendo notados. Fui de auxiliar do ministério de crianças ao ministério de louvor. Ressalto, sempre fiz tudo com muito amor. Como em tudo que faço, busco dar o meu melhor.
E fiz 17.
E comecei a questionar as verdade imutáveis da religião — e principalmente, o fundamentalismo da religiosidade. E fui me afastando… Mas não de todo. Ainda era a religião dos meus pais. Ainda era o lugar onde fui criada. Ainda era eu e todas as expectativas que nascer e ser criada em uma família cristã traz.
E fiz 18. Noivado mal sucedido, traições e uma dose de rebeldia.
19 anos e saí de casa. Foi quando comecei a beber. Um relacionamento ainda mais mal sucedido do que o anterior, e o peso de uma depressão que entrou arrombando tudo.
Daí se seguiram noites e mais noites na farra. Sair na sexta e só retornar na segunda. Muito, mas muito álcool. Algumas decisões precipitadas, outras por pura vontade de me autoflagelar. Entrei em algumas barcas furadas com título de militância. E acreditei, com todo meu ser, que assim eu iria me encontrar.
A essa altura, você deve estar pensando que é mais um testemunha de uma desviada retornando para a igreja. Mas não é. Juro. Segue o fio.
Até os 21, vivi intensa e insanamente.
Além de não encontrar respostas para minhas questões, fui má para comigo. Com outras pessoas. Um verdadeiro desastre.
Hoje, aos 23, tento me reerguer.
Entendi que a única pessoa capaz de responder meus conflitos internos… Sou eu. Que depressão não se cura com um combo de vodka. Que TAG não é frescura, e deve ser tratada com calma e delicadeza. Descobri, também, o tamanho da minha força e coragem de reinventar-se todos os dias.
Descobri, também, o quanto as pessoas podem (e vão) ser ruins. E que vão usar suas fraquezas para sempre, para tentar impedir sua evolução e felicidade.
À essas pessoas, desejo melhoras. Estão perdidas, tanto quanto eu um dia estive. Mas acontece: eu espero que, um dia, se encontrem dentro de si e revejam seus atos.
Quanto a mim, sigo me reinventando e me curando. O que um dia fiz não me define. O que um dia fui, igualmente, não me defini.
Sou indefinível, vez que estou em constante mudança e evolução.
No fim das contas, eu só queria te dizer pra não desistir do processo. A gente perde amigos, relacionamentos, até parte da família… Mas lá no final, a gente se encontra, se ama, se cuida e se cura.
Tenta.
Dói no começo, é verdade.
Mas eu te juro: é a melhor escolha que já fiz em vida.
메타데이터
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