A fluminense que decidiu lutar pelos direitos das ouropretanas
Débora da Costa Queiroz é uma mulher fluminense de 40 anos, branca de cabelos lisos escuros e um sorriso que encanta quem a vê; muito…
A fluminense que decidiu lutar pelos direitos das ouropretanas
Débora da Costa Queiroz é uma mulher fluminense de 40 anos, branca de cabelos lisos escuros e um sorriso que encanta quem a vê; muito simpática, ela transborda carisma, sendo reconhecida por onde passa. No caminho para a entrevista foi abordada por cerca de 5 pessoas que queriam cumprimentá-la ou conversar, às quais dava para perceber que haviam sido cativadas pelo jeito dela de ser.
Ela nasceu em um ambiente bem politizado, tendo desde cedo observado o engajamento de sua família, na defesa do que eles acreditavam. Assim, não foi difícil para que ela também se interessasse pelo assunto. Primeiro, sentiu-se atraída pelas questões dos direitos urbanos e patrimoniais, se tornando uma arquiteta futuramente. Porém, a causa pela qual ela milita nos dias de hoje de forma muito ativa é o feminismo, sendo a atual presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM) de Ouro Preto.
Mas até chegar de vez à cidade histórica mineira, Débora enfrentou um longo caminho, tendo crescido na periferia de Nilópolis, conhecendo de perto a desigualdade social. Junto a uma família que a ensinou desde sempre a questionar a realidade ao seu redor, além de terem também a incentivado nos estudos. Ao chegar à fase adulta, foi aprovada em Arquitetura e Urbanismo, pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e por conta disso teve que se mudar para Niterói, onde teve um grande choque de realidade. Isto ocorreu devido às diferenças em relação a sua cidade natal, principalmente na questão da qualidade de vida, que melhorou muito em relação às oportunidades que pode ter e os novos espaços que conquistou.
A sua próxima parada, após finalizar a graduação em 2009, foi em Belo Horizonte para trabalhar, tendo finalmente chegado a Minas Gerais, estado que acabou se tornando seu lar há mais de 10 anos. Após sua estadia em BH, ela foi para Mariana a trabalho na sua área de estudo, a Arquitetura, e em 2012 já estava instalada em Ouro Preto, a cidade na qual constrói sua história atualmente.
Acontece que, desde que Débora chegou a região, percebeu a ausência gritante da presença feminina na política local, e como isso fazia diferença nas pautas que iam sendo abordadas. A partir dessa percepção, ela decidiu que faria algo para mudar isso, mesmo porque desde a época da universidade ela vinha se engajando cada vez mais em manifestações e percebendo que as coisas precisavam ser alteradas.
Em 2016, começou a formar coletivos de mulheres para discutir as temáticas que as tocavam, em um período em que a política tanto nacional quanto regional estava extremamente agitada. Logo, surgiu a ideia da criação a nível local da UBM, que é uma entidade nacional. Ela foi criada de fato em 2017, com o intuito de ajudar na luta pela reivindicação dos direitos das mulheres da região. E é necessário lembrar que a falta de representação feminina na política ouropretana é tanta que, atualmente, entre 15 vereadores na Câmara Municipal, há somente uma mulher.
É aí que entra a UBM, uma organização política com diversas formas e frentes de atuação, como o eixo de luta de massas, que pode agir em conjunto com outros movimentos sociais ou nas próprias comunidades. Assim como a parte institucional, nas quais ela marca presença nos conselhos nacionais de direitos humanos, de saúde, e de direitos das mulheres (este último engloba instância nacional, estadual, e municipal). Além de também atuar no eixo de formação, de modo a promover discussões de textos e teorias feministas entre as militantes e a comunidade, formando uma bagagem teórica destas lutas.
Por fim, a UBM possui ainda a parte voltada para projetos, na qual Ela Une todos os outros eixos em prol da construção de planos de ação, para a mobilização comunitária à causa. Tais como eventos culturais, manifestações, coletas de cestas básicas e parcerias para a promoção de atos que gerem algum tipo de retorno às mulheres da região. Mas apesar de todo este esforço, Débora reforça que uma coisa extremamente essencial nesta luta é a vigilância constante, pois, como diria Simone de Beauvoir: “Basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”. Ela segue conciliando esta liderança junto com seu trabalho como arquiteta, e pelo seu olhar enquanto fala sobre os dois assuntos, é possível perceber o quanto é apaixonada pelo que faz
Débora é uma mulher de garra e força que não desiste diante de empecilhos, que age e inspira para que mais pessoas lutem pela promoção da igualdade de gênero. Ela diz que o papel da UBM é ajudar a abrir portas para que mais conquistas cheguem, mas para isso cada um de nós precisa fazer a sua parte. Pois mesmo que os passos sejam dados de forma devagar, eles são necessários para que no futuro outros consigam alcançar um espaço maior que o de agora.
Texto publicado para o site: Lamparina em 07 jun 2022.
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