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O Abutre (2014) — Dan Gilroy

Brasil Urgente, Cidade Alerta, Balanço Geral. Um crime bárbaro atrás do outro, um pior que o outro. Os repórteres e jornalistas entram no…

Sara Cerqueira · 2018-09-04 19:01 · 1 claps · 2.1 min read
#nightcrawler #abutre #jake-gyllenhaal #filmes #jornalismo
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Wiki topics: 🎬 · Film & Television

O Abutre (2014) — Dan Gilroy

Brasil Urgente, Cidade Alerta, Balanço Geral. Um crime bárbaro atrás do outro, um pior que o outro. Os repórteres e jornalistas entram no local do crime, filmam o rosto da família que perdeu um ente querido brutalmente assassinado. Um apresentador pergunta pra uma mãe que acaba de perder a filha morta com requintes de crueldade “o que ela sente”.

Nós sabemos o poder que esses telejornais possuem. Com pouca informação e muito entretenimento, eles fisgam a atenção de milhões de brasileiros. É uma sequência de acidentes e assassinatos bizarros de uma hora ou mais. Apenas isso.

A midiatização da violência urbana e o submundo amoral que a sustenta é tema desse longa do roteirista Dan Gilroy, que estreou magistralmente seu trabalho como diretor.

Jake Gillenhaal interpreta Lou Bloom, um homem que vive de pequenos furtos e trapaças para ganhar a vida. Diante de um acidente, ele observa a rapidez com a qual os “repórteres” (seriam mais uns paparazzis de desgraça, que filmam e fotografam tragédias por todo o canto) chegam em cenas de crimes e acidentes, muitas vezes antes da polícia ou de ambulâncias. Ao comprar uma câmera amadora e começar a trabalhar nesse submundo, a linha entre registrar os fatos de um acontecimento e modificá-los para deixá-los convenientes fica cada vez mais tênue.

O que mais impressiona nesse longa é a transformação física e psicológica que Jake Gillenhaal passou para poder dar vida a Lou Bloom. Com 10 quilos a menos e uma compleição animalesca, o protagonista de fato, parece uma besta esgueirando pelas carcaças, se arrastando sorrateiramente antes de avançar sobre o sangue alheio. Não o via tão consumido por um papel desde seu trabalho como o caubói Jack Twist, no avassalador O Segredo de Brokeback Mountain.

Olhos esbugalhados e linguagem corporal bestial: Lou Bloom parece estar sempre “com fome”, atrás de histórias horripilantes que possa documentar e vender aos grandes telejornais.

Olhos esbugalhados e linguagem corporal bestial: Lou Bloom parece estar sempre “com fome”, atrás de histórias horripilantes que possa documentar e vender aos grandes telejornais.

Além da transformação física, Jake Gillenhaal realizou um trabalho impressionante com o psicológico do personagem. Apesar de suas grandes ambições, ele é socialmente desajustado, como um software de inteligência artificial muito mal programado. Sua apatia com outras pessoas acrescenta camadas de sociopatia bem-vindas a um personagem que vive nas sombras e se alimenta do que acontece nelas.

Ao mesmo tempo, nem todas as críticas recaem única e exclusivamente sobre “o abutre” ou sobre os telejornais para os quais ele presta serviços. O público telespectador que fomenta o tipo de atração “mundo cão” também está na mira do longa, que expõe as facetas mais perversas de um submundo que suga audiência por meio do sofrimento alheio, sem intuito algum de informar ou mesmo alertar as pessoas sobre a violência.

Disponível na Netflix, O Abutre reflete sobre a amoralidade do jornalismo investigativo televisivo e a cumplicidade de um público que apoia e incentiva a exibição da desgraça alheia. Se torcer, sai sangue.


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