As últimas coisas que eu assisti nesse 2026
Adoro trazer minhas perspectivas mirabolantes sobre as coisas que eu assisto, mas o tempo passou tão rápido, eu me envolvi tanto em outras…
As últimas coisas que eu assisti nesse 2026
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Adoro trazer minhas perspectivas mirabolantes sobre as coisas que eu assisto, mas o tempo passou tão rápido, eu me envolvi tanto em outras coisas que eu não fiz aquela tal resenha individual de cada coisa, mas não precisa ser assim, né? Dá pra misturar tudo… será?
Esses dias eu me peguei assistindo O Ódio (1995), apareceu em alguma coisa da Amazon Prime e eu fiquei: que engraçado, né? Um filme desses nessa plataforma onde o CEO é um cretino. Enfim, fica a dica, é um filme interessante. Mas se tem uma coisa que eu fiz esse ano é assistir, assistir tudo que tive direito no conforto da minha casa e naquelas salas vips de cinema que você é abraçada pela poltrona. Depois que descobri isso, nunca mais quero viver outra coisa, aliás, trabalho pra bancar esses rolês.
Eu não lembro a ordem que assisti. Mas vou começar com dois filmes, O Diabo Veste Prada 2 (2026) e Michael (2026).
Os dois filmes me passam a mesma impressão: não podemos falar demais, porque se falar demais nossos empregos correm risco, talvez não fiquem pobres, mas não participaram mais do capital cultural desse universo cult.
Diabo Veste Prada 2
Já falei para vocês que assisti o 1 quando já era grande? Menina grande, fodida no mercado de trabalho, entrei no google depois de um dia humilhante de trampo, coisa de processo trabalhista e busquei: filmes que me façam entender as relações de poder no trabalho. Eu não queria mais ler livros sobre trabalho, porque tudo daria em revolução e eu vi que não dá certo fazer uma revolução sozinha.
Bom, assisti no meu apartamento, na minha tv paga à vista, no meu sofá azul cor de céu. Fiquei com raiva da Miranda, fiquei. Você não fioou? Quem não fica é aquela chefe que acha que basta ser carrasca para mostrar que é uma boa chefe, no sentido relacional, não de técnica. Mas quem liga, né?
Uma coisa que percebi ao assistir o Diabo Veste Prada é que eu não tinha a menor noção do mercado de luxo, naquela época, hoje sei, montei até um curso para explicar a socialização feminina através do mercado de luxo, mas naquela época, não. Pra mim nunca fez sentido você se vestir para os outros, ainda não faz, embora o mercado de trabalho pegue um pregue, enfie ele na mnha goela e bate com força: tem certeza que não faz sentido?
Bom, Meryl Streep (Miranda Priestly), Anne Hathaway (Andrea “Andy” Sachs), Emily Blunt (Emily Charlton) e Stanley Tucci (Nigel Kipling) sempre existiram ao meu redor. A diferença é que eu sou uma Andy.
Fui convencida, com pregos, de que o trabalho mudaria a minha vida, mas não só, tinha que estudar junto, porque trabalho sem o lado intelectual é vergonhoso, sim, é o que dizem, você não sabia? A história da colonização nos conta.
E, assistindo ao 2, eu tive a mesma sensação quando vi o 1. Tem coisas que não podem ser faladas, nada é profundo demais, a não ser as bolsas. E, pra mim, é isso, nada mais importante do que chegar lá. E o que é chegar lá? Talvez ter um teto, comida, amigos, amores, uma boa localização, roupas confortáveis? E, ainda sim, não perder a ternura? Porque, assim, pra Andy se preocupar com a Miranda é tipo um surto. Ou não. É só o que é. Quando estamos no mercado de trabalho toda nossa força se volta para quem nos válida, não só manual, mas emocional. E é aí que você não percebe que perde os limites, perde a sua vida. Por mais glamouroso que seja, juro.
Uma coisa que o capitalismo odeia é trabalhadores honestos, quem dirá uma trabalhadora, mulher, honesta, no mundo público? HAHAHAHAH Dou risada porque me veêm na cabeça boas memórias. Além da memória do dinheiro, que esse deixa rastro bem marcados. Mas que não deixa de ser importante na porcaria do capitalismo, ainda mais quando se é mulher. Se eu tivesse escutado mais mulheres que ganham dinheiro, ao invés de escutar homens, eu teria aprendido algo mais cedo: não coloque sua sobrevivência em risco. Como já me disse uma amiga.
E aí, entra numa coisa que eu queria chamar atenção: todo o filme é sobre poder, se tratando de moda, além de ser sobre dinheiro é sobre exclusividade, por mais que o filme coloque algumas pessoas negras, asiáticas, latinas, lgbtpqiap+, a gente sabe que nesse rolê não é bem assim. Você arrisca o que você ainda não tem, assim como a Miranda e ainda mais a Andy. Bom, tem a Emily, né? Claro que teria que ter essa figura, a mulher que sabe que um casamento heterossexual com um homem econômico te deixaria mais longe do penhasco, mas não é bem assim. Aliás, mulheres, não dá pra você se matar de trabalhar para ficar tendo seu dinheiro como assistente do seu marido, ok? Se liga, hein. Porque muitas usam a desculpa de que ganham menos (coitadinhos) e daqui a pouco, sem perceber, tá administrando seu dinheiro sem nunca ele nem ter tocado nele. Não vemos homens tendo seu dinheiro como nossos assistentes porque ganhamos menos. Muito pelo contrário, baby, você sai devendo.
Tá vendo? Eu nem lembro mais de tudo que aconteceu no filme, nem das coisas que maisme chamaram atenção, as roupas, enfim, porque talvez a ideia seja essa: puro entretenismento de Hollywood. Amamos! Ah, não ama? Tem certeza?
Ia falar algo sobre a moda, a vestimenta, mas acho que deixo para outro momento, em aula. Ou nunca fale porque eu esqueci.
Agora, vamos falar de Michael (2026), primeiro, p-a-r-a-t-u-d-o, que ator bom, né? Que isso, véi! Segundo, claro, muita coisa ali ficou nas entrelinhas e foi uma tentativa de preservar a memória do Michael.
Uma das coisas que mais me chamou atenção foi aquela cena dele no dentista, ai perguntam a ele sobre o uso de medicação e ele mostra rejeitar o uso, diz que toma somente pelo vitiligo. Isso parece ser bobabem quando a gente não se atenta pela forma que ele morreu: intoxicação aguda por propofol e benzodiazepínicos (interação medicamentosa) em 25 de junho de 2009. Ou seja, o seu médico particular matou ele? Ai, ai. Conspirações a parte, eu acho que foi fita dada. Vocês não?
Sério.
Eu gosto do Michael, antes de ser o que sou hoje, sempre escutei ele, sempre esteve em toda apresentação de escola, conforme fui estudando mais cultura, história da música, eu fui gostando mais.
Quando surgiu as denúncias de abuso, eu fiquei muito decepecionada. Ainda fico pensando em tudo aquilo, nas provas, se é ou não, se foi ou não, o que foi aquilo? Sabendo de todo o podre da indústria, ainda mais a cultural e sabendo o que ganham quando abusam de crianças, para mim, as versões não batem. Mas tem as vítimas, né?
Tudo tão complicado.
E o pai dele? No filme, também senti coisas não ditas sobre o pai em relação ao Michael, principalmente quando a mãe dele chega e diz a ele: desculpa se eu não te protegi.
Enfim, esse lado familiar, assim como o da Whitney Houston, sempre mexeu comigo. Eu li muito mulheres negras, cresci cercada delas, isso me leva para um outro lugar. Bom, além dessa disputa de poder, judicial, queria mais falar da vida.
Que merda você ser criativo, né? Você é sozinho, simples. Suas relações são impossíveis de existir fora da balança comercial.
Falando nisso, depois que eu assisti ao filme, eu fui ver documentários, finalmente assisti o do Quincy Jones (2018), olha, eu amo esse cara. É estranho falar disso, mas os caras que eu mais amo são envolvidos com música, cultural e os mais odeio também.
Além do Quincy Jones ter um papel fundamental na vida do Michael, ele teve na minha quando eu assisti na tv a gato da casa dos meus pais o A Cor Púrpura, eu não sabia que era possível ter um filme tão lindo quanto o livro. E ele celebrar Alice Walker daquele jeito me emocionou. Me emociona.
Sabe, eu fico louca como as coisas se relacionam, eu ainda pretendo ser uma grande historiadora da cultura, ser uma crítica cultural, ter um lance próprio, enquanto isso não acontece, eu faço esse caminho me emocionando. Assim como a vida do Michael me emociona. Não só ele, mas os Jacksons Five da Motown Records. Eu lembro que meu pai tinhauma fita e o nome Motown se me chamava atenção, embora eu quebrasse todas as fitas para saber se dava pra ver a música naquelas tiras, maluca, né? Eu sei.
Sabe, gente, gosto muito de música porque na minha família tudo se traduzia com músicas, coisas de quem migra. Eu cresci assim. Cada sentimento para mim tem uma playlist e foi na terapia que eu entendi isso, embora sempre estivesse aqui.
Poxa, Gi, o que isso tem a ver com o Michael? Ele se encontrou ali fazendo música do seu jeito, desde criança, não parando os pés, não sabendo respirar direito, sabendo que era o irmão mais novo, o que tinha mais possibilidade de errar menos, sei lá. Foi um filme que me fez ficar 13 horas vendo clipes, documentários, montando lista de leituras e fazendo relação da música negra estado-unidense com o resto do Brasil. Sim, gente, eu sou esse tipo de mulher. Aliás, a pilha de livros já chegaram, os documentários estão sendo assistidos. Comprei até a nova biografia do Marvin Gaye.
Durante muito tempo, estudar esse tema era coisa de homem, só tinha referências de homens, até que bell hooks e alice walker abriu esse mundo pra mim. A mãe da alice, na verdade, com o Antes que o Hip-Hop fosse Hip-Hop. Viva Rebecca Walker! Nossa, gente.
Queria falar pra vocês que tudo que a gente assiste, ouve, enfim, tem uma intenção, né? Depende do que a gente vai fazer com ela. Essa escrita ficou meio sei lá, pensei que eu ia narrar mais os acontecimentos, mas não. Saiu uma outra coisa.
Coisa essa que só quem pesquisa cultura pode entender mesmo (ou não!).
Ai, gente, me perdi aqui pesquisando uma coisa, prometo que os próximos textos eu foco mais, ou não.
Lista das últimas coisas que assisiti:
Tina Turner (documentário) de novo Whitney Houston (documentário) de novo Quicy Jhones (documentário) A noite que mudou o pop (documentário) Impuros (série) Capoeiras (série) Summer of Soul (…Ou, Quando a Revolução Não Pode Ser Televisionada) (esse aqui é tipo um achado na minha adolesência, fiz um trabalho de inglês com ele, do qual a profª reaça odiou) Marvin Gaye: What’s Going ReMastered: Devil at the Crossroads
Lembro desses.. e como tô escrevendo meu livro sobre memórias, acho que pesquisar músicas me fez reviver certos sentimentos.
Bj, gente!
Esqueci de falar queo Jaafar Jackson tá gravando já pro michael 2! rs Nessas horas eu queria ser uma senhora para combinar de ver com minhas amigas senhoras. Bj de vdd!
메타데이터
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