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Maria Callas | Crítica | 48ª Mostra SP

Angelina Jolie vive luz e sombras da famosa cantora de ópera em filme grandioso de Pablo Larraín

1 Livro, 1 Disco, 1 Filme · 2024-10-19 14:57 · 0 claps · 1.8 min read
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Maria Callas | Crítica | 48ª Mostra SP

Angelina Jolie vive luz e sombras da famosa cantora de ópera em filme grandioso de Pablo Larraín

POR BARBARA DEMEROV

Na sua trilogia sobre as múltiplas camadas de mulheres que deixaram sua marca no mundo, Pablo Larraín as dirige com um cuidado e uma aproximação singulares. Os três filmes têm em comum atuações grandiosas de Natalie Portman, Kristen Dunst e Angelina Jolie, mas são bem diferentes entre si.

Jackie talvez seja o mais “tradicional” quando falamos sobre estrutura e roteiro. Vemos a história de Jackie Kennedy seguindo os fatos logo após a morte de John F. Kennedy, enquanto Spencer se permite viajar pela mente de Diana e brincar com metáforas e simbolismos visuais. Maria Callas, com Angelina Jolie, segue a mesma fórmula do segundo e garante uma liberdade criativa maior — e também mais intrigante.

A mais famosa cantora de ópera dá vida a todos os espaços do filme. Em sua casa, nas ruas e parques de Paris e, claro, nos amplos teatros onde se apresenta. Esses ambientes ganham mais luz com sua presença e isso é visível. Mas o filme também é sobre como essa luz está enfraquecida no momento presente, com a saúde debilitada da protagonista.

Larraín monta sua narrativa com diversos flashbacks que contrapõem luz e sombra, imaginação e realidade, passado e presente. É uma escolha que só dá certo porque Angelina Jolie mergulha intensamente em sua personagem — é pela potência da performance que conseguimos encontrar um grande filme ali. Quando canta, sua voz se perde num caminho de vigor e fragilidade, e tanto seu olhar como suas mãos transmitem esse desgosto tão desolador. É um trabalho de corpo inteiro que impressiona.

As atuações da dupla de coadjuvantes Pierfrancesco Favino e Alba Rohrwacher são igualmente impactantes; elas são o combustível para o microcosmo de Maria Callas se manter vivo.

E, ainda sobre a escolha de Larraín e do roteirista Stephen Knight em priorizar a imersão na fantasia de Maria ao invés de explicar o que é verdade ou não, é na casa de Maria onde a maioria dos devaneios acontece. E, para isso acontecer, a elegância do design de produção e do figurino são outros elementos essenciais.

A vastidão dos ambientes, as cores em tons quentes ou pasteis e as roupas de Maria transmitem toda a solidão e melancolia que estão dentro da artista. Só que ela não não sabe o que fazer com todos esses sentimentos, e o resultado é uma experiência que proporciona angústia e fascínio ao mesmo tempo.


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