Macumba e autocuidado
Várias vezes eu li na internet: “autocuidado não é só skincare”. Licença, mas eu vou um pouco além, porque não tá pouco de gente cuspindo…
Macumba e autocuidado
Várias vezes eu li na internet: “autocuidado não é só skincare”. Licença, mas eu vou um pouco além, porque não tá pouco de gente cuspindo regra na internet: autocuidado não é só com a matéria. É uma responsabilidade cármica e também uma questão de respeito com os orixás da sua coroa.
Ao ingressar no candomblé ou na umbanda contamos com a ajuda de guias, entidades, orixás e nossos mais velhos para que nos curem os problemas. Toma um banho com as folhas que saíram nos búzios aqui, se enxerga melhor após uma consulta ali… Tudo isso é uma parte muito gostosa da ritualística e é por onde muitas vezes acontece o trabalho de caridade.
Esse movimento de ser recebido, acolhido e tratado é necessário também por conta do nosso desconhecimento e incapacidade do cuidado por conta própria. Só que enquanto seguimos nessa trajetória, teoricamente adquirimos cada vez mais conhecimento, nos tornando capazes de cuidar de nós mesmas. Ai que bom que fosse, né?
Ser cuidada é bom, é importante, mas também é um aprendizado. É preciso ter um pouco mais de autonomia no processo evolutivo, pois ele depende em grande parte do que fazemos com nosso livre-arbítrio, e se cuidar precisa ser uma escolha. Não que o cuidado que vem dos guias, das Yás e dos Babás não seja de enorme importância, ele é e deverá ser sempre o nosso referencial. Mas é preciso caminhar com as próprias pernas e correr atrás da harmonia espiritual.
O que fazer ao se sentir desmotivada? Como blindar as energias negativas de contato inevitável? Como cuidar do espaço da nossa casa? A gente precisa se treinar para responder essas perguntas. Ser capaz de entender o mínimo que seja sobre os fundamentos, observar, intuir, resguardar. Um desses verbos, inclusive, é muito importante. Parte desse autocuidado está em saber ouvir sua própria intuição.
Se escutar internamente vai te fazer entender com mais clareza o momento certo para fazer firmezas, fios de conta, e também no próprio processo de cura, com banhos, limpezas no ambiente, etc. A grande ironia é que eu sou ninguém para falar isso, risos nervosos. Já fui e ainda sou muito cobrada para dar segmento aos meus cuidados fora do terreiro e esse é um ponto em que eu acerto e erro muito. Mas como o objetivos desses textos aqui no Medium não é o de passar conteúdo, mas trocar, tomei todas as liberdades possíveis nesse texto.
A ideia é falar de algumas coisas que você pode e deve fazer para se cuidar, se proteger, se amar. Até porque a trilha do desenvolvimento mediúnico requer mais e mais cuidados ao longo da jornada, é a famosa ladeira abaixo. Como disse exu: a cada um que você ajuda, atrai mais sete. Que demanda, hein minha irmã? Ok. Vamos lá para formas de autocuidado através da macumba.
- Firmeza do anjo da guarda: faz tempo que eu quero falar disso e acho que ainda vou escrever com mais detalhes, mas seu anjo da guarda é a sua principal proteção e rede de amparo para o desenvolvimento mediúnico e para a vida! Sempre que puder, acenda uma vela, acima da sua cabeça, com um copo (virgem) de água mineral ao lado. Faça suas orações e preces, e, para qualquer coisa que faça tenha sempre essa vela acesa.
- Banhos e chás — terapia da água: Não precisa esperar o caboclo (ou o marujo, ou a pombogira……….) te passar um banho, cabeça! Estude o poder das folhas, peça licença se for arrancar do pé e vai! Basta consagrar na energia do orixá que você busca e ativar o banho.
- Incense o seu espaço: Tanto com as ervas naturais que você deixa secar ou com a varetinha mesmo, o incenso é uma energia muito poderosa de purificação e atração de boas energias, sempre que possível acenda um incenso, passe pela casa e aproveite essa energia.
- Mantenha sempre um cristal — terapia da terra: Ai nem vou mais falar de cristal pra vocês, olha esse blog todo só fala de cristal. Mas se quiser comprar comigo pode, ok?
- Tape o seu umbigo: dia desses rolou uma chacota com isso nas páginas de humor, mas é real, oficial, e eu vim aqui dar meu testemunho! Esses dias chegou uma Strange Vibes em forma de ser humano aqui no trabalho e eu comecei a bocejar terrivelmente e corizar, enfim só desprendendo fluídos. Corri no banheiro e dá-lhe esparadrapo no umbiguinho. PASSOU. Essa é uma dica boa para quem frequenta muitos terreiros diferentes também, não que sejam espaços ruins, mas antes de receber aquela energia, se você não conhece o espaço cabe se prevenir.
- Evite maldizer: O melhor do goodvibismo chegando até você agora, meu amor! Mas é sério, quando você entra na energia da condenação, julgamento, crítica, isso só te arrasa. Então, para evitar a demanda desnecessária, joga esse transtorno pra lá. Deixa com o carma que ele resolve todas as coisas.
- Desapegue: Dos livros que tu não vai mais ler, das roupas que já não usa, papéis, pessoas, tudo! Quanto mais você aprende a se desenvolver com pouco, melhor a energia circula. Ninguém tá falando de São Francisco de Assis, pode comprar colarzinho, brusinha, só tente manter O QUE TE DEIXA FELIZ (assim falou Marie Kondo).
Acho que é só, né? Aliás, já tá bem bom pra começar.
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