Obsessão: esse filme é realmente tudo isso?
Fui assistir Obsessão com expectativa alta. A ideia central é clichê, aquele tipo de premissa que você já viu em algum lugar e que, num…
Obsessão: esse filme é realmente tudo isso?

Fui assistir Obsessão com expectativa alta. A ideia central é clichê, aquele tipo de premissa que você já viu em algum lugar e que, num primeiro momento, pode te dar a impressão de que sabe pra onde a história vai.
Só que não.
O roteiro que não entrega tudo de uma vez
O que o filme faz com esse ponto de partida familiar é diferente. Ele vai construindo a história em doses pequenas, com calma, sem pressa. E você vai descobrindo o que está acontecendo junto com Bear, o personagem central. Não de uma vez. Aos poucos.

Isso cria uma angústia que cresce durante todo o filme sem que você perceba direito quando começou. E aí está o grande mérito do roteiro: ele te coloca no mesmo lugar que o protagonista. Você não sabe mais do que ele. Você descobre junto.
Isso é raro. E é muito bem feito.
O peso das atuações
O elenco sustenta tudo isso muito bem. Michael Johnston convence no papel principal. Você se importa com o que acontece com ele, o que em um terror já é meio caminho andado.
Mas quem rouba o filme é Inde Navarrette, a Nikki.
O que ela faz em cena é difícil de descrever. Ela consegue ir da fofura ao descontrole em segundos. E o incômodo que isso gera na sala de cinema é real. Você sente o desconforto antes mesmo de entender por quê. É o tipo de atuação que fica na cabeça muito depois que o filme termina.

A câmera como ferramenta de desconforto
A direção ajuda muito a construir essa sensação.
O filme brinca bem com luz e sombra, deixando coisas propositalmente fora de foco. Em vários momentos você não enxerga muito bem o que está acontecendo com a personagem, e isso cria uma tensão que não precisa de nada explícito pra funcionar.
Tem uma escolha que achei especialmente inteligente: o diretor muitas vezes tira o foco de quem está agindo e coloca em quem está vendo a ação. Isso te joga dentro do desconforto do personagem. Você não está só assistindo. Você está sentindo junto. E essa diferença muda completamente a experiência.
O que não funciona
Mas nem tudo funciona tão bem assim.
A trilha me tirou do filme em alguns momentos. Ela fica desconectada do que está acontecendo na tela, e quando isso acontece em um filme que depende tanto da atmosfera, você sente. Quebra a imersão de um jeito difícil de ignorar.
É o tipo de detalhe que parece pequeno mas que em uma obra construída assim, onde cada elemento precisa trabalhar junto, acaba pesando mais do que deveria.
O universo que esse filme habita
Se você gostou de Fala Comigo ou A Hora do Mal, vai se sentir em casa aqui. Eles têm a mesma vibe. Menos carnificina, mais história, mais personagens que você realmente se importa. Ousaria dizer que os três funcionariam no mesmo universo.
E isso diz muito sobre o momento do gênero. O terror saiu de assustar por assustar pra construir histórias com peso de verdade. Personagens que você acompanha. Tensão que cresce sem precisar gritar. E Obsessão entra bem nessa linha.
Fico muito feliz quando vou ao cinema e saio pensando nisso.
Angustiante, bem construído e com atuação inesquecível.
E você, prefere terror que aposta na narrativa ou ainda curte o estilo mais clássico de susto e sangue?
메타데이터
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